O crescimento das fazendas e a busca por produtividade fazem com que empresas americanas como Thrush e Air Tractor invistam no Brasil, que já tem quase 3 mil aviões agrícolas. Elas oferecem aeronaves maiores e acompanham a chegada de drones e novas tecnologias.
O Brasil tem quase 3 mil aviões usados na agricultura, o que coloca o país em uma posição importante para as fábricas americanas de aviões agrícolas. Por causa do tamanho das fazendas e da busca por mais produtividade, empresas como Thrush e Air Tractor querem vender mais no Brasil. Elas também ficam de olho nos drones e nas novas tecnologias de aviões.
Para Jim Cable, chefe da Thrush no Brasil, o tamanho da produção agrícola brasileira faz do país um mercado essencial. "O Brasil é o maior produtor agrícola em várias áreas, por isso é um mercado muito importante para quase todas as empresas do setor", disse.
Resumo rápido
- O Brasil tem quase 3 mil aviões agrícolas.
- A Thrush pode cobrir de 350 a 400 hectares por hora com um avião.
- A Air Tractor está criando um avião maior, o AT-1002, com capacidade de 1.000 galões.
- Drones ainda são vistos como ferramentas complementares, não como substitutos.
- O setor planeja comemorar 80 anos da aviação agrícola no Brasil em 2027.
Segundo Cable, a empresa não quer só vender aviões, mas também melhorar os serviços de manutenção e dar suporte à frota. A Thrush já está no Brasil há muito tempo, principalmente no Centro-Oeste e no norte, onde as fazendas são maiores.
"O Brasil está perto de ter 3 mil aviões agrícolas. A questão é como estamos investindo em serviços e suporte para essa frota", diz o executivo. Ele acrescenta que a empresa tem prestadores de manutenção e outras atividades para manter os aviões funcionando.
A expansão das fazendas e o aumento da produtividade também mudaram o tipo de demanda. A Thrush percebeu que os produtores brasileiros estão procurando aviões maiores, o que combina com a estratégia da empresa.
"Quando as fazendas crescem e a produtividade aumenta, os aviões maiores são mais procurados", afirma Cable. Para ele, os modelos da empresa combinam capacidade com padrões de pulverização que agregam valor.
A disputa por espaço no campo não é só entre aviões tradicionais. O avanço dos drones e de outras soluções não tripuladas já é discutido no setor. A Thrush acompanha essa mudança, mas acredita que as características da agricultura brasileira ainda favorecem aviões maiores.
"A tecnologia está mudando, e vemos isso acontecendo. Mas, por causa do tamanho das fazendas brasileiras, a produtividade continua sendo prioridade", destacou Cable.
Segundo o executivo, um avião agrícola da empresa pode cobrir de 350 a 400 hectares por hora, capacidade que ainda não é alcançada por drones ou aeronaves menores. A fabricante, porém, diz que acompanha essas tecnologias para usá-las quando os clientes precisarem.
A Air Tractor também prefere esperar as tecnologias amadurecerem. Scott Pingsterhaus, vice-presidente da empresa, diz que a fabricante monitora custos, avanços tecnológicos, manutenção e disponibilidade dos aviões no Brasil.
"As necessidades dos agricultores brasileiros continuam mudando, e a Air Tractor trabalha para atendê-las", afirma. Segundo ele, a empresa estuda formas de reduzir custos e melhorar a manutenção dos aviões.
A Air Tractor também está preparando um novo avião, o AT-1002, que está em processo de certificação. Ele terá capacidade para 1.000 galões. O modelo será vendido no Brasil assim que a certificação for concluída.
A empresa continua investindo em aviões agrícolas. "Em participação de mercado, o Brasil é o nosso maior mercado global. Vendemos mais aviões para o Brasil do que para qualquer outro país", destacou Pingsterhaus.
Além dos novos modelos, a fabricante americana acompanha a evolução dos sistemas de propulsão. Estuda biocombustíveis, outros combustíveis e eletrificação. Também trabalha com a Pratt & Whitney para avaliar essas tecnologias em seus aviões.
"Queremos esperar até que essas tecnologias estejam prontas para o mercado e possam ser usadas em um ambiente tão exigente quanto a aviação agrícola", afirmou.
A ideia é incorporar as soluções ao Brasil quando estiverem maduras.
A discussão sobre o futuro da aviação agrícola, porém, vai além da tecnologia. Para Hoana Santos, presidente do Sindag (Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola), drones e aeronaves autônomas devem ser ferramentas complementares, dependendo do trabalho.
"A questão não é saber quem vai dominar, e sim qual ferramenta é adequada para cada trabalho", disse. Para ela, é preciso preparar profissionais e ter regulamentação que considere as características de cada equipamento.
A presidente do Sindag falou durante o Congresso da Aviação Agrícola do Brasil, que reúne fabricantes, fornecedores, pilotos, mecânicos, engenheiros agrônomos e outros profissionais. O evento teve mais de 200 expositores e debates sobre reforma tributária, inteligência artificial, regulamentação e novas tecnologias, além de demonstrações aéreas.
Santos afirma que a aviação agrícola é responsável por aplicar produtos em cerca de 100 milhões de hectares por safra, o que exige qualificação e investimento em segurança e eficiência.
Durante o evento, o Sindag apresentou a Agenda 2037, com discussões sobre o setor na próxima década, incluindo formação profissional, segurança jurídica e comunicação com a sociedade.
"É um ponto de encontro, mas também um momento entre fornecedores, fabricantes, pesquisadores e empresários, que estão ali para debater e construir juntos uma aviação agrícola mais segura e sustentável", concluiu.
O congresso também marcou a preparação para os 80 anos da aviação agrícola no Brasil, que serão comemorados em 2027. Por isso, o Sindag fará uma edição especial em Orlândia, no interior de São Paulo, na base da empresa Tangará Aero Agrícola.


Herik Richard


