Mesmo com melhorias no emprego e combate à fome, a concentração de riqueza no Brasil cresce.
O Brasil registrou avanços expressivos no mercado de trabalho e na segurança alimentar no último ano, mas a distribuição da riqueza no país segue em rota de concentração. Segundo o novo relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades, a renda média do 1% mais rico da população chegou a 31,5 vezes o rendimento da metade mais pobre.
O estudo revela um cenário de contrastes: 71% dos indicadores analisados apresentaram melhora, impulsionados pelo aumento do rendimento médio, queda da pobreza e redução da fome. Outros 13% mantiveram-se estáveis e 16% pioraram. No entanto, a expansão econômica não ocorreu de forma equitativa, fazendo com que a distância entre os extremos da pirâmide social voltasse a aumentar.
- O rendimento médio dos brasileiros cresceu 5,3% em 2025, chegando a R$ 3.376.
- As mulheres ganham em média apenas 72,2% do salário dos homens.
- Mulheres negras têm renda média de R$ 2.184, quase 58% menor que a de homens não negros (R$ 5.172).
- O 1% mais rico tem cerca de 2,1 milhões de pessoas, que ganham 31,5 vezes mais que os 106,4 milhões mais pobres.
- O Sudeste tem a maior desigualdade regional: ricos ganham 30,3 vezes mais que pobres.
Mais ganhos e desigualdades
A renda média real dos brasileiros cresceu 5,3% em 2025 em comparação com o ano anterior, atingindo R$ 3.376. Por trás dessa alta, contudo, persistem disparidades históricas.
O rendimento médio dos homens cresceu 5,8% superando a média nacional , enquanto o das mulheres subiu 4,8%. Com isso, a remuneração feminina equivale a apenas 72,2% da masculina, uma assimetria observada em todas as regiões do país.
A desigualdade é ainda mais profunda quando cruzada com o recorte racial. As mulheres negras ocupam o patamar mais baixo do mercado de trabalho, com ganho médio de R$ 2.184. O valor é 57,8% inferior ao recebido por homens não negros (R$ 5.172).
"Esse dado confirma, mais uma vez, como se consolidam as desigualdades históricas entre as raças no país", destaca o relatório, elaborado em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Abismo regional
A parcela correspondente ao 1% mais rico é composta por cerca de 2,1 milhões de pessoas, cujos ganhos superam em 31,5 vezes a renda combinada dos 106,4 milhões de brasileiros mais pobres (os 50% da base). Embora o patamar continue abaixo do pico registrado em 2022, houve uma alta de 1,3 ponto percentual em relação a 2024, evidenciando que o crescimento econômico recente não alterou a estrutura de concentração de riqueza.
Regionalmente, a maior disparidade foi registrada no Sudeste, onde os ganhos do topo foram 30,3 vezes maiores que os da base. A menor razão ocorreu no Sul (21,8 vezes).
Já o Centro-Oeste chamou a atenção pelo avanço da desigualdade: a razão entre ricos e pobres saltou de 25 para 29,3 vezes no período. Na contramão, o Nordeste e o Sul foram as únicas regiões que registraram redução do abismo social.


Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil


