Manaus sofre com fumaça densa vinda de queimadas no Amazonas, que aumentaram quase 4 vezes. Escolas e universidades fecharam as portas, e o governo federal prometeu enviar ajuda para combater os incêndios.
A qualidade do ar em Manaus atingiu níveis considerados graves para a população devido à fumaça de queimadas. Na sexta-feira, 9, a Defesa Civil emitiu um alerta aos moradores da capital amazonense, recomendando o uso de máscaras ao sair de casa e orientando a evitar a exposição à fumaça.
Na tarde deste sábado, 10, a plataforma internacional IQAir registrava concentração média de 80,3 µg/m³ de MP2,5 na cidade. Concentrações acima de 125 µg/m³ já são consideradas péssimas pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da UEA. Hoje, o monitor classificava a qualidade do ar como muito ruim na zona central de Manaus. Outras cidades do Estado, como Anori, Anamã, Tapauá e Beruri registravam as piores médias de qualidade do ar no Brasil.
- A prefeitura de Manaus suspendeu as aulas na rede pública municipal por causa da fumaça.
- A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a UEA paralisaram atividades presenciais para proteger a saúde dos alunos.
- O número de focos de calor no Amazonas em setembro foi quase quatro vezes maior que no ano passado.
- A falta de chuva em agosto ressecou a vegetação, facilitando o início e a propagação dos incêndios.
- O governo federal afirmou que já ofereceu apoio para ajudar no combate às chamas.
O alerta indicava concentração média de 196,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de material particulado fino (MP2,5), poluente prejudicial à saúde. Na sexta-feira, a prefeitura de Manaus suspendeu as atividades escolares da rede municipal devido à piora da qualidade do ar. A medida afetou ainda os centros de atendimento especializados, os Centros Municipais de Arte-Educação (Cmaes) e o Parque Cidade da Criança. De caráter preventivo, a medida visa preservar a saúde, a segurança e o bem-estar dos estudantes, profissionais da educação e de toda a comunidade escolar, sinalizou a prefeitura.
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) também decidiram suspender as atividades presenciais. A medida considera a necessidade de preservar a saúde e o bem-estar da comunidade universitária diante das condições atuais, informaram, em nota.
Amazonas quase quadruplica focos de calor
Em setembro deste ano, o Amazonas somou 3.726 focos de calor, quase quatro vezes o total registrado no mesmo período do ano passado, de 942, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em outubro, já são 832 focos.
A falta de chuvas em agosto agravou a estiagem em Manaus, contribuindo para o aumento da poluição do ar e dificultando o combate aos incêndios. De acordo com o Inpe, queimadas utilizadas para limpar e renovar pastagens, combinadas à vegetação ressecada, também favorecem a propagação do fogo para áreas de floresta.
Governo federal aponta ter oferecido apoio
Em junho, o governo do Amazonas havia decretado, em caráter preventivo, estado de emergência climática e ambiental por 180 dias, com base nas projeções relacionadas ao fenômeno El Niño. Em setembro, a gestão estadual proibiu o uso do fogo em todo o território amazonense por 120 dias.
Em entrevista ao Jornal do Amazonas 1ª Edição, da Rede Amazônica, na sexta-feira, o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, afirmou que o Estado ainda não havia recebido apoio do governo federal para o combate aos incêndios florestais.


SUAMY BEYDOUN/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO



