Pesquisador de Uberaba testa organismo para proteger tomateiro do calor, buscando reduzir custos e o uso de agrotóxicos em estufas de Minas Gerais.
Um pesquisador de Uberaba, em Minas Gerais, desenvolve uma inovação que pode mudar a cara da agricultura local. O estudo foca em proteger as plantas de tomate dos efeitos negativos das altas temperaturas, utilizando uma bactéria para torná-las mais resistentes ao calor extremo.
O projeto busca mitigar os impactos climáticos diretamente no cultivo, testando soluções biológicas que reduzam as perdas sazonais. A iniciativa envolve três variedades específicas de tomate, escolhidas por sua importância no mercado e sensibilidade térmica. As espécies testadas são o tomate salada longa vida, o saladete e o tomate grape, todas sujeitas a danos significativos quando o termômetro dispara.
- A bactéria roxa em teste é a mesma usada na soja para fixar nitrogênio do ar.
- Experimentos ocorrem em estufas de Minas Gerais com três tipos de tomate.
- O calor excessivo impede a polinização e deforma os frutos nas plantas.
- Resultados finais do estudo serão revelados no final de setembro.
- Redução no uso de agrotóxicos e custos de energia são as grandes apostas.
Desafios causados pelo calor excessivo
As temperaturas elevadas, principalmente dentro de estufas, criam barreiras sérias para a produção de tomate. O primeiro problema é a queda na eficiência da polinização das flores. Quando o clima está muito quente, as abelhas e o vento não conseguem realizar o trabalho de maneira adequada, o que leva à não formação de muitos frutos.
Além do problema na polinização, as plantas sofrem danos físicos que afetam a venda do produto. Ocorre deformações nos frutos, conhecidas como anomalias fisiológicas, que deixam os tomates com aparência ruim. Isso desvaloriza a produção, pois o consumidor geralmente recusa produtos com formato irregular ou manchas.
Esses fatores impactam diretamente o bolso do produtor rural. Nos meses mais quentes do ano, as perdas de produtividade se tornam significativas, exigindo que o agricultor invista mais recursos para tentar salvar a safra antes que as plantas morram de estresse térmico.
Como funciona o experimento com a bactéria
A solução testada é uma bactéria de coloração rosa, conhecida no meio agrícola por ser deotrófica. Esse organismo é comumente aplicado no cultivo de soja para ajudar a planta a aproveitar melhor o nitrogênio presente no ar, melhorando o solo e a nutrição da planta.
Para o tomate, a aplicação é diferente e mais direta na foliage. A bactéria foi aplicada na parte superior das plantas em quatro ocasiões diferentes e de forma semanal. O projeto começou há quatro meses, permitindo acompanhar o desenvolvimento das plantas desde o início do ciclo sob condições controladas de calor.
A expectativa é que a presença do microrganismo ajude as plantas a tolerarem melhor o estresse térmico. Ao fortalecer a parte foliar, a planta pode manter sua fotossíntese e vitalidade, mesmo quando a temperatura ambiente nas estufas ultrapassa os limites ideais para o tomate.
Impactos econômicos e ambientais esperados
Os resultados completos da pesquisa serão divulgados no final de setembro. Se a análise mostrar que a bactéria funciona, ela se tornará uma ferramenta essencial para os produtores. A principal vantagem é a redução da necessidade de defensivos agrícolas, como fungicidas e inseticidas, que seriam necessários para combater as fraquezas da planta sob calor.
Esse cenário beneficia também o consumidor final, pois o tomate produzido com ajuda biológica tende a ter menos resíduos químicos aderidos à casca e à polpa. Além da segurança alimentar, há um ganho financeiro importante para o produtor rural.
A adaptação das plantas a temperaturas mais elevadas permite que os agricultores economizem com a climatização das estufas. Como a planta não se estressa tanto, é preciso gastar menos energia elétrica ou combustível para manter a temperatura ideal, o que reduz o custo logístico de produção.
No longo prazo, essa tecnologia pode aumentar a segurança alimentar da região e tornar o tomate brasileiro mais competitivo. Menos desperdício, menos químicos e menor custo de energia formam um ciclo virtuoso para o agronegócio de Minas Gerais, mostrando que a ciência pode ajudar o campo a combater as mudanças climáticas.


Redação Digital



