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26 de agosto de 2026

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Meta mandou apagar evidências sobre abuso sexual infantil, diz ex-funcionário

GERAL Tecnologia 26/08/2026 11:32 Folhapress noticiasaominuto.com.br

A empresa rejeita as acusações dos 29 estados americanos que participam do processo, afirmando que pesquisas não demonstraram ligação clara entre uso de redes sociais por adolescentes e bem-estar.

PEDRO S. TEIXEIRA&Ao Paulo, SP (FOLHAPRESS) - A Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, apagou evidências sobre assédio e exploração sexual de menores "em mais de uma ocasião", disse Jason Sattizahn, ex-pesquisador de integridade e segurança da unidade de realidade virtual da big tech.

O testemunho de Sattizahn faz parte de uma ação contra a big tech nos Estados Unidos por práticas abusivas com o objetivo de viciar usuários jovens. Segundo Sattizahn, houve ordem direta para exclusão de "rastros documentais" que colocassem as marcas em risco.

A empresa rejeita as acusações dos 29 estados americanos que integram o processo. "Pesquisas não mostraram uma ligação clara entre o uso de redes sociais por adolescentes e a falta de bem-estar", afirmou o advogado da companhia Paul Schmidt.

Segundo depoimento de Sattizahn, publicado no último dia 18, a Meta começou a tratar as investigações sobre danos ligados às redes sociais "como riscos para a marca", desde o vazamento de relatórios internos no fim de 2021 pela delatora Frances Haugen.

Na época, vazaram estudos internos com conclusões sobre efeitos nocivos das redes sociais na saúde mental de adolescentes.

Nos documentos internos entregues à corte do estado do Novo México, a companhia disse que mantinha um trabalho de pesquisa de ponta para identificar problemas relevantes. "É desanimador ver esse trabalho tirado de contexto e usado para a construção de uma narrativa falsa", disse a big tech.

Embora a Meta tenha afirmado que continuaria com as investigações sobre danos a crianças, Sattizahn afirmou que a empresa começou a impor uma série de barreiras ao seu trabalho. Qualquer pesquisa sobre verificação de idade passou a envolver forte interferência do time jurídico.

A política sistemática de supervisão jurídica criou um "funil de manipulação", afirmou o ex-funcionário. "A presença obrigatória de advogados em todas as fases da investigação científica servia para silenciar os cientistas, e os relatórios eram rotineiramente alterados."

Segundo o pesquisador, usuários com idades entre 13 e 17 anos foram classificados como público sensível. "Se um estudo científico pretendesse recrutar voluntários dessas faixas etárias, ou se houvesse suspeita razoável de que eles pudessem estar presentes no grupo de teste, a pesquisa sofria restrições severas sobre o que podia perguntar ou registrar", afirmou.

Sattizahn disse que ele mesmo recebeu ordens para apagar dados de investigações sobre assédio e exploração sexual de menores nas plataformas da empresa. Quando ele registrava um relato na Alemanha, onde estava alocado em março de 2023, de uma mãe e seu filho, de menos de dez anos, sobre assédio direcionado à criança e solicitações de fotos nuas, houve uma interrupção por ordem da chefia.

"Minha gerente direta e uma advogada da Meta me ordenaram explicitamente que apagasse e eliminasse de forma absoluta todos os dados recolhidos sobre os danos sexuais sofridos por menores naquele estudo", relatou o ex-funcionário. Foi essa situação que o fez buscar as autoridades. O relato do ex-funcionário é central para o argumento da acusação de que a big tech promove publicamente esforços de segurança enquanto internamente oculta riscos para os consumidores.

A Meta contestou a legalidade do depoimento de Sattizahn com o argumento de que as comunicações entre a empresa e seus advogados estão sob sigilo. As funcionárias envolvidas no caso disseram que as recomendações ao pesquisador visavam garantir o respeito às leis locais de proteção de dados e às políticas de privacidade da própria plataforma.

Reportagem recente da Wired mostrou que as imagens de abuso sexual infantil não apenas persistem, mas também foram disseminadas por aplicativos de IA que tiram as roupas das pessoas sem consentimento. O Tech Transparency Project identificou mais de 50 anúncios em imagem e vídeo com esse tipo de abuso, segundo a publicação.

A entidade confirmou o trabalho à reportagem e disse que já enviou os conteúdos criminosos às autoridades.

Para a diretora do TTP, Katie Paul, o material contradiz o esforço da big tech para se promover como um lugar seguro para menores, com ferramentas de proteção como as contas de adolescente.

Paul cita as ações publicitárias da empresa com influenciadores. A empresa diz que trabalha com influenciadores há anos e divulga suas ferramentas de segurança por exigência regulatória.

"Se a Meta está revisando, aprovando e faturando com anúncios que colocam crianças em perigo, fica mais difícil para a empresa sustentar que é capaz de proteger meninos e meninas", afirmou a diretora.

A Meta removeu os conteúdos ainda no dia 5 de agosto, após contato da Wired. "A maioria desses anúncios teve alcance mínimo e muitos deles foram desativados antes que a revista os enviasse. Muitos desses anúncios também são anteriores à nossa tecnologia de IA mais recente para detecção de violações já no upload", disse a empresa em nota.

De acordo com o comunicado, a Meta removeu, no ano passado, mais de 36 milhões de publicações com referências à exploração sexual de menores, além de ter mobilizado esforços contra apps de remoção de roupas.

Também em depoimento no caso dos 29 estados americanos contra a Meta, o ex-diretor de engenharia Arturo Béjar afirmou que a diretriz interna da big tech era "priorizar lucros em vez de segurança no design das plataformas".

Em conferência com acionistas no último dia 29, o CEO da empresa, Mark Zuckerberg, disse que monitora riscos legais e regulatórios que podem causar impacto significativo nos resultados financeiros da companhia.

"Seguimos observando escrutínio em relação a pautas ligadas a jovens em diversos mercados, com diversos julgamentos sobre o tema agendados para este ano nos EUA, os quais podem resultar em perdas materiais", afirmou Zuckerberg.

Ele também mencionou o veto ao Instagram e ao Facebook em diversos países. O tema também está em pauta no Congresso brasileiro, no projeto de lei nº 94 de 2026, em tramitação na Câmara dos Deputados.

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