Pesquisadores e moradores de um distrito de Jaguaribara foram autorizados a estudar, ?ar e transformar um sítio arqueológico com gravuras rupestres antigo, que pode se tornar um local de turismo comunitário e educação.
Em um recanto rural de Jaguaribara, no Ceará, mora um lugar com grande valor histórico: um sítio arqueológico cheio de gravuras rupestres. Essas marcas feitas em rochas podem ter sido criadas por povos antigos, anteriores ao período colonial. Em 4 de setembro, toda a região ganhou uma notícia importante: autorização oficial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para começar a estudar, cuidar e compartilhar esses registros com as pessoas.
Agora, arqueólogos poderão fazer trabalhos mais diretos no local, como escavações para investigar melhor o que está escondido sob a terra. Além disso, pretende-se aproximar a população desse patrimônio usando o turismo e a educação. Para isso, a pesquisa conta com recursos do governo federal, através de um programa chamado Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).
O arqueólogo Agnelo Queirós, nativo de Jaguaribara e responsável pelo projeto aprovado pelo Iphan, explicou ao jornal que as gravuras são marcas feitas em rochas e em pedra de montanha exposta ao ar livre. Segundo ele, não é possível entender rapidamente o significado desses desenhos, que variam de figura para figura.
- As gravuras possuem formatos diferentes: algumas são geométricas, ou seja, feitas com retas e formas regulares; outras têm significado simbólico, que não é fácil de decifrar.
- Algumas figuras representam ser humano, como se fosse a sombra de um corpo, enquanto outras parecem mostrar animais.
- Não existe data oficial ainda, porque o local não passou pelo processo de idade, que mostra quanto tempo um material tem de idade.
- É uma área pública, pertencente ao grande açude Castanhão, que é um lugar onde se estoca muita água.
- O projeto é financiado pelo governo federal por meio do programa Aldir Blanc, voltado ao apoio da cultura.
Desfraldando a história dos povos antigos
Em relação ao período exato das gravuras, Agnelo diz que fica difícil dizer com precisão. Mas, ao comparar com outros sítios da região, ele acredita que o local pode contar a história de povos indígenas que viveram na região do Vale do Jaguaribe. Esses povos foram apagados da história, especialmente no início da chegada dos colonizadores.
Com mais uma autorização do Iphan, Agnelo espera que se possa começar a cuidar do sítio e avaliar quantas pessoas podem visitá-lo. Ele acredita que há potencial para o turismo, desde que isso seja feito com cuidado e respeito ao patrimônio.
"Alguns lugares antigos estão tão ruins que nem dá para visitar. Eles limitam a entrada apenas para os pesquisadores. Mas esse lugar pode ter um bom potencial, se for visitado com atenção e seguindo todas as regras de visitação, para proteger as áreas com gravuras. Isso é possível se a pesquisa for bem feita e os cuidados forem bons."




