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04 de agosto de 2026

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Programa Tolerância Zero chega às ruas internas de Copacabana, Ipanema e Leblon

CIDADES Fiscalização 04/08/2026 07:13 Anna Bustamante, Extra extra.globo.com

A fiscalização contra ambulantes irregulares será ampliada para as principais ruas dos bairros da Zona Sul do Rio e também vai verificar a documentação de motocicletas.

Diario Flip

O programa Tolerância Zero, que desde o dia 16 de julho impede a atuação de ambulantes sem licença nas praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon, vai ser expandido para as ruas internas desses bairros. A nova fase da fiscalização terá um reforço de 220 agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), chegando a um total de 540, a partir de amanhã. Além da orla, as equipes vão atuar nas avenidas Nossa Senhora de Copacabana e Rainha Elisabeth, em Copacabana, na Rua Prudente de Morais, em Ipanema, e na Avenida General San Martin, no Leblon. Além de combater a venda de produtos por camelôs sem licença, eles também farão blitzes para verificar a documentação de motocicletas.

O secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, justificou a nova ação: "Todo mundo sabe que, cada vez mais, criminosos vêm utilizando motos nos crimes. Isso é claramente observado em nossos relatórios, e vamos trazer essa novidade operacional".

  • O programa começa amanhã com 540 agentes atuando nas ruas e avenidas dos bairros.
  • As blitzes de motos vão verificar documentos e tentar coibir o uso de motocicletas em crimes.
  • Os principais pontos de camelôs ficam nas esquinas das ruas Dias da Rocha, Santa Clara e Figueiredo Magalhães, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana.
  • Uma equipe do GLOBO percorreu os novos locais e encontrou vendedores ambulantes na Avenida Ataulfo de Paiva, mas não nas outras vias.
  • Comerciantes regularizados e lojistas temem que a medida apenas desloque os vendedores irregulares para outras calçadas.

Concorrência

Na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, no número 820, ao lado de barracas regularizadas, um vendedor montava um novo estande para vender acessórios para celulares. Uma comerciante que tem licença para vender vestidos e cintos disse que está preocupada com o aumento de ambulantes irregulares na calçada onde trabalha: "Me preocupo porque nós somos cadastrados, mas como a prefeitura vai resolver essa situação Só tirar as pessoas da orla vai causar um problema ainda maior, porque eles não vão deixar de trabalhar. Vão acabar se misturando com os outros ambulantes cadastrados, isso pode causar uma confusão. A prefeitura devia se preocupar com esses trabalhadores e não restringir o comércio deles, porque para algum lugar eles vão".

Entre os lojistas, o apoio ao ordenamento urbano vem com algumas ressalvas. Pedro Cordeiro, dono da churrascaria Carretão, que está há 37 anos em uma rua transversal da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, concordou com a medida, mas criticou a falta de planejamento para o destino dos ambulantes: "Não estou de acordo em pegar os ambulantes e esculachar com eles. Vão viver do quê Isso é enxugar gelo. Eles precisam ter para onde ir, senão volta tudo. Precisam poder trabalhar, mas não dessa forma. A prefeitura tem que direcionar melhor os camelôs. Sou a favor da medida, mas não dessa maneira".

Além dele, a proprietária de um salão de beleza na Nossa Senhora de Copacabana, que preferiu não se identificar, disse que paga cerca de R$ 20 mil de aluguel por mês e que é favorável às ações da prefeitura. Ela, no entanto, acredita que a retirada dos ambulantes da orla pode aumentar a presença deles nas calçadas das ruas internas. O dono de uma loja de roupas fitness perto do número 800 tem a mesma opinião: "Eles não vão parar de trabalhar no comércio irregular, só vão migrar para outras ruas movimentadas, disputar espaço com a gente" .

Ambiente acolhedor

Para Aldo Gonçalves, presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Rio de Janeiro (SindilojasRio), a expansão do Tolerância Zero para a Nossa Senhora de Copacabana é uma demanda antiga dos comerciantes: "O ordenamento urbano é essencial para um comércio forte. Combater o comércio informal e a ocupação irregular dos espaços públicos significa garantir concorrência leal, mais segurança e um ambiente mais acolhedor para consumidores e empreendedores. Esperamos que esse trabalho tenha continuidade e seja permanente".

O prefeito Eduardo Cavaliere, que anunciou a ampliação do programa, afirma que a fiscalização será uma política permanente. Além dos fiscais da Seop, participam do Tolerância Zero 52 guardas municipais e 140 policiais militares, além do efetivo de rotina do 19º BPM (Copacabana) e do 23º BPM (Leblon).


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