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19 de setembro de 2026

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Quem paga pela ajuda técnica no campo?

GERAL Pecuária 19/09/2026 14:47 Maurício Palma Nogueira Agfeed agfeed.com.br

Especialista debate se o problema da assistência técnica é a falta de profissionais ou a ausência de demanda dos produtores, propondo parcerias entre iniciativa privada e pública.

O setor de criação de gado no Brasil está entrando em uma nova fase cheia de oportunidades. Expectativas de lucro são altas para criadores, empresas de carne, fornecedores de insumos e consumidores. No entanto, a conversa entre especialistas ainda parece presa no passado, ignorando os avanços reais das últimas décadas.

Muitos profissionais de cidades, que influenciam leis e estratégias das grandes empresas, não conseguem conectar os bons números da pecuária atual à realidade moderna do campo. Isso ocorre porque falta humildade para aprender com as mudanças. A autoridade deve vir do conhecimento prático, não apenas da fama.

  • O agronegócio tropical é um exemplo de inovação científica constante no mundo.
  • Políticas públicas ignoram pesquisas que ligam problemas sociais à falta de regularização da terra.
  • Falta dinheiro e planejamento para manter técnicos qualificados no campo por longo prazo.
  • O verdadeiro desafio pode ser a falta de procura dos próprios produtores pela assistência.
  • Parcerias entre empresas privadas e o governo são sugeridas como solução viável.

O engano de usar dados desatualizados

A ciência especializada continua sendo a base do avanço, mesmo com novas ferramentas de inteligência artificial. A construção de conhecimento exige estudo, prática e experiência. A pecuária brasileira é dinâmica e inovadora, mas ainda é vista por alguns como atrasada. Recentemente, um grupo de pesquisadores assinou um documento afirmando que falta rigor científico no agronegócio.

Esse tipo de conclusão ignora os profissionais que trabalham diretamente na aplicação desses conhecimentos. As estratégias para incluir pequenos produtores são frequentemente debatidas sem a presença desses especialistas. Fica-se falando de uma pecuária que quase não existe mais, baseando-se em estatísticas antigas.

A importância da questão da terra

Em estudos recentes sobre pecuária, autores mostraram gráficos de dados sem indicar quantos animais ou pastagens são desse grupo específico. Sem saber o peso real de cada segmento na produção total, é impossível criar soluções viáveis. Mapas modernos não substituem o entendimento técnico do campo.

Especialistas da Embrapa Territorial apontam que a regularização fundiária é a base de todas as outras soluções econômicas e ambientais. É difícil resolver qualquer outro problema sem lidar com a questão da propriedade da terra. Muitos debates atuais sobre rastreabilidade e desmatamento se misturam sem chegar a respostas práticas.

Desafios na contratação de técnicos

O debate sobre assistência técnica começou focado no pequeno produtor. Logo, surgiu a necessidade de treinar mais profissionais para lidar com produtividade e sustentabilidade. A dúvida principal é: quantas fazendas um técnico deve atender Poucas fazendas por técnico aumentam custos e tornam o vínculo temporário. Muitas fazendas sobrecarregam o profissional.

Técnicos experientes são brilhantes em suas áreas específicas, como reprodução ou nutrição. Porém, quando saem dessa zona de conforto, cometem erros graves. Exemplos de recomendações de manejo de pastagens, dadas por generalistas, poderiam levar fazendas à falência rapidamente. Esses técnicos são competentes, mas não podem ser especialistas em tudo ao mesmo tempo.

Esse problema não aparece de imediato. Surge com o tempo, sob a forma de estresse, desatualização e queda na qualidade do atendimento. A pergunta central é: de onde virá o dinheiro para sustentar esse programa por anos Sem retorno financeiro claro, o técnico não permanecerá.

Demanda real versus oferta de trabalho

O segundo grande desafio é entender o que o produtor realmente quer. Propõe-se enviar um técnico generalista para cuidar dos problemas básicos. Pesquisas dizem que falta assistência, mas não explicam como os produtores percebem essa necessidade. Sem uma demanda clara, o projeto pode fracassar ao começar.

Outras dúvidas incluem: como será a relação entre técnico e fazendeiro Quem controla o orçamento Como substituir técnicos que saem Logistically, é muito difícil organizar a rota de visitas conforme a necessidade de cada um. Há menos dinheiro disponível para educação e pesquisa, o que agrava a situação.

Solução possível via parcerias

Existe um caminho viável, mas exige mudar a premissa de que faltam técnicos. Na verdade, há muitos profissionais treinados e disponíveis no campo. Faltam recursos e coordenação. O problema é a falta de demanda estruturada, não a oferta de mão de obra.

Passos para o futuro

Um estudo da empresa Athenagro sugere passos práticos. A base é usar recursos já existentes e dar escala aos técnicos que já atuam em programas públicos e privados. O processo deve ser gradual, adaptando-se a cada região. O principal obstáculo inicial será a desconfiança dos interesses por trás das parcerias privadas.

É preciso aceitar que o atendimento técnico ficará com a iniciativa privada. Se for feito de forma coordenada e inclusiva, evitará a exclusão. Caso contrário, os pequenos produtores ficarão para trás. A chave é unir a realidade do campo com ofertas de serviços que realmente existam.

  • As ações necessárias para implementar um plano nacional de inclusão de produtores, via assistência técnica, poderiam seguir os seguintes passos:
  • Elaboração de parcerias entre empresas privadas e assistência técnica pública.
  • Elaboração de um estatuto de atuação no campo, protocolando os processos desde a elaboração do diagnóstico até a avaliação dos resultados. Os processos devem ser restritos às ações que levam às recomendações e não nas recomendações em si. Cada caso leva a recomendações técnicas diferentes.
  • Elaboração de um código de ética envolvendo as diversas empresas parceiras e a assistência pública.
  • Adaptação do perfil do técnico do programa para especializá-lo em compreensão dos sistemas de produção, tendências de mercado e gestão estratégica.
  • Programa de treinamento permanente em relacionamento interpessoal.
  • Foco da atuação do técnico do programa em mitigar o efeito detrator entre os técnicos de campo geralmente ligados à alguma empresa - conforme abordado na seção sobre a experiência do Rally da Pecuária.
  • O objetivo principal do técnico do programa é gerar demandas regionais, auxiliar o plano estratégico e orçamentário dos produtores, direcionar e administrar as diferentes especialidades entre os técnicos de campo que já atuam na indústria de insumos ou em consultorias privadas.
  • Manutenção de fóruns de atualização, modernização e avaliação dos diferentes sistemas de produção.
  • Manter o estreito relacionamento entre universidades e centros ou empresas de pesquisas regionais ou nacionais, como a Embrapa.
  • Criar e padronizar um banco de benchmarking detalhado de acordo com os diferentes perfis de produtores e sistemas de produção.
  • Usar o benchmarking como estratégia de ação para os diferentes níveis de produtores atendidos.
  • Estabelecer uma política de carreira entre os técnicos, mesmo que envolva o direcionamento a outras áreas da esfera pública ou privada.
  • Estabelecer avaliação por resultados e inovação.
  • Avaliar os resultados com indicadores mensuráveis e revisar periodicamente objetivos e resultados.

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