Um mutirão de observadores contou 1.313 araras-azuis em dois dias, envolvendo participantes do Brasil, Bolívia e Paraguai. A iniciativa ampliou o conhecimento sobre a espécie e incluiu pela primeira vez os estados da Bahia e Tocantins no mapa de ocorrência.
O céu ficou mais azul nos dias 1º e 2 de agosto. De observadores experientes a apaixonados pela natureza, mais de 200 pessoas se mobilizaram em três países para contar uma das aves mais emblemáticas da América do Sul. O resultado foi expressivo: o segundo Big Day das Araras Azuis registrou 1.313 indivíduos na natureza, reforçando a força da ciência cidadã na conservação da espécie.
A mobilização reuniu participantes de diferentes regiões do Brasil, além de Bolívia e Paraguai, gerando um retrato atualizado da ocorrência da arara-azul-grande em meio aos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
- Mais de 1,3 mil araras-azuis foram contadas em dois dias de observação.
- Participantes de Brasil, Bolívia e Paraguai se uniram para registrar a espécie.
- Mato Grosso do Sul lidera com 493 aves vistas.
- Bahia e Tocantins registraram a espécie pela primeira vez no evento.
- Barão de Melgaço (MT) foi a cidade com mais araras: 261.
Mato Grosso do Sul lidera ranking nacional
O estado que abriga grande parte da população de araras-azuis no Pantanal voltou a liderar a contagem nacional.
Confira os números por estado: Mato Grosso do Sul lidera com 493 araras em 17 municípios, seguido por Mato Grosso com 293 em 33, Pará com 240 em 5, Goiás com 54 em 5, Bahia com 10 em 1 e Tocantins com 5 em 1.
Além dos números expressivos, a edição de 2026 trouxe uma conquista importante: Bahia e Tocantins passaram a integrar o mapa de registros da campanha. Em 2025, os dois estados não haviam contabilizado ocorrências da espécie.
Para a bióloga Neiva Guedes, fundadora e presidente do Instituto Arara Azul, esse tipo de informação é fundamental para orientar futuras estratégias de conservação.
"Se verificarmos que uma área onde havia ocorrência da espécie deixou de registrar araras, precisamos entender o que aconteceu e desenvolver ações para que elas possam voltar a ocupar aquele ambiente", explica.
As cidades que mais coloriram o céu de azul
Alguns municípios se destacaram pela quantidade de indivíduos registrados durante os dois dias de observação. Confira os cinco primeiros:
- Barão de Melgaço (MT) 261 araras
- Canaã dos Carajás (PA) 182 araras
- Miranda (MS) 165 araras
- Corumbá (MS) 131 araras
- Rochedo (MS) 55 araras
Os números revelam que áreas tradicionais da espécie seguem fortes, mas também mostram a expansão do monitoramento para novas regiões do país.
Expedição de Campo Grande ajuda a colocar Tocantins no mapa
Uma das histórias mais simbólicas desta edição nasceu em Campo Grande.
Na primeira edição do Big Day, realizada em 2025, nenhum registro havia sido feito no Tocantins. Para mudar esse cenário, o Instituto Mamede organizou uma expedição ao Jalapão.
As pesquisadoras Maristela Benites, Gabriela Mamede e Simone Mamede percorreram a região em busca da espécie e conseguiram confirmar sua presença no estado.
O resultado ajudou a preencher uma importante lacuna sobre a distribuição da arara-azul no Brasil. Mas a descoberta trouxe também um alerta.
"Foi emocionante encontrar as araras e contribuir para a ciência cidadã. Ao mesmo tempo, ficamos preocupadas. Em 2019 registramos mais indivíduos e, nesta expedição, encontramos apenas cinco", relata Maristela.
Conservação também acontece fora do campo
Nem todos os participantes precisaram pegar binóculos para contribuir. No Pará, o influenciador digital Vando Douglas utilizou suas redes sociais para divulgar a campanha e ampliar o conhecimento sobre a espécie.
Já no Ceará, onde não existem araras-azuis livres na natureza, a participação aconteceu por meio da educação ambiental, com atividades promovidas pelo Ecopoint Parque Ecológico e pelo Zoológico de São Francisco.
A estratégia mostrou que a proteção da biodiversidade não depende apenas de quem está em áreas de ocorrência da espécie.
Conservação feita por muitas mãos
Mais do que uma contagem, o Big Day das Araras Azuis se consolidou como um grande movimento de engajamento em torno da biodiversidade.
Os 1.313 registros feitos em 2026 representam o esforço coletivo de pesquisadores, observadores de aves, instituições e voluntários que dedicaram tempo para localizar, fotografar e registrar a espécie.
O resultado reforça uma mensagem que acompanha a trajetória do Instituto Arara Azul desde 1990: a conservação não acontece sozinha. Ela depende de pesquisa, monitoramento e, principalmente, da participação das pessoas para garantir que as araras-azuis continuem colorindo os céus do Brasil.


Arara-Azul vive em grupos e é considerada vulnerável à extinção. (Foto: Reprodução)







