O estado de Mato Grosso registrou uma grande queda nas queimadas em julho, com 78% menos focos de calor do que a média histórica, segundo o Inpe.
Mato Grosso registrou uma redução de 78,15% nos focos de calor em julho deste ano, na comparação com a média histórica da série iniciada em 1998, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
No mês passado, o estado contabilizou pouco mais de 700 focos de calor, número muito menor do que a média de julho ao longo de 28 anos, que era de aproximadamente 3,4 mil registros.
- Mato Grosso teve 700 focos de calor em julho, o menor número desde 1998.
- A queda foi de 78% em relação à média histórica de 3,4 mil focos.
- 60% dos focos estão em áreas federais, como terras indígenas e assentamentos.
- O Corpo de Bombeiros alerta para o perigo de queimadas na estiagem.
- O uso do fogo para limpeza está proibido até 30 de novembro.
Do total de focos de calor registrados pelo Inpe em Mato Grosso, 60% são em áreas federais, como terras indígenas e assentamentos, nas quais o combate deve ser realizado por órgãos do Governo Federal e não pelo estado.
Quatro terras indígenas mato-grossenses, por exemplo, concentraram oito focos de calor na última quinta-feira (30). Os registros foram feitos nas terras indígenas Parabubure, Enawenê-Nawê, Areões e Aripuanã e representam cerca de 26% dos 31 focos contabilizados em todo o estado no período, de acordo com o Inpe.
O resultado também apresenta uma redução de quase 27% em relação a julho de 2025, quando mais de mil focos de calor foram contabilizados em diferentes regiões mato-grossenses. Esses dados, até então, eram o menor índice da série histórica para o período.
Ainda conforme os dados, os meses de maio e junho deste ano foram os que tiveram maiores registros de focos de calor, com 831 e 1.440 ocorrências respectivamente.
Apesar do cenário positivo, o Corpo de Bombeiros mantém o alerta para o período de estiagem, principalmente diante da previsão de impactos causados pelo fenômeno El Niño e das condições climáticas que favorecem a propagação do fogo, como baixa umidade, altas temperaturas e ventos fortes.
A redução histórica nos focos de calor foi possível por meio dos trabalhos integrados de prevenção, fiscalização e conscientização realizados no primeiro semestre deste ano e que devem se intensificar para minimizar os riscos durante a estiagem, segundo o tenente-coronel BM Heitor Alves de Souza.
"A colaboração da população é fundamental para evitarmos ocorrências de grandes proporções", afirmou.
O comandante reforçou ainda a necessidade de que a população permaneça vigilante durante toda a estiagem, denuncie práticas irregulares de uso do fogo pelos telefones 190 (Polícia Militar) e 193 (Corpo de Bombeiros) e respeite as restrições estabelecidas durante o período proibitivo, medida que tem se mostrado eficaz na redução dos focos de calor.
Uso do fogo segue proibido
O Corpo de Bombeiros reforça, também, que o uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais está proibido entre 1º de julho e 30 de novembro nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. Nas áreas urbanas, a prática é proibida durante todo o ano.
O uso irregular do fogo pode configurar crime ambiental e está sujeito às penalidades previstas em lei. Denúncias podem ser feitas pelos telefones 193, do Corpo de Bombeiros Militar, ou 190, da Polícia Militar.


Em julho deste ano, MT registrou o menor número de focos de calor em 28 anos. Foto: Augusto Dauster/Ibama



