O preço do boi pronto para abate aumentou mais rápido do que o da carne no atacado, espremendo as margens de lucro dos frigoríficos paulistas devido à escassez de animais no mercado.
Os preços do boi gordo têm subido mais rápido do que os da carne bovina no atacado da Grande São Paulo. Isso está reduzindo a diferença entre o que os frigoríficos pagam pelo animal e o que recebem pela carne, o que pode diminuir o lucro das indústrias. A análise foi divulgada nesta quinta-feira (15) pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).
- O boi está mais caro que a carne por falta de animais para abate.
- Frigoríficos em SP têm dificuldade para completar o plano de abate.
- A margem de lucro da indústria está sendo apertada.
- O consumo de carne deve aumentar no fim do ano.
- O futuro dos preços depende da quantidade de bois disponíveis.
Segundo os pesquisadores, a falta de animais prontos para o abate e as dificuldades dos matadouros para encher suas escalas de produção são as principais causas da alta do preço da arroba em São Paulo. Com menos oferta, o valor pago pelo pecuarista sobe.
Por outro lado, os preços da carne no atacado não estão subindo na mesma velocidade. Isso significa que a diferença entre o custo do animal e a receita da carne está estreitando, o que pressiona os números finais das empresas.
O Cepea alerta que o lucro final do frigorífico não depende apenas do preço da arroba contra o da carne. Outros fatores importantes são o rendimento da carcaça, os custos de operação da fábrica e o dinheiro extraído da venda de subprodutos, como peles e ossos.
Previsão para as próximas semanas
Para os próximos dias, a tendência de preços dependerá da quantidade de bois disponíveis no mercado, da capacidade dos frigoríficos de processar a carcaça e da demanda por carne. É esperado que o consumo se aqueça no último trimestre do ano, o que pode ajudar a sustentar as cotações.
No entanto, a continuidade das altas do boi dependerá, acima de tudo, da oferta de animais. Se houver mais bois no mercado, a pressão sobre os preços pode aliviar. Caso contrário, o custo de produção dos frigoríficos continuará alto.


Foto: Henrique Bighetti/Canal Rural



