Segundo o instituto, R$ 1,4 milhão está depositado judicialmente e deve ser devolvido aos cofres da previdência municipal até o fim de 2027
Após a Operação Presciência revelar a aplicação de R$ 1,2 milhão do Regime Próprio de Previdência Social da capital em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, o diretor-presidente do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG), Marcos Tabosa, informou que o valor já foi recuperado. Ele afirmou que o dinheiro deve retornar aos cofres públicos até o fim de 2027.
A prefeitura de Campo Grande confirmou a recuperação da quantia em nota enviada pela manhã. Segundo o município, os R$ 1,2 milhão investidos em Letras Financeiras pelo Banco Master estavam previstos para serem recuperados apenas em 2029, mas com a liquidação extrajudicial do Master anunciada pelo Banco Central em novembro de 2025, houve a antecipação do pagamento. Ações de compensação de créditos foram ajuizadas pelo IMPCG e resultaram em decisão favorável, com depósito judicial do valor aplicado.
Além do principal valor, o IMPCG informou que também foi recuperado aproximadamente R$ 227 mil de lucro, com o dinheiro depositado em uma conta judicial. O comitê de investimento formado por servidores certificados pelo Ministério da Previdência Social autorizou os investimentos sem intervenção de autoridades municipais, segundo o diretor-presidente. A Polícia Federal esteve no IMPCG nesta terça-feira, sem levar documentos, conforme relato de Tabosa. Buscas também ocorreram no gabinete da vice-prefeita de Campo Grande e na Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS).
O inquérito busca esclarecer a legalidade dos R$ 1,2 milhão investidos em Letras Financeiras do Banco Master e investigar possíveis práticas de gestão temerária, corrupção passiva e corrupção ativa associadas à operação financeira. A apuração começou após auditorias do Ministério da Previdência Social identificarem falhas no processo que levou o IMPCG a investir nesse montante.
Segundo a Polícia Federal, há suspeitas de que servidores envolvidos na decisão não seguiram procedimentos técnicos e administrativos exigidos para esse tipo de investimento, expondo recursos da previdência municipal a riscos. A investigação investiga suspeitas de crimes de gestão temerária, corrupção passiva e corrupção ativa.
Em nota à imprensa, a prefeitura destacou que Campo Grande foi uma das primeiras cidades do Brasil a assegurar o ressarcimento desses valores, evitando prejuízos aos cofres públicos. O investimento, realizado em abril de 2024, tratou da aquisição de Letras Financeiras com vencimento original em abril de 2029; a liquidação extrajudicial do Banco Master antecipou esse vencimento, gerando crédito líquido e certo. O IMPCG ajuizou a ação de compensação com tutela provisória de urgência, obtendo decisão favorável que determinou o depósito judicial do valor atualizado e a abstenção de cobranças ou medidas constritivas pela instituição financeira.
O diretor-presidente explicou que, além do valor principal, houve recuperação de lucros, totalizando R$ 1.427 milhôes com o depósito judicial. Ele ressaltou que a autorização de investimentos passa por um comitê de investimento, sem interveniência da prefeita ou de outros gestores municipais.
A investigação também envolve as equipes que realizaram buscas em órgãos ligados à gestão previdenciária e assistência social. A apuração visa esclarecer operações e possíveis irregularidades que pudessem ter colocado em risco os recursos do IMPCG.
Este conteúdo também traz perguntas para a íntegra da nota oficial emitida pela Prefeitura, que reforça o compromisso com transparência e esclarecimentos sobre o andamento das investigações.
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Equipes da Polícia Federal durante buscas pela operação nesta terça-feira (Foto: PF)



