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06 de outubro de 2026

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Grandes frigoríficos passam no teste da carne na Amazônia

GERAL Carne 21/08/2026 14:44 Italo Bertão Filho, AgFeed agfeed.com.br Cuiabá MT

Auditoria do TAC da Carne analisou 1,7 milhão de bois e achou problemas em 7,5% do gado, mas grandes frigoríficos tiveram nota quase perfeita.

De 2023 a 2024, 7,5% de todo o gado vendido diretamente aos frigoríficos na Amazônia Legal tinha algum problema. Esse número é maior que o tolerado pelo Ministério Público Federal (MPF), que é de até 4%.

Mas os grandes frigoríficos do país se saíram bem. JBS, Marfrig (hoje MBRF), Minerva e Frigol tiveram quase 100% de conformidade ou nenhuma irregularidade.

  • 7,5% do gado tinha problemas, mas os grandes frigoríficos tiveram nota quase 100%.
  • Marfrig, Minerva e FriGol tiveram 100% de conformidade; JBS teve 97,6%.
  • O MPF analisou mais de 1,7 milhão de animais.
  • As irregularidades mais comuns foram compras erradas e fraudes no CAR.
  • Agora, o MPF quer monitorar também os fornecedores indiretos.

Os resultados fazem parte do 3º Ciclo Unificado de Auditorias do TAC da Carne na Amazônia Legal, divulgado nesta quarta-feira, 20 de agosto, pelo MPF.

O TAC da Carne, assinado em 2009, obriga os frigoríficos a não comprar gado de áreas com desmatamento ilegal, terras invadidas, embargos ambientais ou trabalho escravo.

Esta é a sétima auditoria do MPF no Pará e a terceira unificada em toda a Amazônia Legal, com os mesmos critérios em todos os estados.

Os dados são só dos fornecedores diretos, ou seja, das fazendas que vendem o gado direto aos frigoríficos. Foram analisados 1.779.823 animais. Desses, 7,5% (133.751) tinham problemas sem justificativa, 56,7% tinham problemas mas foram justificados, e 35,7% estavam sem problemas.

As principais irregularidades foram compras erradas (134.630 animais), números de produtividade inconsistentes (64.309), fraudes no CAR (53.267), desmatamento ilegal (31.109) e embargos ambientais (29.447).

As auditorias foram feitas entre 2023 e 2024. Empresas como Grant Thornton, GeoMaster, BDO, TraceGreen, Prado Suzuki e Control Union participaram.

O MPF convocou os principais frigoríficos para auditar, mas alguns não fizeram.

No ciclo anterior, o índice de inconformidade foi de 4,5% entre os auditados e 52% entre os não auditados. O limite era de 5%.

A diferença é porque desta vez foram analisados mais animais: 1,7 milhão contra 1,3 milhão antes.

Para ter uma amostra completa, o MPF usou um sistema de pré-auditoria chamado Mappia-TAC. Esse sistema padroniza as informações e identifica automaticamente propriedades com problemas, como sobreposição com áreas desmatadas do Prodes.

Com isso, as auditorias focam em validar o CAR e GTA e analisar as justificativas das empresas para liberar as fazendas. Situações como falsos positivos do Prodes, licenças de supressão de vegetação, adesão ao PRA, projetos de recuperação de áreas e contratos de arrendamento podem regularizar a propriedade.

O procurador Daniel Azeredo, um dos criadores do TAC, disse em Cuiabá que a maioria das fazendas já é legal. Ele disse que apenas 1% a 2% das fazendas têm desmatamento ilegal e que é preciso combater isso sem prejudicar a maioria. Concluiu que é preciso ser eficaz para combater essa minoria sem prejudicar os produtores legais.

Dados por frigorífico

Dos quatro maiores frigoríficos, Marfrig, Minerva e FriGol tiveram 100% de conformidade. A Marfrig auditou 101.480 animais em Mato Grosso e Rondônia. A Minerva auditou 135.599 animais em Pará, Mato Grosso, Rondônia e Tocantins. O FriGol auditou 80.289 animais no Pará.

A JBS teve 97,6% de conformidade, com 456.983 animais conformes e 10.941 não conformes. No Acre, 99,3% dos animais auditados estavam conformes; no Pará, 97,7%; em Rondônia, 98,2%; em Tocantins, 98,7%; e no Mato Grosso, 97,3%.

Os piores resultados foram de frigoríficos menores: 163 Frigomarca (Pará) com 91,6% de inconformidade, Agro Boi (Amazonas) com 87,7%, e Frigorífico 3 Irmãos (Acre) com 83,4%.

Em notas, JBS disse que as inconformidades residuais eram documentais e que nos critérios socioambientais teve zero não conformidade. MBRF ex-Marfrig disse que o resultado mostra a solidez do seu monitoramento. Minerva destacou o compromisso com o combate ao desmatamento. FriGol disse que quer monitorar 100% dos fornecedores até 2030.

Dados por estado

O Tocantins teve o menor índice de irregularidade: 0,2%, com 5 de 7 frigoríficos auditados. No Mato Grosso, 13 de 14 frigoríficos foram auditados, cobrindo 82% do gado, com 4,6% de inconformidade entre os auditados. No Pará, 14 de 54 frigoríficos foram auditados, mas representam 89% da movimentação, com 5,4% de inconformidade entre auditados. Sem auditoria, a inconformidade sobe para 33%.

No Acre, só 2 de 13 empresas foram auditadas, com 24,1% de inconformidade; sem auditoria, 67,6%. No Amazonas, 5 de 23 frigoríficos auditados, com 41,1% de inconformidade; sem auditoria, 49,2%. Em Rondônia, 16,7% entre auditados e 37,2% sem auditoria.

Rastreio dos indiretos

O MPF quer agora monitorar os fornecedores indiretos, ou seja, as fazendas que vendem gado para os fornecedores diretos. A partir de 2027, começa a transição; em 2028, o sistema de monitoramento passa a funcionar, emitindo relatórios para os frigoríficos. Os dados não serão públicos, mas cada frigorífico receberá um relatório individual indicando quais fornecedores diretos estão com problemas.


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