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12 de julho de 2026

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Idosos brasileiros viajam mais e ajudam o turismo

ECONOMIA Turismo 12/07/2026 07:13 Ana Clara Veloso - Extra extra.globo.com

Pesquisa inédita mostra que 79% dos brasileiros com mais de 60 anos viajam pelo menos duas vezes por ano. Eles pagam as próprias viagens, não dependem de feriados e têm mais liberdade para escolher os destinos, ajudando muito o setor de turismo.

Diario Flip

Os brasileiros com mais de 60 anos estão se tornando cada vez mais importantes para o turismo. Uma pesquisa nova feita pela consultoria data8 e apoiada pelo Ministério do Turismo mostrou que 79% dessas pessoas viajam pelo menos duas vezes por ano. E 52% viajam três vezes ou mais. Isso mostra que eles têm uma rotina de lazer bem ativa.

Esses idosos têm mais independência: 96% pagam suas próprias viagens, sozinhos ou dividindo com o companheiro. E 87% não esperam feriados ou férias para viajar, podendo escolher qualquer época.

  • 79% dos idosos viajam ao menos duas vezes por ano
  • 96% pagam as próprias viagens
  • 87% não dependem de feriados para viajar
  • Praia é o destino preferido de 72% deles
  • 74% acham que o setor não está preparado para recebê-los

É um público com grande potencial para o turismo. A população está envelhecendo com saúde e o desejo de viajar é muito forte nessa geração. Segundo a pesquisa, esse desejo só perde para o de se manter saudável. Esse sonho faz com que eles se organizem e viajem em qualquer classe social, com diferentes frequências e orçamentos. Como têm mais tempo livre, eles acabam preenchendo os hotéis durante a semana ou na baixa temporada, afirma Cléa Klouri, cofundadora do data8.

Como os idosos preferem viajar

O estudo 'Turismo 60+: O Brasil que Viaja Depois dos 60' ouviu 1.012 brasileiros de todas as regiões do país, entre março e abril deste ano. Para 59% dos entrevistados, a viagem ideal é aquela que dá liberdade para fazer escolhas no próprio ritmo. Depois, vêm itens como segurança e previsibilidade (50%) e conforto físico e emocional (48%).

Esses viajantes têm três modelos principais de viagem. O primeiro é a viagem clássica para reunir a família. O segundo, mais comum entre a classe alta, é ir de carro para lugares próximos, aumentando a frequência de viagens. O terceiro são grupos de pessoas, principalmente mulheres, que se juntam para viajar, explica Cléa.

As mulheres maduras viajam de formas mais variadas: 17% vão sozinhas, 23% com amigos e 31% com filhos ou netos. Já os homens preferem viajar em casal: 75% vão com a esposa ou companheira. A praia é o destino preferido de 72% dos idosos, seguida por cidades históricas (42%) e campo e montanha (34%).

História de quem viaja: 'Viajamos de carro por 17 mil quilômetros'

Leia o depoimento de Sergio Ribeiro Filho, aposentado, de 69 anos:

Eu sempre viajei muito a trabalho e, quando gostava de algum lugar, esperava as férias para voltar com a família. Hoje, eu e minha esposa, Beth, somos aposentados e podemos fazer a mala a qualquer momento. Mas a grana é mais curta e passamos a viajar mais de carro mesmo. Há dois anos, eu decidi fazer uma viagem de três meses, inspirado por influenciadores. Minha esposa ficava preocupada: 'Eles são jovens, não são idosos'. Mas que se dane. A minha geração chegou nessa idade com saúde. Eu sempre utilizei a internet para fazer meus roteiros de viagens, com liberdade e economia. Então foi assim. Planejei por mais de um ano, e em 2024, eu e ela viajamos de carro por 17 mil quilômetros, passando por Uruguai, Argentina, Chile e Paraguai. Minha filha chegou a nos encontrar por um mês, mas começamos e seguimos sem ela. Esse foi o passeio da minha vida. Tenho incentivado as pessoas de mais idade a viajar, seja no meu círculo social ou pelas redes do 'Canal Altas Aventuras'. Eu e a Beth fazemos muitas viagens de dois dias pelos arredores e uma vez por ano uma viagem longa.

'Propósito é conhecer a vida fora do meu mundinho'

Leia o depoimento de Genilda Gomes, aposentada, de 73 anos:

De 2019 para cá, depois que minha mãe faleceu, eu passei a viajar muito mais. Também não tenho responsabilidade com filho agora. Então, seja com grupo de excursão ou por conta própria, eu vou. Neste ano, já fui para Sicília e Malta, na Europa, e São Luís do Maranhão. As viagens internacionais são sempre com a mesma agência de viagens. Exige um planejamento maior, às vezes leva anos. Eu entro em contato por Whatsapp, e a atendente compra para mim passagem e hospedagem. Mas para as viagens nacionais é questão de oportunidade. Numa conversa alguém pergunta se quero ir para algum lugar e eu aceito. Eu mesma faço as reservas pela internet às vezes. Vou com amigas, primas, casais, sempre um grupo diferente, todos com mais de 70 anos. São pessoas que gostam muito de viajar. O meu propósito é conhecer a vida fora do meu mundinho. Então a viagem tem que ter um pouco de tudo: visita ao centro histórico e natureza. A gente se reúne antes para organizar o roteiro e procura seguir depois. Em agosto vou para Salvador (BA) e já estou amadurecendo a ideia de no futuro ir ao Marrocos.

Setor ainda não está preparado

A população com mais de 50 anos já representa 61 milhões de brasileiros, 28% da população. E deve fazer do Brasil o sexto país mais velho do mundo até 2050. Mas, mesmo com tanta importância para o turismo, 74% dos idosos com 60 anos ou mais não sentem que as experiências de viagem são pensadas para a idade deles.

A pesquisa mostra que os idosos não estão longe da tecnologia: 64% usam aplicativos de viagem para pesquisar destinos e 25% já usam ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT. Mas, no final, muitos preferem atendimento humano. E encontram dificuldades no serviço das empresas.

Em primeiro lugar, as equipes precisam ser treinadas para atender esse público, que exige mais atenção. Além disso, esses viajantes não querem mais ir para a praia e só olhar o mar. Eles sentem falta de experiências, como um passeio pela cidade ou uma aula de cerâmica. Mas quando as agências oferecem isso, a intensidade dos programas não corresponde à realidade deles. Eles precisam de mais calma e horários alternativos, avalia Cléia.


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