O Senado paraguaio rejeitou o pedido de prorrogação do processo de impeachment do presidente Santiago Peña, que tentou renunciar após escândalo bancário. A votação foi de 39 a 3 contra a extensão do prazo, forçando a continuidade imediata do julgamento para evitar que o presidente ganhe tempo ou se torne senador vitalício.
Os senadores do Paraguai votaram contra a extensão do prazo do processo de impeachment de Santiago Peña, presidente do país. A medida foi tomada após uma tentativa do chefe de Estado de renunciar, motivada por um escândalo bancário que congelou os bens de grande parte da população paraguaia.
O Senado julga nesta sexta-feira (6) o impeachment de Peña, que havia solicitado 72 horas para preparar sua defesa. Após uma pausa de 30 minutos na sessão, o pedido foi negado pelo placar de 39 a 3, obrigando a continuidade do processo.
- A votação foi apertada: 39 senadores votaram contra a prorrogação e apenas 3 a favor.
- Dois senadores se abstiveram: Celeste Amarilla e Silvio 'Beto' Ovelar não votaram.
- O julgamento continua: A sessão retoma após mais 30 minutos de pausa.
- Peña é obrigado a comparecer: O presidente ou sua equipe jurídica deve estar presente na Câmara Alta.
- Risco de prisão: Caso seja afastado, Peña perde a imunidade e pode responder a processos judiciais.
Peña tenta renúncia para ganhar tempo, mas Congresso reage
Santiago Peña anunciou na tarde de quinta-feira (5) que apresentou o pedido de renúncia ao cargo de presidente do Paraguai. A decisão ocorreu após o escândalo envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira ligada a antigos sócios do chefe de Estado.
O Congresso ignorou o pedido de renúncia e manteve o processo de impeachment em andamento. Se a renúncia tivesse sido aceita, Peña poderia assumir o cargo de senador vitalício, participando dos debates sem poder votar e mantendo a imunidade parlamentar. Contudo, caso seja afastado por impeachment, o presidente paraguaio perde essa proteção e pode se tornar alvo de processos judiciais.
Crise bancária afeta milhões de paraguaios
Milhares de paraguaios foram às ruas de Assunção na terça-feira (3) exigindo a liberação de seus depósitos do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país. A instituição financeira foi colocada sob intervenção depois de ser declarada insolvente, ou seja, sem capacidade de pagar suas dívidas.
O Banco Central do Paraguai determinou o bloqueio de recursos públicos e das economias de milhões de clientes. Nesta quarta-feira (4), o órgão suspendeu temporariamente saques de dinheiro de determinados fundos de investimentos vinculados ao Ueno Bank. A instituição atendia quase metade dos 6,4 milhões de paraguaios, impactando diretamente o cotidiano de uma parcela enorme da população.
Garantia aos poupadores e prisões de suspeitos
O Banco Central comunicou que fará um adiantamento da garantia do Fundo de Garantia de Depósitos aos poupadores do Ueno Bank. O valor será de até 40 salários mínimos, mas dívidas pendentes com a instituição financeira serão deduzidas desse montante antes do repasse aos clientes.
Já a Justiça do Paraguai determinou a prisão preventiva de oito suspeitos de envolvimento na crise bancária. Dentre os detidos, estão Juan Manuel Gustale, presidente do Ueno Bank, e Federico Miguel Vázquez, diretor-executivo da instituição financeira.






