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30 de julho de 2026

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Reclamar é uma forma de testar a comunicação

GERAL Comunicação 30/07/2026 07:20 Luzimar Collares, Primeira Página primeirapagina.com.br

Uma simples reclamação em um supermercado se tornou um exemplo de como uma boa comunicação pode resolver conflitos e preservar a imagem de empresas e consumidores.

Era para ser apenas mais uma reclamação de consumidor. Mas um detalhe transformou a situação em um bom exemplo de comunicação.

O cliente entrou em um supermercado já com o celular gravando. Levava uma peça de carne comprada no local e reclamava que o produto estava com mau cheiro. O almoço havia atrasado, ele estava frustrado e fazia questão de registrar tudo.

  • Saber ouvir antes de responder é essencial para acalmar a situação.
  • Mostrar que entendeu o problema ajuda a reduzir a tensão.
  • Oferecer uma solução clara, como troca ou reembolso, resolve o conflito mais rápido.
  • Clientes também precisam manter o respeito ao reclamar, para não perder a razão.
  • Uma boa comunicação pode evitar que um erro simples vire uma crise de imagem.

Do outro lado do balcão, porém, não houve discussão. A atendente conferiu a nota fiscal, reconheceu o problema e ofereceu duas opções: troca imediata ou reembolso. Em nenhum momento tentou minimizar a reclamação, transferir a culpa ou responder no mesmo tom do cliente. Manteve a cordialidade do início ao fim.

O vídeo chamou a atenção justamente por isso. Ficou claro que a equipe havia sido preparada para lidar com conflitos. O problema foi resolvido rapidamente e, mais importante, a imagem da empresa saiu preservada.

Erros acontecem, a reação é que faz a diferença

Esse episódio nos lembra que erros acontecem em qualquer lugar: lojas, bancos, aeroportos, hotéis ou no serviço público. Nenhuma empresa ou instituição está livre de vender um produto com defeito, atrasar uma entrega ou prestar um serviço abaixo do esperado. O que realmente faz a diferença é a forma como ela reage quando algo dá errado.

Hoje, qualquer cliente pode usar o celular como uma filmadora. Uma reclamação feita diante de um balcão pode alcançar milhares de pessoas em poucos minutos. Por isso, a comunicação deixou de ser apenas uma habilidade desejável para se tornar uma estratégia de proteção da reputação.

Três atitudes que fazem toda a diferença

Quando um cliente chega irritado, três atitudes costumam fazer toda a diferença.

A primeira é ouvir antes de responder. Quem reclama quer, antes de tudo, ser ouvido. Interromper, justificar ou tentar convencer imediatamente de que ele está errado costuma aumentar ainda mais a tensão.

A segunda é demonstrar que compreendeu o problema. Isso não significa admitir culpa antes de apurar os fatos, mas reconhecer o transtorno vivido pelo consumidor. Frases simples como "Entendo o seu aborrecimento" ou "Vamos resolver essa situação" ajudam a reduzir a carga emocional da conversa.

A terceira é apresentar uma solução objetiva. O cliente procura uma resposta, não um debate. Quanto mais claro for o caminho para resolver a questão, maiores são as chances de encerrar o conflito de forma positiva. Isso pode ser feito por meio da troca do produto, do reembolso ou de outra solução viável.

O alerta também vale para os clientes

Mas o alerta não vale apenas para quem vende um produto ou presta um serviço. Há algum tempo escrevi, aqui na coluna, que o cliente também pode perder a razão quando erra na comunicação. Continuo pensando da mesma forma.

É verdade que algumas situações tiram a paciência de qualquer pessoa. Atendimento digital que não resolve, longos períodos de espera, a necessidade de repetir o problema para vários atendentes ou encontrar profissionais despreparados são experiências frustrantes e, infelizmente, ainda muito comuns.

Nada disso, porém, justifica ofensas, humilhações ou agressões verbais contra quem está realizando o atendimento. Muitas vezes, o funcionário que está na linha de frente sequer foi responsável pelo erro que originou a reclamação e, ainda assim, acaba sendo o alvo da irritação.

Além do aspecto ético, existem consequências legais. Trabalhadores vítimas de ofensas podem buscar proteção jurídica, e, no caso de servidores públicos em exercício da função, determinadas condutas podem até configurar crime, conforme prevê a legislação.

Respeito é para os dois lados

Reclamar é um direito, exigir qualidade também, desde que tudo seja feito com respeito.

A comunicação não impede que erros aconteçam. No entanto, pode evitar que um erro se transforme em uma crise. E isso vale também para quem está do outro lado do balcão.

Um consumidor pode defender seus direitos com firmeza, sem abrir mão da educação. Respeito e boa comunicação precisam estar dos dois lados da conversa.


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