Najmeh Amini, de 23 anos, foi sentenciada à morte no Irã após publicar mensagens consideradas ofensivas ao profeta Maomé. A estudante alega que estava sob efeito de alucinógenos, mas a Justiça não aceitou a defesa. O caso gera preocupação internacional pelos riscos à liberdade de expressão e pelo alto número de execuções no país em 2026.
Uma estudante de 23 anos foi condenada à morte no Irã por publicações feitas nas redes sociais. Najmeh Amini recebeu a sentença após ser acusada de blasfêmia, crime que pode ser punido com a pena capital no país. A jovem está presa na penitenciária de Vakilabad, na cidade de Mashhad, no nordeste iraniano.
A condenação foi proferida em 16 de setembro de 2026, segundo relato da própria estudante. A decisão ocorreu em primeira instância e ainda poderá ser contestada nas instâncias superiores da Justiça iraniana.
- Najmeh Amini foi condenada à morte por posts nas redes sociais.
- Ela alega que estava sob efeito de cogumelos alucinógenos.
- O juiz rejeitou a justificativa e manteve a sentença.
- A defesa tenta usar leis de exceção para anular o crime.
- O caso pode ser analisado pela Suprema Corte do Irã.
Alegação de uso de alucinógenos
De acordo com informações divulgadas pelo Metrópoles e pelo UOL, Najmeh foi acusada de sab ol-nabi, expressão utilizada na legislação iraniana para designar ofensas ao profeta Maomé.
Além da sentença de morte, ela recebeu uma pena de 12 anos, seis meses e um dia de prisão em outro processo, por acusações relacionadas à segurança nacional e à propaganda contra o regime.
Durante o processo, Najmeh alegou que não tinha a intenção de cometer blasfêmia e que publicou as mensagens enquanto estava sob efeito de cogumelos alucinógenos.
Eu havia consumido cogumelos alucinógenos com alguns amigos e, em estado alucinatório, postei essas frases nas redes sociais após me deixar levar pela atmosfera, declarou a estudante, segundo informações divulgadas por organizações de direitos humanos.
Rejeição da defesa
A defesa argumentou que as publicações ocorreram em um estado de alteração da consciência e que as declarações não foram intencionais.
O juiz, entretanto, rejeitou a justificativa.
Segundo o relato da jovem, o magistrado questionou por que ela não havia dirigido insultos a outros alvos, como os Estados Unidos e Israel, caso realmente estivesse sob efeito de alucinógenos.
Exceções legais ignoradas
Organizações de direitos humanos destacam que a própria legislação iraniana estabelece circunstâncias nas quais uma pessoa não deve ser considerada culpada pelo crime de insultar o profeta.
Entre elas estão situações de coerção, erro, embriaguez, raiva, falta de intenção ou desconhecimento do significado das palavras utilizadas.
A defesa de Najmeh tentou utilizar essas disposições legais para afastar a acusação de blasfêmia, mas os argumentos não foram aceitos na primeira instância.
A condenação ainda não é definitiva e poderá ser analisada pela Suprema Corte do Irã.
Contexto de prisão
Najmeh Amini foi detida em 31 de janeiro de 2026, no shopping Ferdowsi, em Mashhad, durante uma onda de manifestações contra o governo iraniano.
Segundo a agência de notícias de direitos humanos Hrana, a prisão ocorreu de forma violenta. Posteriormente, a estudante foi transferida para a penitenciária de Vakilabad.
Os protestos haviam começado em 28 de dezembro de 2025, inicialmente motivados pela desvalorização da moeda iraniana e pelo aumento do custo de vida.
Com o passar das semanas, comerciantes, estudantes e outros setores da população aderiram às manifestações, que passaram a incluir críticas ao regime da República Islâmica.
Apelo internacional
Em setembro, Najmeh divulgou um áudio gravado na prisão no qual pediu ajuda à Organização das Nações Unidas (ONU), a advogados e a entidades internacionais de defesa dos direitos humanos.
Sou uma jovem inocente com tantas esperanças e sonhos, afirmou.
A estudante pediu que seu caso recebesse atenção internacional diante da possibilidade de execução.
A situação provocou manifestações de preocupação de organizações que acompanham a aplicação da pena de morte no Irã.
Alertas sobre liberdade de expressão
Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da organização Iran Human Rights, classificou a condenação como extremamente preocupante.
Condenar uma jovem de 23 anos à morte por algo que expressou nas redes sociais é um desenvolvimento extremamente alarmante, declarou.
A entidade, sediada em Oslo, na Noruega, alerta que o caso pode ampliar a utilização da pena capital contra pessoas que manifestam opiniões pacíficas na internet.
Segundo dados divulgados pela organização e citados pelo Metrópoles, o Irã já realizou 635 execuções em 2026, incluindo as de 23 mulheres e dois menores de idade.
A maioria das execuções registradas neste ano está relacionada a crimes como homicídio e delitos envolvendo drogas.
Em 2023, dois homens, Yousef Mehrdad e Sadrollah Fazeli Zare, foram executados no Irã após condenações por blasfêmia.
Agora, organizações de direitos humanos pedem uma reação internacional para impedir que a sentença contra Najmeh Amini seja executada.






