O Ceará entrou no STF junto com o Flamengo e outros clubes para questionar a medida provisória que proibiu as bets no Brasil. A decisão afetou gravemente o orçamento do Vovô, que perdeu seu maior patrocinador e precisa encontrar alternativas urgentes para cobrir os gastos.
O Ceará decidiu seguir os passos do Flamengo e protocolou um pedido para participar da ADI 8027, uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que questiona a proibição das bets no Brasil. Essa medida foi tomada pelo Governo Federal através de uma medida provisória em 25 de setembro. Com a entrada do Vovô e do Rubro-Negro, chegam a 18 os times que fazem parte deste movimento no tribunal.
Além do Ceará e do Flamengo, os seguintes clubes também pediram para entrar na ação de inconstitucionalidade: Fluminense, Cruzeiro, Chapecoense, Mirassol, Avaí, Athletic-MG, Atlético-GO, América-MG, CRB, Criciúma, Goiás, Juventude, Novorizontino, Vila Nova e Botafogo-SP. Essa petição oficial foi feita nesta sexta-feira (2).
- Onde isso acontece A briga judicial está no STF, no Ceará e em todo o Brasil.
- Qual o risco O Ceará perdeu repasses de R$ milhões mensais do patrocinador master.
- Quando termina A marca da bet só pode ser usada na camisa até a segunda (5).
- Quem paga O clube busca novos patrocinadores para cobrir o prejuízo.
- Por que agora 24 dos 40 times das Séries A e B são afetados pela proibição.
Impacto direto nas finanças do Vovô
Em entrevista ao Jogada 3º Tempo, da Verdinha FM, na quinta-feira (1), o presidente do Ceará, João Paulo Silva, explicou a gravidade da situação. O patrocinador principal do clube é uma casa de apostas online e, com a proibição, os pagamentos foram suspensos já no mês de outubro. "O que eu tenho hoje é que eu perdi, com toda essa dificuldade financeira que estamos passando, o nosso maior patrocínio", disse o presidente.
Prazo apertado para novos contratos
O contrato atual do Ceará com a Esportes da Sorte só vai até janeiro de 2027, porém, por causa da nova lei, o clube não poderá exibir a marca nas camisas após as 23h59 desta segunda-feira (5). Para tentar amenizar o golpe financeiro, a diretoria já negocia com outros dois possíveis patrocinadores. No entanto, nenhum deles ocupa o espaço de master, que é o mais valioso, o que deixa o caixa do clube ainda mais pressionado.
Outros clubes, como Botafogo, Fluminense, São Paulo, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa, também foram ao STF com outras ações judiciais sobre o tema das apostas. A Associação Nacional pela Segurança Jurídica dos Jogos e Apostas (Anseja) ingressou com a ADI 8024 no tribunal.
O que prevê a proibição das apostas
No dia 25 de setembro, o Governo Federal definiu as regras para o fim das bets no país. A norma será enviada ao Congresso Nacional e deve ser aprovada definitivamente em até 120 dias. Mas, os efeitos já começaram a valer imediatamente.
A partir do dia 6 de outubro, os sites e aplicativos de apostas, assim como os cassinos online, começam a ser retirados das plataformas digitais. Essa decisão impacta diretamente 24 dos 40 times das Séries A e B do Brasileirão que tinham contratos com apostadoras, incluindo o Ceará. Além do time cearense, outras 23 equipes foram atingidas pela medida.


Ceará tem contrato com a Esportes da Sorte até janeiro de 2027 - Foto: Lucas Catrib/SVM



