O Congresso Nacional chega à eleição de 2026 com mais poder e menos dependência do próximo presidente. Isso acontece porque os deputados e senadores agora controlam um volume muito maior de recursos públicos através das emendas parlamentares, que são verbas que eles podem enviar para suas bases eleitorais sem precisar de negociação com o governo.
O Congresso Nacional chega às eleições de 2026 menos dependente do próximo presidente para conseguir dinheiro para as bases de deputados e senadores. Isso porque, nos últimos anos, o Legislativo aumentou muito o valor das emendas parlamentares, que são verbas que os parlamentares podem indicar para seus municípios e estados.
Ao mesmo tempo, os partidos do chamado Centrão estão menos interessados em se juntar oficialmente aos candidatos à Presidência. Antigamente, apoiar um candidato que tinha chance de vencer era uma forma de tentar garantir recursos do Orçamento no futuro. Agora, com mais dinheiro nas mãos do próprio Congresso, essa necessidade diminuiu.
- As emendas individuais e de bancada somam R$ 26,56 bilhões no Orçamento de 2026 e são de pagamento obrigatório.
- O Congresso aprovou uma regra que obriga o governo a pagar 65% de algumas emendas até o primeiro semestre deste ano.
- Com esse dinheiro garantido, deputados e senadores não precisam se comprometer com um candidato presidencial para conseguir verba.
- Partidos como União Brasil, PP, MDB e Republicanos vão ficar neutros na disputa para o Planalto.
- O foco desses partidos é eleger a maior bancada possível para negociar cargos e poder em 2027.
No Orçamento de 2026, as emendas parlamentares tiveram uma previsão inicial de R$ 49,9 bilhões. Desse valor, R$ 26,56 bilhões são de emendas individuais e de bancadas estaduais, que o governo é obrigado a pagar. Outros R$ 12,1 bilhões foram separados para as emendas de comissão, que não são impositivas.
O que as emendas mudaram
As emendas individuais se tornaram obrigatórias por uma mudança na Constituição feita em 2015. Isso quer dizer que o governo não pode deixar de pagar uma emenda só porque o deputado é da oposição ou não quer votar com o Planalto.
Em 2026, o Congresso avançou ainda mais. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) estipulou um prazo para o Executivo pagar parte das emendas impositivas. A regra manda que o governo pague, até o fim do primeiro semestre, 65% de algumas emendas individuais e de bancada. Isso era um pedido antigo dos parlamentares e foi combinado entre o Congresso e o governo.
Na prática, o parlamentar agora tem mais certeza para dizer a um prefeito ou governador que o dinheiro vai chegar. É exatamente aí que as emendas se ligam à eleição presidencial: quanto mais o deputado consegue levar dinheiro para seu estado por conta própria, menos ele precisa apostar em um candidato à Presidência só para conseguir acesso ao Orçamento.
Ainda assim, o presidente continua mandando em ministérios, cargos, programas federais, investimentos e em grande parte das despesas que não são obrigatórias. Ele também continua precisando de maioria no Congresso para aprovar suas leis e governar.
Partidos preferem eleger bancadas
Esse fortalecimento acontece justamente em uma eleição em que partidos importantes do Centrão diminuíram a participação nacional nas campanhas presidenciais.
Partidos com muitas cadeiras no Congresso, como União Brasil, PP, MDB e Republicanos, decidiram ficar neutros e não vão apoiar nenhum nome para o Palácio do Planalto. Até o PSD, que tem Ronaldo Caiado como candidato, liberou seus diretórios estaduais para apoiar outros presidenciáveis.
A ideia desses partidos é que, em vez de apostar agora em quem vai ser o próximo presidente, é melhor focar em eleger o maior número possível de deputados e senadores para chegar forte em 2027. Se Lula vencer, ele vai precisar de votos no Congresso. Se Flávio vencer, também. E o mesmo vale para qualquer outro candidato que chegar ao governo.
Uma bancada grande dá aos partidos poder para negociar presidências de comissões, relatorias, cargos, ministérios, espaço na agenda legislativa e participação na base de apoio do novo governo. Esses parlamentares também controlam dezenas de bilhões de reais em emendas ao Orçamento.
Portanto, a neutralidade agora custa menos do que custaria em um Congresso mais dependente do Executivo. O partido pode evitar uma aposta presidencial, concentrar suas forças na eleição dos próprios candidatos e, depois que a eleição acabar, negociar com quem o eleitor escolheu.
Mas as emendas não são a única explicação para esse comportamento. Disputas regionais e diferenças de ideias também pesam na decisão dos partidos.





