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07 de setembro de 2026

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Fertilizante muito caro pode fazer lavoura perder produtividade e banco negar empréstimo

GERAL Fertilizantes 07/09/2026 08:08 Victor Faverin - Canal Rural canalrural.com.br

O preço do enxofre, usado na produção de fertilizantes, subiu quase 1.400% durante a guerra no Irã. Com os insumos tão caros, muitos produtores estão aplicando menos adubo do que o ideal para economizar. Isso pode reduzir a produção e fazer bancos entenderem que o risco de não receber o empréstimo aumentou, o que pode levar à negativa de crédito para a próxima safra.

O preço do enxofre, matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes fosfatados, saiu de cerca de US$ 80 por tonelada em 2024 para aproximadamente US$ 1,2 mil no auge da guerra no Irã. Isso representa uma alta de quase 1.400%, conforme dados do Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert).

O especialista em inteligência geoespacial da plataforma DataSafra, Ricardo Huffel, explica que em cenários de juros altos e escassez de insumos com preços muito elevados, surge uma "tentação operacional no campo": a diluição da adubação, ou seja, aplicar menos adubo do que o recomendado para cobrir a mesma área.

  • O preço do enxofre subiu de US$ 80 para US$ 1,2 mil por tonelada, uma alta de quase 1.400%.
  • A matéria-prima é essencial para a produção de fertilizantes fosfatados, usados na agricultura.
  • Aplicar menos adubo do que o ideal pode reduzir a produtividade da lavoura de forma significativa.
  • Bancos e instituições financeiras podem começar a negar crédito rural quando detectam risco de subdosagem.
  • O uso de satélites e sensoriamento remoto pode ajudar a monitorar se o adubo está sendo aplicado corretamente no campo.

Por que aplicar menos adubo é um problema

Na tentativa de cobrir toda a área planejada com um volume menor de fertilizante, o produtor aplica menos quilos por hectare do que o recomendado. Isso traz um problema técnico e financeiro, visto que a subdosagem compromete diretamente o potencial produtivo da lavoura, destaca Huffel.

Para instituições financeiras, tradings e revendas que financiam a safra, esse cenário se traduz em um aumento silencioso do risco de inadimplência e de quebra de contratos.

Como os bancos podem se proteger

Nesse sentido, Huffel considera que para proteger as operações sem inviabilizar o financiamento e o resultado, a análise de risco precisa evoluir da simples checagem financeira para a inteligência agronômica baseada em dados, apoiada em dois principais conceitos:

Primeiro, a assertividade na demanda via histórico. Validar o tamanho real da propriedade junto ao seu histórico agrícola e climático permite entender a real capacidade e necessidade nutricional daquela área. Isso garante que o crédito concedido para fertilizantes seja dimensionado com precisão, evitando excessos ou escassez.

Segundo, o monitoramento contínuo da semeadura. O uso do sensoriamento remoto durante o monitoramento da safra torna-se um aliado para auditorias no campo. Ele permite verificar se a área semeada e a cultura planejada correspondem exatamente ao pacote tecnológico financiado, identificando desvios de conduta, como a diluição de insumos em áreas maiores, antes que reflitam na colheita.

Conclusão do especialista

O especialista destaca que a alta dos insumos é um fator macroeconômico fora do controle do produtor e das instituições, mas a eficiência na concessão de crédito e no acompanhamento do campo é uma escolha estratégica.

Às vezes, a solução não é liberar mais crédito ou comprar mais insumos por impulso, mas sim garantir que a real necessidade da planta por hectare seja atendida com base em dados precisos do campo, conclui Huffel.


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