As ministrares de Justiça do Brasil se uniram em uma conversa difícil sobre quem está certo ou errado em um caso importante, que pode afetar as eleições do próximo mês.
Na terça-feira (15), o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou uma sessão historicamente importante. Pela primeira vez na história da Corte, os ministros decidiram se deveriam investigar um de seus próprios pares.
O caso trata do ministro Alexandre de Moraes e de mensagens supostamente trocadas por ele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. Um relatório da Polícia Federal aponta essas trocas.
Corte pede calma
Na abertura, o presidente do STF, Edson Fachin, pediu serenidade a todos. Ele reforçou que os juízes devem analisar apenas os pontos jurídicos, sem apressar conclusões sobre o mérito do caso.
Duas ausências importantes
O ministro Kássio Nunes Marques deixou de participar por impedimento, por entender que a decisão pode repercutir nas eleições de outubro. Como ele preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) hoje, preferiu não julgar um tema com impacto político.
Dias Toffoli, outro ministro, se ausentou por motivo de foro íntimo e por já ter declarado suspeição em casos anteriores ligados ao Banco Master.
Nunes Marques ainda negou que seu filho tivesse trabalhado no banco.
Discussões sobre o processo
Durante a reunião, os ministros debateram a legalidade da Operação Compliance Zero, conduzida por André Mendonça. O ex-governador Flávio Dino questionou se tudo ocorreu conforme o Regimento Interno. Gilmar Mendes criticou que a Polícia Federal avançou sem comunicação prévia com o presidente ou com o plenário inteiro. A Ministério-Geral (PGR) pediu o cancelamento do relatório, alegando erro no procedimento.
Bate-boca entre Gilmar e André
Um dos momentos mais tensos ocorreu quando Gilmar Mendes chamou André Mendonça de eleitoreiro. Ao ouvir a acusação, André respondeu chamando Gilmar de leviano, termo que significa agir sem pensar.
Moraes e André também se confrontaram
Antes disso, Alexandre de Moraes acusou André de incentivar investigadores a incluírem seu nome em uma operação de confissão. Ele afirmou que o colega estaria a serviço de um grupo político. André respondeu negando tudo repetidamente.


Fotos: Agência Brasil



