Com temperaturas que podem chegar a 40°C e umidade abaixo de 12%, o estado de São Paulo enfrenta risco elevado de incêndios. A Defesa Civil orienta a população a evitar queima de lixo, descarte de cigarros em áreas verdes e outras atividades que podem gerar focos de fogo. O conteúdo traz medidas práticas para proteger casas, fazendas e rodovias.
A combinação de calor intenso, ar seco e mato ressecado está elevando o risco de incêndios em várias regiões do estado de São Paulo. Em dias muito quentes, um simples cigarro mal apagado ou uma queimada pode virar um fogo descontrolado, ainda mais quando o vento sopra e há muita vegetação seca.
Entre sexta-feira (28) e segunda-feira (31), uma massa de ar quente cobre praticamente todo o estado, segundo a Defesa Civil. As temperaturas sobem e a umidade do ar desperta para níveis muito baixos, o que faz com que qualquer fonte de fogo se espalhe com rapidez.
- O pico de calor deve atingir 40°C no norte e noroeste paulista, com umidade abaixo de 12%.
- A maioria dos incêndios em áreas rurais não é natural: é causada por descuidos do dia a dia, como queimar lixo e restos de poda.
- Um aceiro (faixa limpa sem mato) mal cuidado pode gerar multa para o dono do terreno por não proteger a propriedade.
- O DER-SP mantém 224 brigadistas e 56 caminhonetes com autobomba monitorando mais de 12 mil quilômetros de rodovias.
- Para receber alertas gratuitos por SMS, basta enviar o CEP para o número 40199 pela Defesa Civil.
Nas regiões norte e noroeste do estado, as condições são as mais perigosas: as temperaturas podem se aproximar de 40°C e a umidade pode cair abaixo de 12% nos horários mais quentes. Diante desse cenário, a Defesa Civil pede que a população evite qualquer atividade que gere fogo, como queimar lixo, limpar terreno com chama ou jogar bitucas de cigarro no mato.
A maioria dos incêndios em áreas rurais paulistas não tem causa natural. Descuidos comuns, como queimar restos de poda, jogar cigarro aceso no chão ou usar fogo para limpar terrenos, criam focos que, com o ar seco, ganham força e se espalham em poucos minutos.
Por que o risco aumenta no calor
Quando não chove, o solo e o mato ficam ressecados. O ar seco retira ainda mais umidade das plantas, e o vento carrega brasas para longe. Juntos, esses fatores transformam um pequeno foco em um incêndio grande.
No campo, os técnicos usam a expressão quatro-trinta para descrever o cenário mais perigoso: muitos dias sem chuva, umidade abaixo de 30%, temperatura acima de 30°C e vento acima de 30 km/h. Quando tudo isso acontece ao mesmo tempo, o fogo pega com facilidade, corre mais rápido e torna o trabalho de combate muito mais difícil. Por isso, em dias assim, a recomendação é parar qualquer atividade com fogo e redobrar a atenção em áreas sensíveis.
Como evitar incêndios na cidade
Em áreas urbanas, o perigo é menor, mas não é zero. Jardins, calçadas com grama seca e áreas verdes perto de viadutos e muros podem pegar fogo a partir de uma bituca jogada pelo carro ou de uma vela que se apaga mal. A dica é simples: não jogue materiais inflamáveis em locais com vegetação e tenha cuidado com fogueiras e churrasqueiras em terrenos e quintais.
Cuidados em propriedades rurais
No campo, a prevenção começa com a manutenção da fazenda ou sítio. O mato seco e alto na beirada do terreno vira combustível para o fogo. Por isso, é importante roçar e limpar as faixas ao redor da propriedade com regularidade.
Aceiros precisam de manutenção
Os aceiros são caminhos sem grama e sem mato que servem de barreira para segurar ou retardar o avanço do fogo entre áreas. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado indica larguras mínimas de 3 metros entre talhões, 5 metros ao lado de cercas e divisas e 6 metros ao redor de vegetação nativa. Esses espaços precisam ser cuidados durante toda a estiagem. Um aceiro tomado por mato seco não protege mais e pode gerar multa para o proprietário.
Evite qualquer fonte de ignição
Cigarros, fósforos, churrasqueiras, fogueiras e velas são perigosos perto de vegetação seca. As cinzas de fogão a lenha e de churrasco também enganam: podem manter brasas vivas mesmo parecendo frias. O descarte deve ser feito em local sem mato, depois que tudo estiver completamente frio e, quando possível, molhado.
Queimar restos de poda, sobras de lavoura ou lixo também é proibido. O uso de fogo em atividades agropecuárias só é permitido com autorização prévia dos órgãos competentes, e essa autorização pode ser suspensa em períodos críticos.
Rodovias também exigem atenção
O risco de incêndios também é monitorado nas estradas estaduais. O DER-SP, órgão ligado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, mantém ações preventivas para evitar que o fogo comece ou se espalhe pelas margens.
Na malha viária administrada pelo DER, com mais de 12 mil quilômetros, os trechos são divididos em segmentos de 500 metros. Esse sistema classifica o nível de risco de cada trecho e orienta as equipes sobre quais medidas tomar.
A estrutura de prevenção conta com 224 brigadistas e 56 caminhonetes equipadas com autobomba, além do monitoramento feito pelas coordenadorias regionais. O DER-SP tem 14 coordenadorias que Fiscalizam e atendem ocorrências, acionando as equipes operacionais quando necessário.
Para quem trafega pelas rodovias, a orientação é direta: não jogue cigarros, fósforos nem qualquer material que possa pegar fogo pela janela do carro. Em dias secos, um pequeno descuido pode iniciar um incêndio na beira da estrada.
Viu fumaça ou fogo Saiba o que fazer
Ao perceber fumaça ou início de incêndio, a regra é não tentar apagar sozinho. O combate a fogo exige treinamento e equipamentos adequados. Ligue para o Corpo de Bombeiros no número 193, por telefone ou pelo aplicativo Bombeiros Emergência, e para a Defesa Civil no 199.
Em zonas rurais, depois de chamar as equipes de emergência, avise os vizinhos para que todos sigam as orientações dos bombeiros e da Defesa Civil. Incêndios criminosos ou atividades suspeitas podem ser denunciados de forma anônima pelos telefones 190 ou 181.
Como acompanhar o risco de incêndios
A população pode seguir as condições do tempo e os níveis de risco por diferentes canais oficiais. A Defesa Civil oferece um serviço gratuito de alertas por SMS: basta enviar o CEP para o número 40199 e passar a receber mensagens sobre condições climáticas adversas, dicas e orientações. É possível cadastrar mais de um CEP.
Outras ferramentas úteis
- O CIIAGRO, Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas, oferece dados de temperatura, umidade e outros parâmetros do tempo.
- O Painel do Fogo, do Censipam, mostra focos de incêndio identificados por satélite em tempo real.
Para produtores rurais, o Governo de São Paulo disponibiliza o Guia Interativo de Prevenção a Incêndios Florestais em Propriedades Rurais, feito pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento em parceria com o Corpo de Bombeiros. O material reúne orientações sobre como prevenir, o que fazer durante um incêndio e como agir depois que o fogo se apagar.
Acompanhar os alertas, manter as áreas vulneráveis seguras e evitar qualquer atividade que gere fogo são medidas simples que ajudam a proteger pessoas, propriedades, vegetação e a infraestrutura do estado.


A ausência de chuva deixa o solo e a vegetação mais secos e facilita a propagação das chamas. Foto: Divulgação Governo de SP


