A gigante norueguesa Yara adquiriu participação minoritária na Stenon, startup alemã que desenvolve uma pá inteligente para medir o solo em tempo real. O investimento valida a tecnologia, que usa inteligência artificial para recomendar a aplicação exata de adubo, otimizando custos e eficiência para produtores no Brasil e no mundo.
Uma das maiores produtoras de fertilizantes nitrogenados do mundo, a Yara, decidiu investir em uma tecnologia que ajuda o agricultor a utilizar melhor o seu principal produto. A empresa aposta em uma solução que promete reduzir desperdícios e aumentar a eficiência do solo.
A gigante norueguesa de nutrição vegetal investiu na Stenon, uma startup alemã especializada em análise de solo em tempo real. O investimento foi realizado por meio do braço de venture capital da Yara, chamado Yara Growth Ventures.
- A Yara comprou uma participação minoritária na Stenon, validando a tecnologia da empresa.
- O equipamento, parecido com uma pá, mede o solo direto no campo usando sensores.
- A inteligência artificial processa os dados para indicar a quantidade exata de adubo necessária.
- O Brasil é um dos mercados prioritários para o crescimento da Stenon.
- A empresa planeja lançar uma nova geração de tecnologia em 2027.
Investimento estratégico e validação técnica
Os termos financeiros do acordo não foram divulgados, mas a operação configura uma participação minoritária da Yara no capital da companhia. A Stenon está sediada em Potsdam, na Alemanha, e já atua no Brasil. Este aporte marca o segundo fechamento da rodada Série B da Stenon.
A empresa já havia captado 18 milhões de euros (cerca de R$ 106 milhões) no início deste ano, em um aporte liderado pela gestora holandesa de impacto Pymwymic. Naquela ocasião, a rodada contou ainda com o fundo alemão DeepTech & Climate Fund (DTCF) e com a TIME Ventures, veículo de investimentos do fundador da Salesforce, Marc Benioff.
Histórico de captações e visão estratégica
A captação anterior da companhia datava de 2021, quando levantou 20 milhões de dólares com o Founders Fund e a The Production Board, de David Friedberg. Mais que o recurso, o investimento da Yara revela a visão estratégica do grupo. A Yara produz justamente o insumo que a tecnologia da Stenon se propõe a otimizar.
Para Niels Grabbert, fundador e CEO da Stenon, a entrada da gigante norueguesa funciona como uma validação do produto. Ele afirmou: "Eles produzem os insumos que estamos otimizando, o que mostra que validaram nossa tecnologia e estão interessados em otimizar seus próprios insumos". Na avaliação de Grabbert, trata-se de um "bom casamento estratégico".
Tecnologia no campo e impacto na margem
A Yara, que historicamente foca em fertilizantes de alto valor agregado, leva para a parceria conhecimento agronômico e econômico que a Stenon pretende incorporar ao seu produto. O CEO afirma: "Integrar mais do conhecimento econômico deles com nossa tecnologia de sensoriamento cria um resultado ainda melhor e mais holístico para o cliente".
O produto da Stenon é o FarmLab, um equipamento portátil, com o formato de uma pá, que mede diretamente no campo o nitrogênio disponível para a planta. O dispositivo também mede matéria orgânica do solo, temperatura e umidade. O software e os modelos de inteligência artificial da empresa transformam esses dados brutos em recomendações de fertilização para produtores e agrônomos.
A tese é relevante no contexto atual, pois o nitrogênio disponível varia significativamente dentro de um mesmo talhão e ao longo da safra. Muitos produtores ainda tomam decisões de adubação com informação limitada sobre o solo. Com os preços de fertilizantes em alta no mercado global, a eficiência na aplicação deixa de ser detalhe agronômico e vira questão de margem.
Expansão no Brasil e prioridades futuras
Grabbert resume: "Nossa tecnologia foi desenhada para transformar os dados de solo de uma medição ocasional em uma camada operacional de tomada de decisão agrícola". Ele complementa: "Ao gerar informações de solo de alta resolução diretamente no campo, buscamos dar a produtores e agrônomos uma base mais sólida para as decisões de manejo de nitrogênio".
A plataforma da Stenon já é usada em milhões de hectares na Europa (Suíça, Áustria, Alemanha e Grécia), na Ásia Central (Cazaquistão e Quirguistão), nos Estados Unidos (Califórnia) e no Brasil. É justamente no Brasil que a empresa concentrou sua aposta de crescimento. O país é um dos mercados prioritários, e a empresa planeja ampliar equipe, parcerias e a adoção da tecnologia em culturas como milho, cana, algodão, café e feijão.
Os recursos da rodada serão direcionados ao desenvolvimento da plataforma de inteligência de nitrogênio do solo da Stenon e à expansão para mais culturas e regiões. Para os próximos 12 meses, Grabbert lista três prioridades: deixar pronta a nova geração de tecnologia da companhia, com lançamento previsto para 2027; aumentar as operações na América Latina; e entrar em novos mercados.
A Stenon vende equipamentos e serviços para revendas de insumos, revendas de máquinas agrícolas, consultorias agronômicas e empresas de alimentos. O modelo de negócio combina a venda de dispositivos com a prestação de serviços de medição direto nas propriedades.


Luiz Fernando Sá



