O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que, se reeleito, vai enfrentar o Congresso para mudar as emendas parlamentares e o financiamento dos partidos. Ele também criticou pesquisas e pediu voto antes do prazo, o que pode gerar multa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, neste domingo (2/8), que, se for reeleito, pretende enfrentar o Congresso Nacional para mudar o papel das emendas parlamentares e o modelo de financiamento dos partidos. A declaração foi feita durante a convenção nacional do PT, em São Paulo, que oficializou sua candidatura à reeleição.
Lula disse que um quarto mandato será marcado por mudanças na relação entre os Poderes e defendeu uma atuação mais forte do Executivo. Minha quarta Presidência é para mudar muita coisa neste país. Vai ter briga com emenda parlamentar e com o papel que hoje tem o Legislativo, afirmou.
- Lula quer mudar as emendas parlamentares, que são verbas que os deputados e senadores indicam para seus redutos eleitorais.
- Ele também quer mudar o fundo partidário, que é um dinheiro público dado aos partidos para financiar suas atividades.
- Lula criticou as pesquisas de intenção de voto e disse que a campanha ainda não começou.
- Ele pediu votos antes do prazo permitido por lei, o que pode gerar multa.
- Na convenção, Lula também falou sobre a violência contra a mulher e disse que quem bate em mulher não vota em mim.
Segundo o presidente, o chefe do Executivo perdeu parte de suas atribuições nos últimos anos, o que, em sua avaliação, atrapalha a capacidade de governar. Ele afirmou que vai defender as prerrogativas da Presidência, como as indicações para agências reguladoras, tribunais superiores e outros órgãos federais.
Convenção oficializa candidatura
A convenção do PT homologou a candidatura de Lula à reeleição. Aos 80 anos, ele disputará o Palácio do Planalto pela sétima vez, buscando um quarto mandato, algo inédito na política brasileira. A chapa terá novamente Geraldo Alckmin (PSB) como vice, repetindo a composição vencedora de 2022. A coligação reúne PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSol e Rede.
O evento contou com a presença de lideranças aliadas, como o ex-ministro Fernando Haddad, que elogiou a projeção internacional de Lula, e a candidata ao Senado Simone Tebet, que criticou o grupo adversário.
Lula também disse que pretende ter uma postura mais firme no governo. Segundo ele, a intenção não é voltar a ser o Lulinha paz e amor, mas sim o Lulinha porreta, defendendo as mudanças que considera prioritárias.
Críticas ao fundo partidário
O petista criticou o atual modelo de financiamento público das legendas. Ele disse sentir falta da época em que os partidos arrecadavam dinheiro com seus filiados e simpatizantes para financiar campanhas. Sou triste com a política de hoje. Preferia meu partido quando tinha de vender camiseta para colocar gasolina e fazer comício. Negócio de fundo partidário não me agrada, porque está levando os partidos para a promiscuidade, afirmou.
Lula manda recado sobre pesquisas
Lula minimizou as pesquisas de intenção de voto e pediu que a militância concentre esforços no início oficial da campanha. Não fiquem preocupados com pesquisa. A guerra não começou, o campeonato não começou. Ele vai começar agora, disse.
Eu vou ser multado
Lula reconheceu que pediu votos antes do início oficial da campanha eleitoral e que pode ser punido pela Justiça Eleitoral. Na convenção da Bahia, no sábado (1º/8), ele havia dito: Estou pedindo para vocês não se cansarem de votar. Me elejam pela quarta vez para a gente poder fazer esse país definitivamente dar certo. Ele explicou: Eu falei na Bahia, pedi voto, mas eu não deveria ter pedido. Você só pode pedir depois do dia 15. Pela legislação, atos de pré-campanha são permitidos, mas pedidos explícitos de voto só podem ocorrer a partir de 16 de agosto.
Aceno ao eleitorado feminino
O presidente também voltou a direcionar mensagens às mulheres e condenou a violência contra elas. Quem bate em mulher não vota em mim, afirmou. Defendeu mais respeito às mulheres e disse que os homens precisam reconhecer o papel feminino na sociedade. Quando ele sentir raiva de uma mulher, tem que lembrar de onde ele veio: da barriga de uma mulher, declarou. Ele afirmou que pretende levar para um novo mandato políticas de proteção aos direitos das mulheres e de enfrentamento à violência de gênero.




