??ºC Tempo Cuiabá-MT Cuiabá-MT

25 de setembro de 2026

pt-br

GERAL

Crise profunda: presidente da cooperativa Cotribá pede demissão e futuro fica incerto

GERAL Crise 25/09/2026 14:41 Italo Bertão Filho - AgFeed agfeed.com.br

Carlos Diehl deixou o comando da Cotribá após divergências com o conselho. Com mais de R$ 1 bilhão em dívidas, a cooperativa enfrenta uma forte crise financeira, judicial e de liderança, com Sérgio Strentske assumindo a presidência em meio à reorganização.

A crise continua na cooperativa gaúcha Cotribá, que acumula mais de R$ 1 bilhão em dívidas. Carlos Diehl, que havia assumido a presidência da cooperativa em março deste ano e buscava investidores para salvar a cooperativa, renunciou ao cargo na quinta-feira, dia 24 de setembro. Ele será substituído por seu vice, Sérgio Strentske.

Sérgio Strentske, que era o vice-presidente, assume, agora, o comando da cooperativa, informou a Cotribá em comunicado. Para a vice-presidência da cooperativa, o Conselho indicou o nome de Paulo Prediger.

  • Carlos Diehl deixa o cargo após divergências de rumo com o conselho.
  • Sérgio Strentske assume a presidência em meio à busca por investidores.
  • A Cotribá possui R$ 1,4 bilhão em dívidas com bancos e produtores.
  • Recuperação judicial foi rejeitada pelos tribunais gaúchos.
  • Operações da cooperativa seguem normais, segundo nota oficial.

A alteração dos representantes legais da Cooperativa não altera o funcionamento de suas operações. As equipes permanecem atuando normalmente, mantendo o atendimento aos associados, clientes, fornecedores e demais parceiros, informou a Cotribá em nota. A nova administração seguirá com foco na recuperação, na reorganização, na continuidade das operações e na construção das condições necessárias para seu fortalecimento.

Divergências e renúncia do ex-presidente

O agora ex-presidente Carlos Diehl também se manifestou. Em carta obtida pelo AgFeed, Diehl disse ter decidido deixar o cargo por divergências entre suas ideias para o futuro da Cotribá e o que pensava o Conselho de Administração da cooperativa.

Ao longo desse processo, tornou-se evidente um desalinhamento entre a proposta e a visão que venho defendendo para o futuro da Cotribá e o entendimento predominante no Conselho de Administração quanto aos caminhos a serem adotados, disse Diehl. Diante dessa divergência de posicionamentos e entendendo que a condução da Cooperativa exige unidade, confiança e alinhamento entre seus dirigentes, considero que minha permanência na Presidência do Conselho de Administração não seria mais adequada neste momento, afirmou Diehl, ressaltando que continua associado da Cotribá.

Saio da Presidência com a consciência tranquila de ter feito todo o esforço que estava ao meu alcance, especialmente na busca de alternativas e investidores que pudessem contribuir para a superação do atual momento.

Assembleia adiada e histórico de trocas na diretoria

Na semana passada, a cooperativa havia chamado seus associados para uma assembleia geral extraordinária a ser realizada na próxima segunda-feira, dia 28 de setembro. A reunião teria como objetivo, entre outras demandas, discutir a criação de uma SPE e S/A e contrato de prestação de serviços com sócio-investidor. Mas a realização dessa assembleia foi adiada e, agora, Diehl deixou o cargo.

O presidente da Cotribá havia assumido o posto há seis meses, em março, e prometeu uma profunda reorganização da cooperativa sob sua gestão e retomada do crescimento da organização. Paralelamente à sua posse, contratou um CEO, Paulo Goulart, que prometeu profissionalizar a gestão da cooperativa. Houve uma reorganização interna de funções e enxugamento dos quadros da cooperativa.

Goulart, no entanto, deixou o cargo em julho. O paulista não foi o único a durar pouco no cargo de CEO. Antes dele, ocupou o posto Luís Felipe Maldaner, que ficou à frente do comando por apenas quatro meses, entre outubro do ano passado e janeiro deste ano. A gestão de Carlos Diehl foi marcada também por uma nova tentativa da cooperativa gaúcha de entrar com um pedido de recuperação judicial, expediente que não está previsto na legislação para cooperativas.

Impasse judicial e origem da crise financeira

A causa chegou a ser aceita em primeira instância, mas acabou rejeitada em segundo grau pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul após questionamento feito pelo Banco Votorantim, um dos credores da cooperativa. No começo deste mês, a 6ª Câmara Cível do TJ-RS decidiu, por unanimidade, que a cooperativa de fato não tem legitimidade para pedir recuperação judicial, após recurso pedido pelo Santander.

As dificuldades financeiras da Cotribá ficaram mais evidentes ao público há um ano, quando produtores passaram a protestar publicamente para que a Cotribá fizesse pagamentos de valores que seus cooperados tinham a receber. Em paralelo, o então presidente da cooperativa, Celso Krug, que estava no cargo desde 1993, renunciou ao cargo alegando motivos de saúde.

O vice, Enio Cezar Moura do Nascimento, assumiu o cargo até que Carlos Diehl fosse eleito, já em março deste ano. As dívidas da cooperativa gaúcha somavam R$ 1,4 bilhão em maio. Os débitos são com mais de 30 bancos e cooperativas de crédito e mais de uma centena de produtores rurais.


Whatsapp image 2026 09 22 at 18.03.11Whatsapp image 2026 09 22 at 15.00.47

Newsletter