Com a nova política americana de biocombustíveis, a ADM, gigante do agronegócio, viu seu lucro por ação quase dobrar no segundo trimestre de 2026. A empresa também elevou sua previsão de ganhos para o ano e vai investir mais no processamento de soja.
Enquanto o governo brasileiro ainda decide se aumenta a mistura de biodiesel no diesel de 15% para 16%, a nova política dos Estados Unidos para biocombustíveis já está trazendo resultados para as grandes empresas do setor. A ADM, uma das maiores tradings de commodities agrícolas do mundo, viu suas ações subirem 35% desde o início do ano, principalmente depois que o governo Trump ampliou os limites para o uso de combustíveis renováveis.
No balanço do segundo trimestre de 2026, a ADM quase dobrou seu lucro por ação. O lucro líquido ajustado foi de US$ 895 milhões, o que representa US$ 1,84 por ação, um aumento de 98% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse número ficou bem acima do que os analistas esperavam, que era de US$ 1,44 por ação.
- Lucro em alta: o lucro por ação da ADM subiu 98% no segundo trimestre de 2026, impulsionado pelos biocombustíveis.
- Receita maior: a receita da empresa no trimestre foi de US$ 22,7 bilhões, um aumento de 7% em relação ao ano anterior.
- Segmento forte: a área de Ag Services & Oilseeds, que inclui o processamento de soja, teve lucro operacional 129% maior, chegando a US$ 867 milhões.
- Projeção elevada: a ADM revisou para cima sua previsão de lucro para 2026, agora entre US$ 5,15 e US$ 5,60 por ação.
- Investimento: a empresa vai ampliar quatro plantas de processamento de soja nos EUA para atender à demanda por biocombustíveis.
A receita da companhia no trimestre foi de US$ 22,7 bilhões, um aumento de 7% na comparação com o ano passado. O lucro operacional total dos segmentos avançou 75%, chegando a US$ 1,45 bilhão. No primeiro semestre, o lucro por ação ajustado foi de US$ 2,56, uma alta de 57%.
Com esse desempenho, a ADM revisou para cima, pela segunda vez seguida, a projeção de lucro por ação para 2026. A nova estimativa é de US$ 5,15 a US$ 5,60, acima da faixa anterior de US$ 4,15 a US$ 4,70, que já tinha sido elevada em maio.
O que está impulsionando os resultados
A empresa atribui a melhora ao ambiente favorável para a comercialização de biocombustíveis nos Estados Unidos, além da execução comercial e operacional e ao bom momento na área de Nutrição. Esse cenário positivo vem da finalização das obrigações anuais de volume renovável para 2026 e 2027, concluída em março, apoiada pela dinâmica do comércio global e pelos preços elevados de energia.
O segmento de Ag Services & Oilseeds (AS&O), que cuida do esmagamento e dos negócios de biocombustíveis, foi o grande destaque do trimestre. O lucro operacional desse setor saltou 129%, para US$ 867 milhões, na comparação com o mesmo período de 2025. Dentro dele, o negócio de Ag Services mais que dobrou, com alta de 159%, chegando a US$ 293 milhões.
O esmagamento de soja e outras oleaginosas, que produz farelo e óleo (matéria-prima dos biocombustíveis), registrou lucro operacional de US$ 363 milhões, dez vezes mais que os US$ 33 milhões do ano anterior. A companhia, porém, considera esse salto não significativo em termos percentuais, porque a base de comparação era muito baixa.
Investimento no processamento de soja
Na semana passada, a ADM anunciou que vai investir na ampliação de quatro de suas indústrias de processamento de soja nos EUA, justamente para atender à maior demanda por biocombustíveis no país. O valor dos investimentos não foi divulgado.
A companhia destacou que o desempenho regional foi misto. Se as fortes margens de biodiesel na América do Norte justificam os investimentos, no balanço ela cita impactos negativos de marcação a mercado e desequilíbrios de oferta e demanda na América do Sul, que pressionaram as margens locais.
Esse ponto é importante para o Brasil, já que a ADM é uma das maiores processadoras de soja do país, com unidades industriais que abastecem tanto o mercado interno de farelo e óleo quanto a exportação.
Nutrição e outros segmentos
O segmento de Nutrição, que a ADM vem tratando como prioridade estratégica, registrou lucro operacional de US$ 172 milhões no trimestre, alta de 51% ante os US$ 114 milhões do ano anterior. A divisão de Nutrição Humana avançou 51%, para US$ 139 milhões, e a de Nutrição Animal cresceu 50%, para US$ 33 milhões, confirmando a recuperação que a companhia vinha sinalizando.
O segmento de soluções de carboidratos, que processa milho para amidos, adoçantes e etanol, também avançou. No semestre, o lucro operacional subiu 33%, para US$ 767 milhões. Aqui também o ambiente favorável aos biocombustíveis ajudou, com o fornecimento para a produção de etanol.




