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26 de julho de 2026

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Jovens não querem ser chefes; entenda os motivos

MUNDO Carreira 26/07/2026 07:31 G1 folhamax.com

Uma pesquisa global mostra que a maioria dos jovens não tem como objetivo principal se tornar chefe ou líder no trabalho. Eles preferem qualidade de vida e estabilidade financeira a cargos de comando.

Diario Flip

Crescer na carreira, ganhar mais e conquistar bons benefícios é o sonho de praticamente todo trabalhador. Mas, para os mais jovens, esse caminho nem sempre passa por um cargo de liderança. É o que apontam pesquisas globais, como o levantamento da consultoria Deloitte, realizado em 2025.

Apenas 6% dos entrevistados da Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) e dos millennials, ou geração Y (nascidos entre 1978 e 1994), disseram que seu principal objetivo profissional era chegar a uma posição de chefia.

  • Apenas 6% dos jovens da Geração Z e Millennials querem ser chefes, segundo pesquisa da Deloitte.
  • Quase metade dos jovens (48% da Geração Z e 46% dos Millennials) não se sente segura financeiramente.
  • A falta de interesse por cargos de chefia não é preguiça, mas sim uma mudança no que eles consideram sucesso.
  • Muitos jovens só aceitariam um cargo de liderança se a empresa tivesse valores e práticas com as quais eles concordam.
  • Especialistas dizem que essa visão pode mudar com o tempo, conforme os jovens ganham mais experiência profissional.

Por outro lado, o mesmo estudo revela uma preocupação crescente com as finanças. Entre os participantes, 48% da Geração Z e 46% dos millennials afirmaram não se sentir financeiramente seguros.

Em 2024, esses índices eram de 30% e 32%, respectivamente, o que representa uma piora expressiva em apenas um ano.

Nesse cenário, ganhar mais dinheiro e assumir um cargo de gestão deixaram de ser objetivos necessariamente interligados. Trata-se de uma tendência global que também já se reflete no Brasil.

Liderança, sim mas sob certas condições

A rejeição à liderança está longe de ser uma regra geral. Para Lina Nakata, professora e pesquisadora da FIA Business School e autora do estudo Lugares Incríveis para Trabalhar, é um mito dizer que as gerações mais novas não querem liderar.

No recorte do primeiro semestre deste ano da pesquisa que coordena, os jovens apresentam uma propensão 32% menor de desejar cargos de liderança em comparação à média dos profissionais. Entre os entrevistados de 18 a 22 anos, liderar é prioridade para 15%. Já entre aqueles de 33 a 39 anos faixa etária que registra o maior interesse por cargos de gestão o percentual sobe para 23%.

"À medida que avançamos na carreira dentro das empresas, essa expectativa de liderança aumenta", afirma. Segundo ela, no início da trajetória profissional, ocupar um cargo de gestão nem sempre está entre as principais ambições dos trabalhadores.

Para Nakata, os jovens não deixaram de querer liderar; eles apenas desejam fazê-lo sob determinadas condições. "Eles vão querer a liderança à medida que se identificam com a organização. Quando percebem que estão de acordo com aquilo que a empresa propõe e que o discurso institucional está alinhado às práticas da companhia", analisa.

A pesquisadora também lembra que rotular os mais jovens como "desinteressados" pela liderança está longe de ser uma novidade. A mesma crítica, afirma, foi direcionada aos millennials quando eles ingressaram no mercado de trabalho.

"Quando cada grupo jovem chega ao mercado de trabalho, ele vai se adaptando. Estar naquele ambiente muda percepções e avaliações, e as pessoas passam a enxergar outras possibilidades. No início da carreira, pode haver menos interesse pela liderança, mas isso se altera com o tempo. Quando a geração Y chegou ao mercado, falava-se exatamente a mesma coisa", diz.

Mudança de prioridades, não falta de ambição

Atualmente, segundo a pesquisa, 15% dos jovens veem a liderança como um fator de realização profissional, o que, para a professora, relativiza a ideia de que existe uma rejeição generalizada aos cargos de chefia.

"Não quer dizer que nenhum jovem queira ser líder. Significa apenas que existe uma proporção menor de jovens que busca essa liderança."

O primeiro ponto a entender, segundo Nakata, é que a queda no interesse por cargos de gestão não reflete falta de ambição, mas uma mudança nos critérios de sucesso.

"Não diria que é falta de ambição. São expectativas e crenças diferentes sobre o que é sucesso na vida. Décadas atrás, havia um modelo mais padronizado de sucesso profissional, baseado em alcançar cargos mais altos e salários mais elevados. Hoje, vemos que a percepção de realização e do que é considerado satisfatório para a vida e para a trajetória profissional mudou", explica.

A professora afirma que os jovens tendem a questionar as premissas que o próprio mercado de trabalho estabelece como sinônimo de sucesso. Para ela, isso é positivo porque evita a naturalização de ideias como a de que "ser workaholic é legal" ou de que "viver estressado faz parte da rotina". Além disso, temas como saúde mental passaram a ser discutidos mais abertamente.

O social media Mateus Araújo, de 28 anos, faz parte desse grupo. Ele recusou uma proposta para coordenar sua equipe por considerar que o novo cargo exigia um perfil diferente do seu.

"Eu não imaginava que fosse ser cotado como o próximo nome da sucessão. Apesar de desempenhar um bom trabalho, acredito que os perfis sejam diferentes."

Segundo ele, o principal motivo para recusar a proposta foi ter discernimento de que as responsabilidades do cargo oferecido eram bastante distintas das que exercia até então. Além disso, a mudança significaria abrir mão de uma rotina que já considerava consolidada e sob controle.

Hoje, suas prioridades profissionais incluem estabilidade, qualidade de vida e flexibilidade para realizar trabalhos como freelancer "em uma rotina tranquila". Ainda assim, ele não descarta assumir uma posição de liderança no futuro.


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