Um estudo do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade revela que produtos falsos e contrabandeados causaram um prejuízo de quase R$ 500 bilhões à economia brasileira no ano passado, o que equivale a quase 4% de tudo o que o país produziu.
Brasil perdeu quase R$ 500 bilhões com produtos falsos e contrabandeados em 2025, segundo um levantamento do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP). O prejuízo equivale a 3,75% de tudo o que o país produziu no ano, o chamado Produto Interno Bruto (PIB).
No total, os cálculos apontam R$ 473,2 bilhões em danos. Desse montante, R$ 326,3 bilhões vêm da perda nas indústrias e empresas legítimas, enquanto R$ 146,9 bilhões representam o dinheiro que o governo deixou de arrecadar em impostos por causa da sonegação fiscal.
- Os dois setores que mais sofrem com a pirataria são vestuário e bebidas alcoólicas, juntos respondendo por mais da metade do prejuízo total.
- Além de roupas e bebidas, produtos como celulares, filmes, óculos, cigarros e brinquedos também aparecem no topo da lista de prejudicados.
- Em 2014, o primeiro estudo do FNCP apontava perdas de apenas R$ 100 bilhões dez anos depois, o valor se multiplicou por cinco.
- Setores como medicamentos, alimentos e peças de veículos ainda não divulgaram seus números de perda.
- Os dados não incluem outros danos, como a redução de empregos e a perda de investimentos que poderiam ter sido feitos de forma legal no país.
Quem mais perde
Do conjunto de 15 setores analisados, dois concentram mais da metade do prejuízo: o de roupas e o de bebidas alcoólicas. Na sequência, aparecem combustíveis, material esportivo, produtos de higiene e beleza, defensivos agrícolas (produtos usados no campo), ouro, TV por assinatura, óculos, cigarros, celulares, filmes, perfumes importados, computadores e brinquedos.
Setores que ainda não se manifestam
Outras áreas importantes não revelaram seus números, entre elas as de peças para automóveis, motos e aviões, ferramentas, alimentos, próteses, medicamentos e cilindros de oxigênio.
Um problema que cresce há anos
O FNCP realiza essa pesquisa desde 2014, quando a perda total era de R$ 100 bilhões, valor não corrigido pela inflação do período. Desde então, o montante vem subindo, mas o ritmo de crescimento tem desacelerado: em 2023, o prejuízo chegou a R$ 441,3 bilhões; em 2024, a R$ 468,3 bilhões; e em 2025, ultrapassou R$ 473 bilhões.
Os números divulgados não consideram outros efeitos colaterais do mercado ilegal, como a perda de empregos, a redução de renda da população e a queda de investimentos que poderiam ter sido feitos de forma legal no país.




