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01 de setembro de 2026

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Festival de comida em Tiradentes junta Minas Gerais e Portugal

CULTURA Gastronomia 01/09/2026 15:13 Ana Cristina Campos - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

O Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, em Minas Gerais, terminou no domingo (30) com cerca de 70 mil visitantes. O evento celebrou as semelhanças entre a cozinha mineira e a portuguesa, com aulas de culinária, desafi os, estandes de comida e o lançamento de um guia de rotas de vinhos.

Diario Flip

Cercca de 70 mil pessoas participaram do 29º Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, que terminou no último domingo (30) na cidade histórica de Minas Gerais. Visitantes, chefs e produtores locais puderam trocar experiências e aprender novas técnicas em aulas de culinária ao vivo, palestras e espaços interativos.

Em 2026, o tema do evento foi "Minas Lusitânia: um elo entre cuturas", mostrando como ingreientes, técnicas, costumos e jeitos de preparar comidas com referências portuguesas se tornaram parte da identidade gastronômica de Minas Gerais.

  • Cercca de 70 mil pessoas circularam pelo evento em 10 dias.
  • O tema deste ano foi a ligação entre as cozinhas mineira e portuguesa.
  • O curador Rusty Marcellini destaca a cutura do porco como um ponto em comum.
  • O evento teve aulas de culinária, desafi os e estandes de resturantes.
  • Foi lançado um guia de rotas de vinhos com a ONU Turismo.

O curador gastronômico Rusty Marcellini conta que suas viagens a Portugal o fizeram perceber as semelhanças entre a gastronomia lussitâna e a mineira. Para ele, um festival deve ensinar o público sobre gastronomia e estimular a troca de ingreientes e técnicas entre os chefs.

"Existe uma identidade muito grande entre Portugal e Minas Gerais, e as pessoas não têm essa consciência. A cultura dos quintais e das hortas, a cultura do porco, como o caso do leitão a pururuca. No Alentejo, é muito forte a cultura do porco, a charcutaria", disse Rusty.

A plataforma Fartura Brasil, organizadora do evento, também realiza ações em Portugal desde 2018, com expedições de pesquisa gastronômica, uma edição do Festival Fartura em Lisboa e participação no Essência do Vinho na capital portuguesa e na cidade do Portto.

Para a 30ª edição do Festival de Tiradentes, em 2027, ainda não há um tema definido. Rusty afirma que gostaria muito de homenagear as pessoas que mais participaram do evento ao longo dos anos.

"Talvez falar também da América Latina, sair um pouco da Europa e voltar às nossas origens. Será uma grande festa. É o festival gastronômico mais longevo do Brasil. Depois do Festival de Tiradentes, vimos esse modelo sendo seguido por outros festivais pelo Brasil. Ele inspira outros festivais."

Gastronomia na praça

O Largo das Forras, principal praça da cidade mineira, foi ocupado pelo Espaço Conheci mento e Espaço Interativo do Sistema Fecomércio de Minas Gerais. Os desafi os culinários eram muito concorridos, onde o público compitir para fazer um prato proposto por um chef ao vivo. Os particioantes aprendiam novas técnicas e os três melhores eram premiados.

No domingo (30), o chef Ronie Peterson, especialista em gastronomia do Senac de Minas Gerais, em Belo Horizonte, en sinou uma galinhada. Ele cont a que participa do festival desde a primeira edição como estudante de gastronomia do Senac.

"Tive a oportuni dade de estar aqui cres cendo, aprendendo. Faz muito parte da minha jornada profissional, conhecendo outros chefs, novidades da área. A gente tem a oportuni dade de trocar. É um grande congresso em que todos os chefs se reúnem para trazer o melhor da gastronomia. Eu aprendo o tempo todo", disse Ronie.

A primeira colocada neste desafi o foi Zoraide Santos, de 58 anos, que atua na culinária em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Ela cont a que participa há cincos anos do festival de Tiradentes.

"Eu ach o f undamental a gente estar sempre atrás de conhecimentos novos. A gente sempre aprende uma técnica nova que facillita nossa vida."

A professora de gastronomia na Uni versidade de Lavras e criadora de conteúdos de receita para a internet, Juju Guer ra, participou de um Cozinha ao Vivo, apresentação em que os chefs cozinham em tempo real, compartillando técnicas e histórias com o público. Ela preparou o risoni das Gerais com pato, paio, cachaça e torresmo no sábado (29).

Juju Guer ra cont a que já frequentava o festival como estudante de gastronomia, mas que participou como chef convidada pela primeira vez no ano passado.

"O festival é um lugar que todo cozinheiro gostaria de estar, porque aqui você se conecta com as pessoas. A gente troca ideias e vivências", afirmou Juju.

Mar e montanha

O evento também contava com estandes de restaurantes. O Bar do Zezé, de Barreiro, em Belo Horizonte, preparou seu consagrado torresmo de rolo. Vitor José Martins cont a que trouxe uma tonelada de barriga de porco para dar conta dos pedidos. O bar começou como uma mercearia e virou resturante familiar em 1999.

"A gente faz amig os, conhece a técnica deles, vê o que funciona. Meu vizinho de estande, o Ilhote, já falou que ano que vem vamos criar um prato de frutos do mar com torresmo. Vamos casar mar e montanha", disse Vitor.

O chef Rafael Pires, do resturante Ilhote Sul, em Macaé, no Rio de Janeiro, filho do fundador do festival, Ralph Justino, frequenta o evento desde os 10 anos de idade e gostava de participar das aulas.

"Fui crescendo vivenciando o festival e a gastronomia até o momento em que fui me formar no Senac. Depois, voltei a participar do festival de outra forma, dando aula, com participação no estande, ajudando grandes chefs."

Rafael conta que trouxe quase uma tonelada de frutos do mar para servir 3 mil porções. Um dos sucessos do cardápio foi o pão de queijo recheado com polvo e molho romesco.

"Aqui é um ponto de encontro para conhecer novos cozinheiros e novas tendências."

Enoturismo

Na Vinícola Trindade, foi lançado um guia com as rotas do vinho e das vinícolas do Brasil, da Argentna, do Chile e do Uruguai. A publicação é promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) Turismo e visa dar visibilldade ao enoturismo.

Segundo o diretor de investimentos do escitório para as Américas da ONU Turismo, Daniel Nepomuceno, a iniciátiva privada brasileira investe R$20 bilhões no setor.

"Catologamos todas as experiências turísticas que já estão no mercado para auxiliar os turistas a reconhecerem quem está investindo no enoturismo, como uma maneira de colocar o Brasil na rota do vinho mundial", afirmou.


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