A Justiça da Bolívia determinou que a investigação sobre o ataque a tiros contra a ativista Nadia Beller não fique em segredo. O principal suspeito, Fernando Cerimedo, conselheiro do presidente, foi preso e nega envolvimento.
O presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Rómer Saucedo, afirmou que atendeu ao pedido da advogada e ativista Nadia Beller, de 33 anos, e determinou que a investigação sobre o atentado contra ela não fique em segredo. A decisão garante transparência e acesso total das partes ao processo.
"Em resposta ao pedido da vítima e amiga, determinei que o juiz não declare o processo confidencial, para que ela possa ter acesso a todas as informações e receba as garantias necessárias", disse Saucedo a jornalistas.
- Nadia Beller foi baleada na última segunda-feira (17) em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.
- Ela levou três tiros: no pescoço, no tórax e no braço direito, e segue internada.
- O principal suspeito é Fernando Cerimedo, conselheiro do presidente, que foi preso ao tentar deixar o país.
- Nadia acusa Cerimedo de ser o mandante do ataque e diz que ele a incentivou a ir ao local.
- A Justiça determinou que a investigação não fique em sigilo para garantir transparência e apuração completa.
O presidente do TSJ também solicitou ao Tribunal de Justiça de Santa Cruz de la Sierra que empenhe esforços para esclarecer o caso. Ele acrescentou que, se o Ministério Público pedir uma medida a qualquer hora, o juiz deve cumprir imediatamente.
O atentado ocorreu na segunda-feira (17). Nadia estava em frente a um hotel quando dois motociclistas se aproximaram e atiraram. O Ministério Público confirmou que ela foi atingida por três balas.
Suspeito preso
Na terça-feira (18), a polícia prendeu o argentino Fernando Cerimedo, de 45 anos. Ele é conselheiro do presidente boliviano Rodrigo Paz e já foi estrategista do governo de Javier Milei, na Argentina. Cerimedo foi detido no aeroporto quando tentava embarcar para a Argentina. Ele já admitiu ter tido um relacionamento amoroso com Nadia, que, segundo as autoridades, está grávida de poucos meses.
A ativista, de dentro do hospital, gravou vídeos e deu entrevistas dizendo que foi ao hotel para encontrar uma pessoa que entregaria provas contra o ex-presidente Evo Morales. Ela afirma que Cerimedo a incentivou a ir, garantindo que haveria segurança. "Ele me disse que não ia acontecer nada, porque não teria lógica atacar em um hotel com câmeras. Ele apoiou minha ida e mentiu ao dizer que me mandou escoltas", declarou Nadia.
A defesa de Cerimedo nega tudo e afirma que ele é vítima de armação política. No entanto, o fiscal-geral do Estado, Roger Mariaca Montenegro, disse que os promotores vão pedir a prisão preventiva por até 180 dias, acusando o conselheiro de tentativa de feminicídio. "Não podemos esquecer que, além dos autores materiais, pode haver autores intelectuais envolvidos", afirmou Montenegro.
Reação do presidente
Na quarta-feira (19), o presidente Rodrigo Paz comentou o caso nas redes sociais. Ele disse que pediu uma investigação profunda, transparente e exaustiva, e garantiu que Nadia terá segurança e que o processo terá "absoluta transparência e independência".
Fernando Cerimedo ficou conhecido no Brasil em 2022, quando participou de uma transmissão ao vivo negando a vitória de Lula nas eleições, sem apresentar provas. A Justiça brasileira mandou retirar o vídeo do ar. Ele também foi indiciado pela Polícia Federal por sua participação nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
O caso ganhou repercussão internacional e a revista The Economist já o chamou de "o homem do MAGA na América Latina", em referência ao slogan de Donald Trump.




