Aumentou o custo de morar na Europa: preços subiram 41,5% de 2020 a 2025. Aluguel na capital portuguesa custa mais que o salário mínimo. Portugueses e brasileiros ocupam ruas por moradia acessível.
O custo de viver em Portugal subiu muito de 2020 para 2025. O preço do aluguel e da compra de imóveis cresceu tanto que a situação se tornou insuportável. Essa pressão gerou grandes protestos no país. Tudo começou com ocupações de praças e o povo montou tendas. As pessoas ficaram nas ruas para pedir moradia digna.
Esses protestos não são pequenos. A cidade do Porto foi o primeiro lugar a receber ocupantes. Depois, os ativistas foram para a capital, Lisboa. Eles usaram a Praça do Rossio, famosa por ser ponto turístico. A polícia reagiu com força contra o povo que estava na rua.
As tentativas da polícia de acabar com os protestos foram violentas. As equipes desmontaram os acampamentos à força, dizendo que era proibido. Os relatos de lesões e violência foram divulgados nas redes sociais. Mesmo assim, os manifestantes continuaram de pé. Um tribunal de Lisboa deu a razão aos protestos e permitiu a permanência até 24 de novembro.
- Preços de imóveis em Portugal cresceram mais que em toda a União Europeia.
- O aluguel na capital custa mais que o salário mínimo local.
- Moradia é o problema principal que levou ao conflito nas ruas.
- O Brasil tem mais de 490 mil cidadãos vivendo em Portugal.
- Comerciantes temem impactos nos negócios por causa dos protestos.
O custo da habitação em números
Um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos mostra o tamanho do problema. O custo da habitação em Portugal subiu 41,5% de 2020 a 2025. Esse foi o maior aumento de toda a União Europeia. A média do continente ficou em 3,2%. A Grécia, que vem em segundo lugar, teve alta de 37,8%. Isso mostra que a situação portuguesa é grave.
O Conselho Europeu, junto com o banco Deustche Bank, fez outro relatório. O aluguel de um imóvel em Lisboa custa em média 116% do salário de um morador da capital. Isso significa que o salário não cobre nem o aluguel.
Essa é a única cidade entre as 22 analisadas onde isso acontece. Cidades como Paris, Roma, Madri e Berlim não têm esse problema. O estudo diz que o ideal seria pagar no máximo 30% do salário com aluguel.
Impacto nos brasileiros e imigrantes
Priscila Valadão é uma das vozes que lideram esses protestos. Ela é brasileira e cidadã portuguesa. Chegou em Portugal há 12 anos e viveu na pele essa dificuldade. Ela explica que é impossível encontrar apartamento tipo loft, que ela chama de T0, por menos de 1.500 euros no centro de Lisboa.
O salário mínimo português é apenas 920 euros. Então, é impossível uma pessoa morar na cidade. Priscila ainda precisa dividir um imóvel na periferia com outra pessoa. Ela diz que não há outra forma de viver em Lisboa. Até a periferia fica cara.
Ela conta que os brasileiros, assim como outros imigrantes, sofrem mais que os próprios portugueses para conseguir moradia. Há doze anos, donos de imóveis desligavam o telefone ao saber que era um brasileiro no outro lado. Diziam que o apartamento já estava ocupado. Isso era mentira.
Outra prática era pedir doze aluguéis adiantados antes de assinar o contrato. Priscila diz que tudo está piorando agora. O racismo e a xenofobia aumentaram. Ela afirma que recebeu inúmeras ameaças por seu envolvimento nas manifestações.
Causas e demanda por mudanças
Os manifestantes apontam a causa principal: a especulação imobiliária. Muitos fundos de investimento estrangeiros compram imóveis para lucrar. Além disso, prédios são usados como hospedagem para turistas. O governo português diz que o problema é grave.
Investidores brasileiros também fazem parte do problema, segundo Priscila. A restrição à compra de imóveis por esses fundos é uma das principais demandas. Também querem criticar a nova lei sobre aluguéis. Essa nova regra está sendo discutida no Parlamento.
A chamada Lei do Novo Regime de Arrendamento Urbano pode piorar ainda mais a vida de quem precisa alugar. A proposta reduz o tempo de despejo e acaba com o limite de 2% para reajustes. Ela também aumenta o valor da garantia e permite que o dono do imóvel negue a renovação automática do contrato.
Posição do governo de Portugal
Os manifestantes pedem mais habitação pública. O Estado deve construir e oferecer moradias. Querem ainda que prédios vazios, tanto públicos quanto privados, virem moradias populares. Há ainda reivindicações sobre o controle da inflação e aumentos reais de salários.
O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, diz que tem um plano. O governo investirá em habitações públicas. O objetivo é dinamizar imóveis privados também. O total de investimentos previstos para o setor é de 10 bilhões de euros.
As políticas de Montenegro incluem a construção de 133 mil residências. Esse número será financiado pelo orçamento da República e pelo Banco Europeu de Investimentos. Em outubro, ele disse que a nova lei precisa ser boa para o dono do imóvel e para o inquilino. Disse que é preciso coragem para mudar as regras. Acredita que isso vai resolver o problema.
O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, afirmou no fim de outubro que o governo executa o maior programa de habitação das últimas décadas. O plano combina apoio à compra e ao aluguel. Inclui incentivos à construção. O objetivo é colocar no mercado as casas que estão vazias. A Embaixada do Brasil em Lisboa informou que acompanha atentamente as manifestações. O Brasil é o país com mais brasileiros vivendo em Portugal. São 493 mil pessoas, um terço dos imigrantes no país. O número total é ainda maior, pois inclui quem tem dupla nacionalidade.


Foto mostra manifestantes montando tendas em praça pública por direito à moradia - Reuters/Pedro Nunes



