??ºC Cuiabá-MT

26 de julho de 2026

pt-br

Marcha das Mulheres Negras em SP homenageia Luana Barbosa

GERAL Marcha 26/07/2026 08:10 Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

A 11ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, realizada no sábado (25), homenageou Luana Barbosa, morta há dez anos por policiais militares. O evento reuniu centenas de pessoas na Praça Roosevelt e protestou contra a violência e o abandono do Estado com a população negra. Também pediu direitos, reparação e bem viver para as mulheres negras.

Dez anos após a morte brutal de Luana Barbosa, uma mulher lésbica, negra e de periferia, ainda não há nenhum envolvido preso ou condenado. A 11ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo fez questão de lembrar o crime neste sábado (25) em um evento na Praça Roosevelt, no centro da capital paulista.

  • Luana Barbosa foi morta por policiais militares há 10 anos, e ninguém foi preso ou condenado pelo crime.
  • A marcha reuniu centenas de pessoas de várias cidades e bairros de São Paulo.
  • O evento contou com lideranças políticas, feministas, religiosas e artistas da comunidade negra.
  • Participantes protestaram contra a violência e o abandono do Estado com o povo negro.
  • A marcha também aconteceu em outras cidades, como Salvador e Recife.

A manifestação reuniu centenas de pessoas que vieram de cidades vizinhas e de diversos bairros paulistanos, incluindo lideranças políticas, feministas, religiosas, artistas e representantes de movimentos da comunidade negra.

"Dez anos se passaram e muitas Luanas Barbosas seguem morrendo, como a gente viu o caso da Ieda e da Fabiana, duas mulheres negras e lésbicas que foram mortas em São Paulo", disse Juliana Gonçalves, membro e cofundadora do evento.

Luana foi abordada e agredida por policiais militares em abril de 2016, na rua onde morava.

Para a cofundadora, a população negra é negligenciada. "A gente toma as ruas por direitos, reparação e bem viver. Reparação porque o Estado brasileiro nos deve, porque as mulheres negras levantam essa economia, fazem o trabalho de cuidado que não é reconhecido e, mesmo assim, são as que menos ganham".

A abertura oficial do evento contou com uma apresentação do coletivo Bando das Macuas, com uma performance focada na ancestralidade.

"Nosso trabalho é em cima do corpo e nossa fonte de inspiração é o povo Macuas, presente no norte de Moçambique. Essa apresentação de hoje foi inspirada no espetáculo que esteve em cartaz em 2024 e 2025, chamado 'Anunciação', onde representamos figuras ancestrais reverenciando as mulheres que estão aqui unidas em marcha", explicou Francine Moura, uma das sete mulheres que compõem o coletivo.

No palco montado no meio da praça, duas DJs se revezaram tocando rap e hip hop. As músicas eram todas de protesto.

Mulheres negras ligadas a religiões de matriz africana também participaram da marcha.

"Esse é um país que a gente ajudou a construir. Precisamos mostrar que esse povo está aí largado, sofrendo violência, apanhando, que não tem um lugar de fala dentro do governo. Não se tem algo firme que possa garantir segurança para nós e nossos filhos. Tem muita gente apanhando por causa da cor da pele, porque é de candomblé, porque é de umbanda. Então, você vê que esse país não é assim tão laico como se fala que é", destacou Iyalóde Marisa de Oya.

Entre as mulheres que subiram ao palco estavam também lideranças da Rede de Mulheres Negras Evangélicas, grupo que existe desde 2018.

Além de São Paulo, a Marcha das Mulheres Negras ocorreu em outras cidades brasileiras. Neste sábado, houve uma caminhada em Salvador (BA). Outra reunião ocorreu nesta sexta-feira (24), no Recife (PE).


Newsletter