Internado desde 2023, o ex-jogador Amarildo, que substituiu Pelé na Copa de 1962, enfrenta sérios problemas de saúde. Ele foi decisivo para o título brasileiro, mas hoje vive no esquecimento, apesar de ter sido elogiado por Nelson Rodrigues como 'possesso'.
A história de Amarildo Tavares da Silveira, bicampeão mundial com a seleção brasileira, voltou a ser lembrada por causa de seu estado de saúde. Aos 89 anos, ele está internado no Rio de Janeiro desde 2023, após sofrer três derrames (AVCs). A família informou que, em 2011, o ex-jogador do Botafogo foi diagnosticado com um tumor maligno na garganta. Em 2018, os médicos também descobriram que ele tinha Alzheimer, e a situação piorou com o passar do tempo.
Infelizmente, como acontece com frequência no Brasil, esse ídolo está sendo esquecido, apesar de ter sido essencial na conquista da Copa do Mundo de 1962, que aconteceu no Chile. Amarildo entrou para a história como o substituto de Pelé a partir do terceiro jogo da primeira fase, contra a Espanha. O Rei havia se machucado na partida anterior, contra a Tchecoslováquia, e o jogador do Botafogo teve que assumir a responsabilidade. Com apenas 22 anos, o jovem, que parecia ter um destino traçado, correspondeu às expectativas e foi chamado de "possesso" pelo famoso escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues.
- Amarildo tem 89 anos e está internado desde 2023 no Rio de Janeiro.
- Ele sofreu três derrames e luta contra um tumor na garganta e Alzheimer.
- Entrou para a história ao substituir Pelé na Copa de 1962, no Chile.
- Fez dois gols na virada contra a Espanha e marcou no empate com a Tchecoslováquia na final.
- Também jogou em grandes clubes do Brasil e da Itália, como Botafogo, Flamengo, Vasco, Milan, Fiorentina e Roma.
Além dos dois gols na virada sobre a Espanha (2 a 1), o gol de empate contra a Tchecoslováquia, na final do mundial, foi fundamental para o Brasil. Amarildo brilhou no Botafogo, mas também vestiu as camisas de Flamengo e Vasco. O atleta, que nasceu em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, em 1939, também fez sucesso na Itália, defendendo Milan, Fiorentina e Roma.
A união do grupo
Amarildo sempre contou que a força da seleção de 1962 estava na união do time: "o grupo era muito unido, cada um era amigo do outro, não tinha panelinha, não tinha grupinho. Todo mundo igual. Isso também ajudou muito a seleção. Chegava todo mundo junto para o almoço, para o jantar, jogar baralho... Dava para ver que o grupo estava concentrado e muito bem, em harmonia". Quando foi escolhido para substituir Pelé, Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação brasileira, conversou muito com o jogador.
O dirigente o convenceu de que Amarildo poderia ser como Pelé! Apesar do excelente desempenho na Copa, a participação dele acabou sendo ofuscada por causa de Garrincha, que foi o grande nome do time na ausência do Rei.
Procurando nos arquivos da Jovem Pan, encontrei uma entrevista de Amarildo concedida a Flávio Prado, em 2012, quando o bicampeonato mundial completava cinquenta anos.


Amarildo em foto de arquivo - CBF


