O governo dos Estados Unidos negou passaportes a lideranças palestinas como Mahmoud Abbas para a Assembleia Geral da ONU, justitando a decisão em sanções por falta de avanços na paz com Israel, enquanto intensifica a pressão contra o Tribunal Penal Internacional.
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a negação de vistos para uma delegação de alto nível da Palestina. A ação visa impedir a participação dessas autoridades na reunião anual de líderes mundiais na Assembleia Geral da ONU. Trata-se de uma medida que se repete pelo segundo ano consecutivo, reforçando o distanciamento diplomático entre Washington e a Autoridade Palestina.
Segundo o Departamento de Estado, a decisão está fundamentada em uma avaliação de que as autoridades palestinas, incluindo o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, não cumpriram os acordos anteriores destinados à busca da paz com Israel. O governo americano aponta uma postura que considera contrária à resolução do conflito na região.
- Os EUA negaram vistos a palestinos pela segunda vez para a Assembleia Geral da ONU.
- Maurohm Abbas está entre os principais nomes que não poderão viajar.
- A justificativa citada é o não cumprimento de acordos de paz com Israel.
- Os EUA continuam sanções contra líderes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
- Os palestinos serão representados na ONU por diplomatas já credenciados no local.
A nota oficial do governo americano afirma que a Autoridade Palestina continuou a promover ações legais contra Israel tanto na Corte Internacional de Justiça (CIJ) quanto no Tribunal Penal Internacional (TPI). Além disso, o comunicado aponta que os palestinos mantêm o pagamento de auxílios financeiros às famílias de presos que foram condenados por ataques contra israelenses. A declaração também menciona o envolvimento de integrantes ligados à Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
Sanções e a Relação com a Paz
Citaram-se as leis americanas em vigor para justificar o bloqueio. Um porta-voz do departamento afirmou que, devido ao fracasso em reformar a postura e em desacordo com os compromissos assumidos com os Estados Unidos, as sanções que negam vistos serão estendidas. O objetivo declarado é punir atividades que, segundo Washington, minam as perspectivas de acordo entre as partes.
Essa decisão reforça a linha de restrições de visto adotada pela atual administração e sinaliza a proximidade política dos EUA com Israel. O país enfrenta um isolamento internacional crescente, especialmente após o início da guerra em Gaza, que teve início com os ataques de 7 de outubro de 2023, atribuídos ao grupo Hamas. Embora um cessar-fogo frágil tenha sido mediado pelos EUA em outubro, os ataques de Israel no território palestino continuaram.
Simultaneamente a esse episódio, Washington intensificou uma campanha política para enfraquecer as bases do Tribunal Penal Internacional. Os Estados Unidos acusam a corte de tentar processar injustamente militares americanos e israelenses por supostos crimes cometidos no Afeganistão, no Iraque e em Gaza. É importante notar que nem os EUA nem Israel são membros do tribunal.
Presença na ONU e Assentamentos em Israel
Embora os líderes de alto nível estejam impedidos de viajar, os palestinos ainda terão representação. Na reunião de alto nível da próxima semana, diplomatas já credenciados permanentemente na ONU representarão o país. No ano anterior, frente à mesma situação, o presidente Abbas havia participado das sessões por meio de videoconferência.
Paralelamente a essa crise diplomática, Israel iniciou um processo de licitação para a construção de mais 2.167 unidades habitacionais. O projeto faz parte do plano de assentamento na área conhecida como E1, na Cisjordânia. Com essa adição, o total de moradias no local chega a 3.401 unidades. Especialistas e críticos alertam que essa expansão, localizada a leste de Jerusalém, pode dividir a Cisjordânia e dificultar a criação de um futuro Estado palestino.
Diante dessa expansão, um porta-voz de Abbas classificou a abertura de novas licitações como uma violação clara do direito internacional. Em contrapartida, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, optou por não emitir comentários oficiais sobre o assunto. Vale destacar que o projeto E1 havia permanecido congelado por vários anos justamente devido à pressão exercida pelos Estados Unidos contra os assentamentos considerados ilegais pela comunidade internacional.




