Um estudo publicado na revista iScience revelou que algumas pessoas atraem mais mosquitos do que outras, e isso varia conforme a espécie do inseto. A preferência está ligada a sinais químicos da pele, como bactérias e odores corporais. A descoberta pode ajudar a criar novos repelentes e estratégias de controle de doenças transmitidas por vetores.
Um estudo científico, publicado na revista iScience, investigou se alguns indivíduos são mais propensos a atrair mosquitos do que outros. Os pesquisadores descobriram que cada espécie de mosquito possui preferências distintas, o que significa que uma pessoa altamente atraente para um tipo de mosquito pode não ser para outro.
- O estudo analisou três espécies de mosquitos: Aedes aegypti, Aedes albopictus e Culex quinquefasciatus.
- A atração é influenciada por bactérias da pele e odores corporais.
- Cada espécie de mosquito prefere um conjunto diferente de odores.
- Três compostos químicos foram comuns em pessoas muito atraentes para todas as espécies.
- A descoberta pode ajudar a criar novos repelentes e controlar doenças como dengue e malária.
A amostragem esteve focada nas espécies Aedes aegypti, Aedes albopictus e Culex quinquefasciatus. A análise revelou que essa variação é influenciada por assinaturas moleculares específicas, incluindo a composição dos micro-organismos da pele e os odores corporais exalados.
Dados indicam que o Aedes aegypti apresenta uma leve predileção por voluntários do sexo masculino, enquanto as outras espécies não mostraram tal viés. O motivo exato ainda não foi totalmente compreendido.
O que torna as pessoas mais atraentes para mosquitos
A atratividade de um indivíduo para os mosquitos é altamente variável e depende diretamente da espécie do mosquito em questão, sendo influenciada por bactérias na pele e de odores corporais.
O odor corporal humano é gerado principalmente pela biotransformação de secreções da pele - que originalmente não têm cheiro - em compostos orgânicos voláteis. O estudo identificou que diferentes espécies de mosquitos preferem conjuntos distintos de odores e bactérias, embora existam sinais comuns entre elas.
Três compostos químicos se mostraram mais prevalentes em indivíduos altamente atraentes para todas as três espécies de mosquitos: butanoato de etil 2-metila (ethyl 2-methylbutanoate), formato de (E)-2-hexen-1-ol ((E)-2-hexen-1-ol formate) e alfa-pineno (alpha-pinene).
O trabalho destacou como a evolução moldou diferentes mecanismos sensoriais em mosquitos para localizar seus hospedeiros humanos.


O mosquito Anopheles cruzii, principal vetor da malária em áreas de Mata Atlântica, não é uma espécie única, mas sim um complexo formado por cinco linhagens geneticamente distintas. Pexels


