Após anos de paralisação, a Prefeitura de Jacareí, em São Paulo, decidiu iniciar o processo para desapropriar a fábrica da Caoa Chery, que não produz veículos desde 2022. O prazo para as empresas apresentarem um plano de retomada terminou, e agora a prefeitura promete ir à Justiça para garantir que o imóvel cumpra sua função socioeconômica.
A Prefeitura de Jacareí, no interior de São Paulo, decidiu avançar com os procedimentos administrativos para desapropriar a fábrica da Caoa Chery instalada no município. A unidade está parada desde 2022 e recebeu um prazo de 12 meses para que as empresas apresentassem um plano concreto de retomada das atividades, mas isso não aconteceu.
A decisão foi formalizada no Ofício nº 299/2026 GP, datado de 20 de julho, ao qual a CNN Brasil teve acesso. O documento é endereçado ao presidente do Grupo Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho, e ao gerente-geral da Chery International no Brasil, Cláudio Guowei Xu. A prefeitura afirma que o prazo terminou sem que as empresas apresentassem informações objetivas sobre o futuro da planta.
- O que está acontecendo A Prefeitura de Jacareí quer retomar a fábrica da Caoa Chery, que está parada desde 2022.
- Por quê A empresa não apresentou um plano para voltar a produzir, mesmo depois de ter recebido um prazo de 12 meses.
- O que significa desapropriar É quando o governo toma um imóvel para usar em benefício da população, pagando uma indenização ao dono.
- O que a prefeitura vai fazer Vai publicar um decreto de desapropriação e levar a questão para a Justiça.
- Qual o futuro A fábrica pode ser usada por outra montadora chinesa, como Omoda, Jaecoo ou BYD, que estão crescendo no Brasil.
A medida não significa que a fábrica será desapropriada de imediato. O município pretende agora editar e publicar um decreto de desapropriação, dando continuidade à etapa administrativa prevista na legislação. Além disso, devem judicializar a questão.
"Diante desse cenário, informamos que a Prefeitura Municipal de Jacareí dará prosseguimento aos trâmites administrativos internos necessários à edição e à publicação do decreto de desapropriação do imóvel, nos termos da legislação aplicável, com o objetivo de assegurar que o bem venha a cumprir sua função socioeconômica em benefício do Município e de sua população", diz o ofício, que é assinado pelo prefeito Celso Florêncio (PL-SP).
História da fábrica em Jacareí
A história da unidade começou em 2014, quando a Chery International inaugurou a planta em Jacareí (SP). A ideia era fabricar até 150 mil carros por ano no Brasil, com a geração de mais de 5.000 empregos, mas os planos não deram certo. Em 2017, o grupo Caoa comprou 51% das ações da subsidiária, criando a Caoa Chery. No entanto, como a empresa brasileira já tinha uma unidade fabril em Anápolis (GO), a fábrica paulista foi ficando ociosa, até fechar por completo em 2022.
Quando a paralisação foi anunciada, a justificativa era de que a unidade passaria por modernização para receber veículos híbridos e elétricos. A expectativa inicial era retomar a produção até 2025, o que não ocorreu. Naquele mesmo ano, a Prefeitura solicitou informações sobre o futuro da unidade. Em junho, a administração notificou formalmente Caoa e Chery sobre a possibilidade de reversão da doação e/ou desapropriação do imóvel e estabeleceu inicialmente 45 dias para apresentação de um plano de retomada.
A pedido das empresas, o prazo foi ampliado para 12 meses. Em abril de 2026, diante da ausência de uma resposta conclusiva, a Prefeitura fez nova cobrança e buscou uma solução consensual. Agora, o município afirma que continuará aberto ao diálogo, mas condiciona uma eventual mudança de posição à apresentação de uma proposta considerada objetiva e concreta para a área.
"Ressaltamos, contudo, que esta Administração permanece aberta ao diálogo e à apresentação de eventual proposta objetiva e concreta por parte das empresas, colocando-se à disposição para os esclarecimentos que se fizerem necessários", diz o ofício.
O que pode acontecer com a fábrica
Enquanto o impasse não é resolvido, a unidade pode viver um novo momento. Isso acontece por conta do boom das marcas chinesas no Brasil. Se na década passada as empresas estavam retraindo investimentos, agora a situação é oposta. A cada mês uma nova marca anuncia chegada do Brasil.
A própria Chery, até então apenas sócia minoritária da Caoa, resolveu voltar e já opera no Brasil com as marcas Omoda & Jaecoo e Jetour. Recentemente, anunciou mais uma marca, a Icaur. Além delas, GWM, BYD e Geely têm crescido em vendas no Brasil. A unidade de Jacareí pode ser o destino de alguma das novatas chinesas no Brasil, mas ainda não há nada oficial.





