??ºC Tempo Cuiabá-MT Cuiabá-MT

22 de outubro de 2026

pt-br

GERAL

Fertilizante muito caro pode fazer lavoura perder produtividade e banco negar empréstimo

GERAL Fertilizantes 07/09/2026 08:08 Victor Faverin - Canal Rural canalrural.com.br

O preço do enxofre, usado na produção de fertilizantes, subiu quase 1.400% durante a guerra no Irã. Com os insumos tão caros, muitos produtores estão aplicando menos adubo do que o ideal para economizar. Isso pode reduzir a produção e fazer bancos entenderem que o risco de não receber o empréstimo aumentou, o que pode levar à negativa de crédito para a próxima safra.

O preço do enxofre, matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes fosfatados, saiu de cerca de US$ 80 por tonelada em 2024 para aproximadamente US$ 1,2 mil no auge da guerra no Irã. Isso representa uma alta de quase 1.400%, conforme dados do Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes (Sinprifert).

O especialista em inteligência geoespacial da plataforma DataSafra, Ricardo Huffel, explica que em cenários de juros altos e escassez de insumos com preços muito elevados, surge uma "tentação operacional no campo": a diluição da adubação, ou seja, aplicar menos adubo do que o recomendado para cobrir a mesma área.

  • O preço do enxofre subiu de US$ 80 para US$ 1,2 mil por tonelada, uma alta de quase 1.400%.
  • A matéria-prima é essencial para a produção de fertilizantes fosfatados, usados na agricultura.
  • Aplicar menos adubo do que o ideal pode reduzir a produtividade da lavoura de forma significativa.
  • Bancos e instituições financeiras podem começar a negar crédito rural quando detectam risco de subdosagem.
  • O uso de satélites e sensoriamento remoto pode ajudar a monitorar se o adubo está sendo aplicado corretamente no campo.

Por que aplicar menos adubo é um problema

Na tentativa de cobrir toda a área planejada com um volume menor de fertilizante, o produtor aplica menos quilos por hectare do que o recomendado. Isso traz um problema técnico e financeiro, visto que a subdosagem compromete diretamente o potencial produtivo da lavoura, destaca Huffel.

Para instituições financeiras, tradings e revendas que financiam a safra, esse cenário se traduz em um aumento silencioso do risco de inadimplência e de quebra de contratos.

Como os bancos podem se proteger

Nesse sentido, Huffel considera que para proteger as operações sem inviabilizar o financiamento e o resultado, a análise de risco precisa evoluir da simples checagem financeira para a inteligência agronômica baseada em dados, apoiada em dois principais conceitos:

Primeiro, a assertividade na demanda via histórico. Validar o tamanho real da propriedade junto ao seu histórico agrícola e climático permite entender a real capacidade e necessidade nutricional daquela área. Isso garante que o crédito concedido para fertilizantes seja dimensionado com precisão, evitando excessos ou escassez.

Segundo, o monitoramento contínuo da semeadura. O uso do sensoriamento remoto durante o monitoramento da safra torna-se um aliado para auditorias no campo. Ele permite verificar se a área semeada e a cultura planejada correspondem exatamente ao pacote tecnológico financiado, identificando desvios de conduta, como a diluição de insumos em áreas maiores, antes que reflitam na colheita.

Conclusão do especialista

O especialista destaca que a alta dos insumos é um fator macroeconômico fora do controle do produtor e das instituições, mas a eficiência na concessão de crédito e no acompanhamento do campo é uma escolha estratégica.

Às vezes, a solução não é liberar mais crédito ou comprar mais insumos por impulso, mas sim garantir que a real necessidade da planta por hectare seja atendida com base em dados precisos do campo, conclui Huffel.


Whatsapp image 2026 09 22 at 18.03.11Whatsapp image 2026 09 22 at 15.00.47

Newsletter