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22 de setembro de 2026

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Trump ameaça usar exército dos EUA contra países da América Latina

MUNDO Trump 22/09/2026 15:14 Lucas Pordeus León - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

Durante discurso na ONU, presidente dos Estados Unidos afirma que pode invadir nações do continente para proteger interesses americanos, comparando cartéis a grupos terroristas, enquanto Lula critica ingerências e defesa da soberania.

Diario Flip

Em seu discurso de quase 40 minutos na sede das Nações Unidas (ONU), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o uso de forças militares em países da América Latina e do Caribe. Ele afirmou que o objetivo é garantir os interesses da Casa Branca na região, demonstrando uma postura de intervenção direta.

Trump participou da abertura da 81º Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira (22). Ele falou logo após o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu a soberania da América do Sul e declarou que o Brasil não faz parte do quintal de ninguém, criticando tentativas de controle de outras potências.

  • Trump ameaçou usar o poder militar dos EUA para proteger interesses na América Latina.
  • Ele comparou os cartéis de drogas da região ao grupo terrorista ISIS.
  • O presidente dos EUA citou a Venezuela e o México como alvos de sua retórica.
  • A delegação de Cuba saiu da sala em protesto durante a fala de Trump.
  • Lula criticou ações neocoloniais e ingerências externas na política da região.

Em suas palavras, o líder americano justificou a posição com uma citação impactante: Nossas ações na Venezuela provam que os EUA não permitirão mais que ameaças à América [EUA] ganhem terreno em qualquer parte do Hemisfério Ocidental. E, se necessário, usaremos nosso poderio militar inigualável para garantir os interesses nacionais vitais dos EUA.

Discurso envolve críticas à Venezuela e acordos petrolíferos

Trump destacou em seu discurso a invasão militar realizada na Venezuela em janeiro deste ano. Ele comemorou o acordo petrolífero firmado com a presidente encarregada, Delcy Rodríguez, que transferiria o controle de até 21% do petróleo venezuelano para uma empresa vinculada ao Pentágono, o que gerou polêmica internacional.

Sobre a ação, Trump comentou: Foi uma guerra, mas talvez seja o maior negócio já realizado. Ao vencedor pertencem os espólios; todos vocês já ouviram isso. A fala ignora as críticas da comunidade internacional sobre a legalidade e as consequências humanitárias da intervenção.

Os Estados Unidos invadiram o país e sequestraram o presidente Nicolás Maduro com a alegação de que a Venezuela seria um narcoestado. No entanto, esse argumento foi rejeitado por diversos especialistas em relações internacionais, que apontam inconsistências e interesses políticos por trás da classificação.

Retirada de acusações e mudança na política contra a Venezuela

Após a prisão de Maduro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos retirou a acusação formal de que ele lideraria o suposto Cartel de Los Soles. A existência desse grupo específico não é consenso entre os analistas de segurança, levantando dúvidas sobre as motivações reais da invasão.

Em passo recente, na semana passada, os EUA tiraram a Venezuela da lista de países que não combatem o narcotráfico, uma classificação na qual o país estava inserido desde o ano de 2005. Essa mudança reflete uma redefinição abrupta da postura diplomática e militar americana em relação ao país vizinho.

Bloco de países e organizações de direitos humanos questionam a legitimidade dessas mudanças, alegando que elas servem apenas para justificar interferências políticas em governos eleitos democráticamente, desrespeitando a autodeterminação dos povos.

Trump compara cartéis da América Latina ao ISIS

Outro ponto central do discurso foi a comparação feita por Trump entre os cartéis de drogas da América Latina e o grupo terrorista ISIS, com origem no Iraque e na Síria. Essa equiparação visa justificar ações de guerra convencional contra essas organizações criminosas, tratando-as como ameaças globais.

Acionei as Forças Armadas dos Estados Unidos para eliminá-los. Os cartéis são o ISIS do Hemisfério Ocidental, declarou Trump. Essa narrativa tem sido repetida por secretários de Estado dos EUA como pretexto para possíveis operações militares em nações da região, ignorando a complexidade do crime organizado.

Analistas de política externa alertam que essa posição da Casa Branca pode ser usada como um pretexto para interferir na política interna de países latino-americanos. A comparação pode legitimar violações de soberania sob a premissa de segurança nacional dos EUA.

Ameaças ao México e reação de Cuba

Trump também direcionou críticas ao México, afirmando ter boas relações com a presidente Claudia Sheinbaum, mas declarando inaceitável a fronteira com um país que ele classifica como o epicentro da violência dos cartéis.

Portanto, o México deve retomar o controle de seu território das mãos dos inimigos da humanidade, afirmou o presidente americano. A fala ignora a capacidade e a vontade do governo mexicano de lidar com a segurança interna sem intervenção estrangeira.

Diante das ameaças, a delegação de Cuba se retirou do plenário da ONU durante a fala de Trump em sinal de protesto. O governo mexicano, por sua vez, elevou o tom, acusando os EUA de ingerência em assuntos internos e defendendo que a luta contra os cartéis não pode ser desculpa para intervenções externas.

Lula critica ingerências e modelo de dominação na região

Antes de Trump, o presidente Lula alertou que a América Latina e o Caribe sofrem pressão por estarem geograficamente próximas da maior potência militar do planeta. Ele condenou o que chamou de tentativa de subjugação da região por potências estrangeiras.

Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais, disse Lula, citando os casos recentes de interferências na Venezuela, Haiti e Cuba como exemplos dessa postura agressiva.

O discurso de Lula buscou unir os países da região em uma frente comum de defesa da soberania e do direito de autodeterminação, contrastando com a retórica imperativa de Washington. A tensão entre as potências e a região continua a ser um dos temas centrais da atualidade geopolítica.


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