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03 de agosto de 2026

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MCassab investe em fábricas e espera crescer 10% na nutrição animal

GERAL Nutrição 03/08/2026 07:40 Italo Bertão Filho (AgFeed) agfeed.com.br

A MCassab, divisão de nutrição e saúde animal do grupo paulista MCassab, planeja crescer quase 10% em 2026, impulsionada pelo bom momento da produção de proteína animal no Brasil. A empresa está investindo até R$ 12 milhões na modernização de suas fábricas e reforçando sua operação na China para garantir o abastecimento e trazer novas tecnologias.

A expectativa de mais um ano favorável para a produção de proteínas animais no Brasil deve resultar num bom desempenho da MCassab Nutrição e Saúde Animal, divisão do grupo paulista MCassab, em 2026.

Apesar das incertezas provocadas no começo do primeiro semestre pelo fechamento do Estreito de Ormuz e a guerra no Irã, a empresa projeta crescer próximo de dois dígitos em faturamento ao longo deste ano.

  • Faturamento: a divisão de nutrição animal faturou cerca de R$ 1 bilhão em 2024, cerca de 25% do total do grupo.
  • Investimentos: a empresa está aplicando entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões na modernização de três fábricas no Brasil.
  • Mercado: a expansão é puxada pelo crescimento do setor de proteína animal, com destaque para aves, suínos, bovinos e tilápias.
  • China: a operação em Xangai é estratégica para importar ingredientes e acompanhar inovações.
  • Desafio: a empresa reforçou estoques no início do ano por causa do fechamento do Estreito de Ormuz, que poderia afetar o transporte de insumos.

A divisão é uma das principais operações do MCassab, grupo que pertence à família Cutait e que também atua na distribuição de produtos químicos, na produção de tilápias, por meio da Fider Pescados, e no varejo, onde controla a rede de utensílios domésticos Spicy e as lojas da Lego no Brasil.

Responsável por mais de 25% da receita do grupo MCassab, que faturou R$ 3,2 bilhões em 2024, a divisão de Nutrição e Saúde Animal registra faturamento anual de cerca de R$ 1 bilhão e espera manter a trajetória de expansão neste ano.

"Sentimos mais (dificuldades) nos primeiros meses do ano, mas depois fomos muito bem. A gente deve chegar próximo dos dois dígitos de crescimento e espera manter esse ritmo também no segundo semestre, ainda que tenha muita coisa a acontecer", afirmou o diretor executivo da divisão, Mauricio Graziani, em entrevista ao AgFeed.

"No mercado de proteína, as exportações continuam altas e o mercado local continua no seu patamar. Todos estão indo muito bem, seja ovos, seja frango, boi, tilápia também. Se os nossos clientes crescem, a gente cresce por tabela, literalmente", emenda.

O cenário geopolítico, porém, exigiu mudanças na estratégia da companhia no primeiro semestre.

No início de março, a empresa acompanhou com preocupação os desdobramentos da guerra no Irã, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, e decidiu acelerar a compra de insumos importados para reforçar os estoques. Cerca de 25% dos fornecedores da MCassab são internacionais.

O objetivo, segundo Maurício Graziani, era minimizar os impactos de eventuais problemas logísticos e garantir o abastecimento dos clientes.

"Mais do que aumento de preço, e é claro que tiveram correções de preço em função do frete e as questões de oferta e demanda, a maior preocupação nossa e junto aos nossos clientes foi não deixar faltar produto", avalia.

"A falta da disponibilidade de produto é a pior coisa que pode acontecer em uma produção animal, que daí você impacta em toda a performance, em todo o resultado lá pra frente", emenda.

A MCassab atua nos segmentos de bovinos de corte e leite, aves, suínos, peixes, camarões, equinos e pets.

O negócio está dividido em quatro frentes: revenda de ingredientes como vitamina, minerais, fosfato e aminoácidos, utilizados na nutrição dos animais; produtos manufaturados, como premixes, núcleos e rações para diferentes espécies, saúde animal, comercializando antimicrobianos e aditivos alimentares; e especialidades, categoria que reúne ingredientes como enzimas, e minerais orgânicos, que melhoram a saúde e desempenho dos animais.

Entre as quatro áreas de atuação, a divisão de produtos manufaturados continua sendo a maior da empresa em termos de receita.

Mas o segmento de especialidades é o que mais tem avançado nos últimos anos, explica Graziani, impulsionado pela demanda por soluções voltadas ao ganho de desempenho, saúde intestinal, conversão alimentar e outras tecnologias de maior valor agregado para a produção animal.

