A inteligência artificial (IA) aprende a partir de gigantescos arquivos digitais, mas isso deixa de fora os conhecimentos de povos indígenas e comunidades tradicionais, que não estão na internet. Isso significa que a IA pode dar respostas muito rápidas, mas apenas sobre o que já foi registrado, deixando uma grande parte do conhecimento humano de fora.
Quando perguntamos algo à inteligência artificial, a resposta chega em segundos. Ela escreve textos, traduz idiomas, resume livros e responde a dúvidas sobre quase qualquer assunto. A impressão é de que ela sabe tudo. Mas toda inteligência tem uma origem. Ela aprende com aquilo que lhe ensinaram.
- A inteligência artificial é treinada com bilhões de documentos, mas não com tudo que existe no mundo.
- Conhecimentos de povos indígenas e comunidades tradicionais geralmente não estão nos arquivos digitais.
- Esses saberes são passados de forma oral, de geração em geração, e não em livros ou sites.
- Por isso, a IA pode dar respostas incompletas ou erradas sobre esses temas.
- É importante pensar em como incluir esses conhecimentos no treinamento das máquinas.
Os sistemas de inteligência artificial são treinados com bilhões de documentos disponíveis no ambiente digital. Livros, artigos, notícias, fotografias, vídeos e páginas da internet formam a memória que alimenta essas tecnologias. O problema é que nem todo conhecimento chegou a esse arquivo.
Povos indígenas, comunidades tradicionais e tantas outras formas de produzir conhecimento nem sempre foram registradas da mesma maneira que a ciência ou a cultura escrita. Muitas histórias continuam preservadas pela oralidade, pela convivência e pela experiência. Quando esses saberes ficam fora dos grandes acervos digitais, também ficam distantes das respostas produzidas pelas máquinas.
O problema do conhecimento ausente
Esse vazio tem consequências. A inteligência artificial pode oferecer respostas rápidas e sofisticadas, mas sua visão de mundo será limitada se aprender sempre com as mesmas fontes. A tecnologia reproduz aquilo que encontra. O que não foi registrado dificilmente será lembrado. O debate sobre inteligência artificial costuma girar em torno da inovação, da velocidade e da regulamentação. Há outra pergunta que merece atenção: quais conhecimentos estamos deixando para trás Não basta construir máquinas cada vez mais inteligentes. É preciso ampliar a memória que as ensina.
A inteligência artificial fala muitas línguas. Escutar, porém, depende das vozes que escolhemos preservar.


Michele Castro


