A multinacional de fertilizantes registrou queda no lucro devido ao alto custo do gás na Europa. No Brasil, as margens comerciais diminuíram, impactando o resultado da operação local no terceiro trimestre de 2026.
A Yara enfrentou um terceiro trimestre de 2026 marcado por forte instabilidade no mercado de fertilizantes. Embora a receita tenha aumentado, o lucro diminuiu significativamente. A empresa precisou ajustar suas operações rapidamente para lidar com o aumento no custo do gás natural, um dos principais insumos da produção.
No balanço divulgado em 22 de outubro, a companhia norueguesa reportou uma receita de US$ 4,478 bilhões, o que representa um crescimento de 9% em comparação com o mesmo período de 2025. Apesar dos preços mais elevados dos fertilizantes ajudarem, esse ganho não foi suficiente para compensar o encarecimento da matéria-prima energética.
- O lucro líquido da Yara caiu para US$ 199 milhões, uma redução de 38% em relação aos US$ 320 milhões do ano anterior.
- O preço do gás natural na Europa subiu 57%, atingindo US$ 18,1 por milhão de BTU, pressionando as margens.
- No Brasil, as entregas caíram para 1,842 milhão de toneladas no trimestre, refletindo menor demanda e margens apertadas.
- A empresa cortou a produção de amônia em 150 mil toneladas no trimestre para conter custos operacionais.
- Apesar da queda trimestral, o Ebitda acumulado nos nove meses de 2026 cresceu 18%, totalizando US$ 2,477 bilhões.
Impactos financeiros do encarecimento do gás
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia foi de US$ 675 milhões, recuo de 16% ante os US$ 804 milhões do mesmo período de 2025. O lucro por ação também caiu, passando de US$ 1,25 para US$ 0,78. Na leitura ajustada, que exclui variações cambiais e itens especiais, o valor ficou em US$ 0,95, contra US$ 1,33 no ano passado. A queda nos lucros, porém, não afetou o indicador ROIC (retorno sobre o capital investido), que subiu de 8,0% para 13,5% em base anualizada, visto pela gestão como um termômetro de qualidade.
O detalhamento do Ebitda revela que o preço e a mistura de produtos adicionaram US$ 95 milhões ao resultado. No entanto, o custo de energia subtraiu US$ 165 milhões e a redução dos volumes comercializados tirou US$ 40 milhões. A margem contribuiu com menos US$ 70 milhões, o efeito cambial custou US$ 9 milhões e os custos fixos impactaram US$ 4 milhões. O principal vilão é o gás natural na Europa, que saltou 57%, para US$ 18,1 por milhão de BTU. O custo médio global da Yara subiu de US$ 9,5 para US$ 12,9 e o europeu, de US$ 12,7 para US$ 16,6.
Ajustes de produção e demanda global
Para responder ao aumento dos custos, a companhia cortou a produção em 150 mil toneladas de amônia e 115 mil toneladas de produtos acabados no trimestre, principalmente na unidade de Ferrara, na Itália. Esses cortes continuaram após o fechamento do balanço: em 16 de outubro, estavam em 270 mil toneladas de amônia e 140 mil de produtos acabados por trimestre. O dano às contas só não foi maior porque cerca de 80% dos seus produtos acabados não dependem do gás europeu. A Yara sustenta que pode reduzir até 1 milhão de toneladas de capacidade anual de amônia na Europa sem afetar a produção de produtos finais, graças ao excedente das plantas integradas.
Outro fator de pressão é o comportamento do produtor. As entregas totais caíram 4%, para 7,839 milhões de toneladas, com o fertilizante recuando de 6,036 milhões para 5,786 milhões de toneladas. Segundo o documento, as compras para a safra 2027 ficaram


Luiz Fernando Sá