A carteira de clientes é diversificada, conta Graziani. "É o produtor final, é a integração, é a cooperativa, é os independentes, o produtor de boi, o confinamento e por aí vai", enumera o executivo.

Essa estrutura faz com que a companhia ocupe uma posição em que atua simultaneamente como fornecedora e concorrente de alguns clientes. Isso porque pode incorporar ingredientes e especialidades em seus próprios premixes ou comercializar esses insumos separadamente para fabricantes de ração e integradores.

Para sustentar esse crescimento, a MCassab está investindo entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões na modernização de suas três fábricas, localizadas em Jarinu (SP), Cascavel (PR) e Campo Grande (MS).

Em Campo Grande, onde a produção tem foco em atender bovinos, a companhia está construído silos de armazenagem. Já nas fábricas de Cascavel, onde também são produzidos itens para suínos e aves, além de bovinos, e Jarinu, que abrange também saúde animal, além de bovinos, suínos e aves, os investimentos estão sendo direcionados para automação industrial.

A abertura de novas fábricas para a área de nutrição animal está descartada por ora, segundo Graziani. A mais recente é a de Jarinu, aberta em 2022, e foi parte de um investimento de R$ 170 milhões do grupo no município.

"A ideia é incrementar onde nós estamos, não necessariamente abrir novas fábricas", diz o executivo.

No campo da inovação, o grupo também vem ampliando sua atuação em soluções digitais. Há um ano, o MCassab adquiriu 50% da startup Alltis, que desenvolveu uma plataforma baseada em inteligência artificial e sensores para monitoramento em tempo real de granjas de postura.

A tecnologia acompanha indicadores como armazenagem em silos, consumo de água, ambiência, energia e até a contagem automática de ovos, gerando informações para melhorar a eficiência da produção.

Negócios na China

Embora o crescimento esperado esteja ligado principalmente ao mercado brasileiro, a companhia mantém uma estrutura internacional que dá suporte às operações no país, com unidades na China, Argentina, Paraguai e Colômbia.

A unidade chinesa é estratégica para a operação. No país asiático, a MCassab possui um escritório próprio em Xangai, responsável por prospectar fornecedores, desenvolver novos ingredientes e acompanhar as inovações da indústria asiática.

"A gente tem grandes parceiros atuando conosco que são produtores na Europa, na Índia e Estados Unidos, que a gente traz aqui para o Brasil, mas os nossos olhos ficam voltados com atenção para a China", explica Graziani.

Segundo o executivo, a presença física no país asiático também ajuda a reduzir riscos de abastecimento e acelera a chegada de novas tecnologias ao mercado brasileiro.

"Hoje a China investe muito em inovação. Estar presente lá faz com que tudo que tem de novidade passe primeiro pelo nosso escritório", avalia.

A base de Xangai atende as diferentes áreas de negócios do grupo e movimenta cerca de R$ 200 milhões por ano em transações comerciais.

Na divisão de nutrição e saúde animal, a operação importa desde princípios ativos, como oxitetraciclina e salinomicina, utilizados na produção de medicamentos veterinários, até produtos acabados, como sais biliares, empregados para melhorar a digestão de gorduras, aumentar a absorção de nutrientes e proteger o fígado dos animais.

"O nosso dia a dia é pautado por aproximar o fornecedor da nossa estrutura, alinhando as culturas, porque existem grandes diferenças culturais entre China e Brasil", conta Aline Yuan, gerente de projetos que atua na China.

"Enquanto que, no Brasil, a gente vai por etapas, vai aproximando, mas o que a gente vê na China, que é um relacionamento muito mais rápido e mais, às vezes, informal, não fica restrito apenas à mesa da reunião."

Graziani compartilha da mesma percepção. "Eu estive na China algumas vezes e é realmente diferente da negociação que a gente faz aqui no Brasil junto aos nossos parceiros", diz.

"O chinês é objetivo, mas isso não quer dizer que precisa ir direto ao ponto. Na verdade, ele quer ir trabalhando, te conhecendo, entendendo as suas necessidade, mas com um objetivo muito claro: fazer negócio."

"Então, ele pergunta como é que você está, como está a tua família, como é que estão as coisas, como é que você está se sentindo, como é que está caminhando, e quando eu for terminar o jantar, ele vai te dar um abraço e dizer: 'Fechamos o negócio'", complementa.


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