Após 22 anos de pesquisas, pesquisadores do Japão conseguiram alterar geneticamente rosas para que tenham cor azul, superando os resultados anteriores que só produziam flores arroxeadas.
Em 2004, após 14 anos de intenso trabalho, pesquisadores do Centro de Inovação Global da Suntory, localizado em Kyoto, no Japão, realizaram uma modificação genética em uma rosa. O objetivo inicial era criar a primeira rosa azul da história. Para isso, a equipe tentou fazer com que a flor produzisse pigmentos azuis.
Após 22 anos de tentativas, a equipe conseguiu o feito
Para alcançar o objetivo, a equipe insere o gene de uma enzima chamada delfinidina, capaz de produzir o pigmento azul. No entanto, o resultado inicial não foi o esperado. As flores ficaram com tonalidades arroxeadas, e não azuis. Isso sugeriu que faltava algo além do simples pigmento azul para tornar as rosas da cor desejada.
- Onde aconteceu: A pesquisa foi realizada no Centro de Inovação Global da Suntory, em Kyoto, no Japão.
- Tempo de espera: Foram necessários 22 anos após a criação da rosa roxa para se obter a primeira rosa azul.
- Método usado: Os cientistas inseriram quatro genes de outras flores azuis em uma rosa rosa clara.
- Revelação: O resultado foi apresentado no 32º Congresso Internacional de Horticultura em agosto de 2026.
- O desafio científico: As rosas não produzem naturalmente uma substância incolor necessária para que o pigmento azul apareça de forma correta.
O mistério por trás da cor azul das flores
De acordo com o site Science News, flores que são naturalmente azuis, como as íris, dependem da delfinidina para gerar sua cor. Porém, elas também necessitam de um "co-pigmento" incolor, conhecido como flavona C-glicosídeos, para atingir a tonalidade azulada perfeita. Já as rosas são naturalmente incapazes de produzir essa substância auxiliar.
Foi somente agora, vinte e dois anos após a criação da rosa roxa, que os cientistas da Suntory conseguiram atingir seu objetivo final. Dessa vez, eles inseriram quatro genes de outras flores azuis em uma base de rosa rosa clara.
Como os genes foram combinados para o sucesso
Um gene proveniente da campânula (Campanula medium) permitiu que as rosas geneticamente modificadas produzissem múltiplos pigmentos azuis. Além disso, dois genes da flor-de-desejo (Torenia x hybrida) e um gene da genciana-triflora (Gentiana triflora) foram utilizados para produzir enzimas que geram as moléculas auxiliares incolores necessárias.
Assim, em agosto deste ano, durante o 32º Congresso Internacional de Horticultura em Kyoto, os cientistas revelaram oficialmente a primeira rosa azul do mundo.
"Essas descobertas são significativas não apenas porque conseguimos uma cor de flor mais azul, mas também porque aprofundam nossa compreensão de como a cor das flores é criada", afirma Seitaro Ito, que liderou a pesquisa.
O futuro da coloração das plantas
Ito complementa dizendo que a cor das flores surge da interação de muitos fatores. Isso inclui o tipo e a quantidade de pigmentos, os compostos circundantes e o ambiente dentro das pétalas. Ele destaca que compreender essas combinações pode abrir novas possibilidades para a criação de diversas expressões de azul.
"Continuaremos esse desafio, desvendando esses mecanismos um a um, enquanto nos esforçamos para criar uma rosa azul diferente de qualquer outra já vista", conclui o pesquisador.


As primeiras rosas azuis do mundo. Foto: Suntory Global Innovation Center




