??ºC Tempo Cuiabá-MT Cuiabá-MT

06 de outubro de 2026

pt-br

GERAL

Empresas dos EUA miram expansão da aviação agrícola no Brasil

GERAL Aviação 22/08/2026 15:22 Kaique Cangirana, CNN Brasil cnnbrasil.com.br Orlândia SP

O crescimento das fazendas e a busca por produtividade fazem com que empresas americanas como Thrush e Air Tractor invistam no Brasil, que já tem quase 3 mil aviões agrícolas. Elas oferecem aeronaves maiores e acompanham a chegada de drones e novas tecnologias.

O Brasil tem quase 3 mil aviões usados na agricultura, o que coloca o país em uma posição importante para as fábricas americanas de aviões agrícolas. Por causa do tamanho das fazendas e da busca por mais produtividade, empresas como Thrush e Air Tractor querem vender mais no Brasil. Elas também ficam de olho nos drones e nas novas tecnologias de aviões.

Para Jim Cable, chefe da Thrush no Brasil, o tamanho da produção agrícola brasileira faz do país um mercado essencial. "O Brasil é o maior produtor agrícola em várias áreas, por isso é um mercado muito importante para quase todas as empresas do setor", disse.

Resumo rápido

  • O Brasil tem quase 3 mil aviões agrícolas.
  • A Thrush pode cobrir de 350 a 400 hectares por hora com um avião.
  • A Air Tractor está criando um avião maior, o AT-1002, com capacidade de 1.000 galões.
  • Drones ainda são vistos como ferramentas complementares, não como substitutos.
  • O setor planeja comemorar 80 anos da aviação agrícola no Brasil em 2027.

Segundo Cable, a empresa não quer só vender aviões, mas também melhorar os serviços de manutenção e dar suporte à frota. A Thrush já está no Brasil há muito tempo, principalmente no Centro-Oeste e no norte, onde as fazendas são maiores.

"O Brasil está perto de ter 3 mil aviões agrícolas. A questão é como estamos investindo em serviços e suporte para essa frota", diz o executivo. Ele acrescenta que a empresa tem prestadores de manutenção e outras atividades para manter os aviões funcionando.

A expansão das fazendas e o aumento da produtividade também mudaram o tipo de demanda. A Thrush percebeu que os produtores brasileiros estão procurando aviões maiores, o que combina com a estratégia da empresa.

"Quando as fazendas crescem e a produtividade aumenta, os aviões maiores são mais procurados", afirma Cable. Para ele, os modelos da empresa combinam capacidade com padrões de pulverização que agregam valor.

A disputa por espaço no campo não é só entre aviões tradicionais. O avanço dos drones e de outras soluções não tripuladas já é discutido no setor. A Thrush acompanha essa mudança, mas acredita que as características da agricultura brasileira ainda favorecem aviões maiores.

"A tecnologia está mudando, e vemos isso acontecendo. Mas, por causa do tamanho das fazendas brasileiras, a produtividade continua sendo prioridade", destacou Cable.

Segundo o executivo, um avião agrícola da empresa pode cobrir de 350 a 400 hectares por hora, capacidade que ainda não é alcançada por drones ou aeronaves menores. A fabricante, porém, diz que acompanha essas tecnologias para usá-las quando os clientes precisarem.

A Air Tractor também prefere esperar as tecnologias amadurecerem. Scott Pingsterhaus, vice-presidente da empresa, diz que a fabricante monitora custos, avanços tecnológicos, manutenção e disponibilidade dos aviões no Brasil.

"As necessidades dos agricultores brasileiros continuam mudando, e a Air Tractor trabalha para atendê-las", afirma. Segundo ele, a empresa estuda formas de reduzir custos e melhorar a manutenção dos aviões.

A Air Tractor também está preparando um novo avião, o AT-1002, que está em processo de certificação. Ele terá capacidade para 1.000 galões. O modelo será vendido no Brasil assim que a certificação for concluída.

A empresa continua investindo em aviões agrícolas. "Em participação de mercado, o Brasil é o nosso maior mercado global. Vendemos mais aviões para o Brasil do que para qualquer outro país", destacou Pingsterhaus.

Além dos novos modelos, a fabricante americana acompanha a evolução dos sistemas de propulsão. Estuda biocombustíveis, outros combustíveis e eletrificação. Também trabalha com a Pratt & Whitney para avaliar essas tecnologias em seus aviões.

"Queremos esperar até que essas tecnologias estejam prontas para o mercado e possam ser usadas em um ambiente tão exigente quanto a aviação agrícola", afirmou.

A ideia é incorporar as soluções ao Brasil quando estiverem maduras.

A discussão sobre o futuro da aviação agrícola, porém, vai além da tecnologia. Para Hoana Santos, presidente do Sindag (Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola), drones e aeronaves autônomas devem ser ferramentas complementares, dependendo do trabalho.

"A questão não é saber quem vai dominar, e sim qual ferramenta é adequada para cada trabalho", disse. Para ela, é preciso preparar profissionais e ter regulamentação que considere as características de cada equipamento.

A presidente do Sindag falou durante o Congresso da Aviação Agrícola do Brasil, que reúne fabricantes, fornecedores, pilotos, mecânicos, engenheiros agrônomos e outros profissionais. O evento teve mais de 200 expositores e debates sobre reforma tributária, inteligência artificial, regulamentação e novas tecnologias, além de demonstrações aéreas.

Santos afirma que a aviação agrícola é responsável por aplicar produtos em cerca de 100 milhões de hectares por safra, o que exige qualificação e investimento em segurança e eficiência.

Durante o evento, o Sindag apresentou a Agenda 2037, com discussões sobre o setor na próxima década, incluindo formação profissional, segurança jurídica e comunicação com a sociedade.

"É um ponto de encontro, mas também um momento entre fornecedores, fabricantes, pesquisadores e empresários, que estão ali para debater e construir juntos uma aviação agrícola mais segura e sustentável", concluiu.

O congresso também marcou a preparação para os 80 anos da aviação agrícola no Brasil, que serão comemorados em 2027. Por isso, o Sindag fará uma edição especial em Orlândia, no interior de São Paulo, na base da empresa Tangará Aero Agrícola.


Whatsapp image 2026 09 22 at 18.03.11Whatsapp image 2026 09 22 at 15.00.47

Newsletter