??ºC Tempo Cuiabá-MT Cuiabá-MT

06 de novembro de 2026

pt-br

MUNDO

Presidente do Paraguai renuncia após quebra de banco que afetou milhões

MUNDO Renúncia 06/11/2026 06:42 Pauta Diária pautadiaria.com.br

Santiago Peña deixou a Presidência do Paraguai após uma crise política causada pela intervenção no Ueno Bank, banco digital com cerca de 2,9 milhões de clientes e recursos públicos. O vice Pedro Alliana deve assumir, e o caso segue no Congresso e no Senado.

Diario Flip

Santiago Peña renunciou à Presidência do Paraguai, seguindo as regras constitucionais do país.

A medida foi proposta por deputados da oposição e ganhou força depois que setores da própria base do governo deixaram de apoiar o presidente.

A crise política piorou quando o Partido Colorado, legenda de Peña, passou a admitir que o processo contra o próprio governo poderia avançar.

  • Peña renunciou após a quebra do Ueno Bank, banco digital com cerca de 2,9 milhões de clientes.
  • O Paraguai tem cerca de 6,1 milhões de habitantes, ou seja, o banco atendia quase metade da população.
  • O Banco Central apontou problemas graves de solvência, isto é, o banco não tinha capital suficiente para cobrir riscos.
  • Havia cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos no banco, segundo a Reuters, e cerca de US$ 800 milhões em depósitos públicos, segundo a Associated Press.
  • O vice-presidente Pedro Alliana deve assumir se o Congresso formalizar a saída de Peña, e o caso também segue para o Senado.

Crise do Ueno Bank colocou o governo contra a parede

O estopim da crise foi a intervenção no Ueno Bank, instituição digital que atendia aproximadamente 2,9 milhões de clientes, em um país com cerca de 6,1 milhões de habitantes.

O Banco Central do Paraguai determinou a resolução da instituição depois de identificar problemas graves nos índices de solvência. A autoridade reguladora apontou que, após ajustes nos balanços, o índice de capital do banco ficou abaixo do mínimo exigido.

A quebra deixou milhões de clientes sem acesso imediato às próprias contas, provocando protestos e uma forte reação política.

Segundo a Reuters, o banco administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos. A Associated Press informou que cerca de US$ 800 milhões em depósitos públicos estavam na instituição, incluindo recursos destinados a fundos de pensão e saúde.

Vínculo de Peña com o banco aumentou a pressão

A crise ganhou dimensão política porque Peña manteve vínculos empresariais anteriores com o grupo relacionado ao Ueno Bank.

O presidente foi acionista da holding ligada ao banco até março de 2025, antes de deixar a participação. A oposição passou a questionar a relação entre o governo e a instituição financeira e levantou suspeitas sobre a destinação de recursos públicos ao banco.

Peña, por sua vez, negou ter cometido irregularidades relacionadas à sua antiga participação empresarial.

Presidente do Banco Central também deixou o cargo

A crise atingiu ainda o comando da autoridade monetária paraguaia.

Carlos Carvallo, presidente do Banco Central do Paraguai desde 2023, renunciou ao cargo antes da saída de Peña. Carvallo havia ocupado anteriormente a presidência do Ueno Bank, o que ampliou os questionamentos sobre a relação entre o sistema financeiro e o governo.

As autoridades também prenderam dirigentes ligados à instituição e ampliaram as investigações sobre possíveis irregularidades na gestão do banco, incluindo operações de crédito envolvendo empresas relacionadas ao grupo controlador.

O que acontece agora

Com a renúncia, o processo de sucessão deverá levar o vice-presidente Pedro Alliana à Presidência, caso o Congresso formalize a saída de Peña.

Alliana deverá permanecer no comando até o fim do atual mandato, previsto para agosto de 2028.

Apesar da renúncia, o processo político contra Peña não desaparece automaticamente. A Câmara já aprovou a acusação e o caso será encaminhado ao Senado.

O Paraguai entra, portanto, em uma nova etapa de instabilidade política justamente quando o governo tenta conter os efeitos da maior crise bancária recente do país.

A queda de Peña encerra, ao menos por enquanto, uma das administrações mais pressionadas da história recente do Paraguai, mas deixa em aberto uma pergunta central: quem será responsabilizado pelo rombo e pelos milhões de paraguaios que ficaram sem acesso ao próprio dinheiro


Whatsapp image 2026 09 22 at 18.03.11Whatsapp image 2026 09 22 at 15.00.47

Newsletter