O presidente argentino Javier Milei afirmou que não pode visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, enquanto o presidente Lula visitou Cristina Kirchner sem problemas. Ele também acusou o Brasil de financiar uma campanha contra a Argentina.
O presidente argentino Javier Milei chamou o presidente Lula de ex-presidiário e afirmou que ele não o deixou ver seu amigo, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Mitre, da Argentina, no último domingo (26).
Milei argumenta que Lula visitou a 'rê' Cristina Kirchner em julho de 2025 sem restrições, mas que não o deixaram visitar seu 'amigo' Jair Bolsonaro, que, segundo ele, estaria preso injustamente.
- Milei chamou Lula de ex-presidiário e criticou a visita dele a Cristina Kirchner.
- Ele disse que não pode visitar Bolsonaro, que está preso em casa.
- O presidente argentino acusou o Brasil de financiar uma campanha contra a Argentina.
- Ele também atacou o ministro Alexandre de Moraes, chamando-o de 'lixo careca'.
- O Brasil chamou seu embaixador na Argentina de volta para consultas por causa das ofensas.
O presidente argentino também acusou o Brasil de ter financiado um quarto de uma 'campanha anti-Argentina' que teria começado em meio a reações à seleção argentina durante a Copa do Mundo de 2026, ainda acusando o México e o Partido Democrata americano.
Milei disse: 'Sabe quem investiu mais dinheiro nesta campanha anti-Argentina Foi o governo brasileiro. 25% dos recursos saíram do governo do Brasil'.
Segundo o argentino, são membros da esquerda que não querem ver a 'liberdade' prosperar. Ainda sobre o Brasil, Milei questionou as falas do governo Lula sobre a visita do argentino ao Brasil em evento do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Ele afirmou: 'Eles vêm falar sobre interferência, quando eles tiveram um papel ativo na campanha de 2023. Ou vocês esqueceram que os assessores de Massa eram um grupo de brasileiros enviados por Lula'.
Sergio Massa concorreu com Milei durante o segundo turno das eleições de 2023.
Sem desculpas
O governo do presidente da Argentina não pretende pedir desculpas ao Brasil após a reação de Lula às declarações feitas pelo argentino durante a convenção do PL em São Paulo. A informação foi publicada pelo jornal argentino La Nación, que revela que a decisão já foi comunicada pelo governo de Buenos Aires e que não haverá retratação nem do presidente nem do embaixador argentino no Brasil.
Segundo o jornal, fontes do governo argentino indicaram que, apesar da convocação do embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi, pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro, não está prevista qualquer manifestação de desculpas. A publicação também aponta que o governo brasileiro não considera medidas mais severas, como rompimento das relações diplomáticas ou expulsão de representante.
A crise teve início após Milei participar no sábado (25) do evento de lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro. Durante um discurso de cerca de 30 minutos, o presidente argentino criticou o presidente Lula, atacou políticas do governo brasileiro e chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de 'lixo careca', por causa da decisão que impediu uma visita de Milei a Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Embaixador
O Brasil convocou seu embaixador na Argentina para consultas neste domingo (26), após 'ofensas proferidas pelo presidente argentino [Javier Milei] ontem' contra seu homólogo brasileiro e outras autoridades em um evento em São Paulo, informou o Itamaraty à AFP.
'O embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado para consultas', uma medida diplomática frequentemente tomada em resposta a atitudes hostis de outros países. Milei 'ofendeu dois Poderes, o povo e a democracia brasileira', disse uma fonte diplomática brasileira à AFP.
Figura proeminente da direita latino-americana, Milei alertou no evento, ao lado de seu aliado Flávio Bolsonaro, sobre 'o risco Lula' nas eleições e pediu que o Brasil se liberte da 'subjugação à esquerda'.
Considerado um inimigo político pelos apoiadores de Bolsonaro, Moraes havia negado a Milei permissão para visitar Jair Bolsonaro em sua prisão domiciliar em Brasília.
Em resposta às declarações do presidente argentino, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, decidiu convocar o embaixador para consultas, que chegará ao Brasil entre domingo e segunda-feira, informou uma fonte diplomática.




