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24 de agosto de 2026

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Emojis viram sinais secretos do crime no Rio; saiba como funciona

POLÍCIA Crime 24/08/2026 07:12 Anna Bustamante e Roberta de Souza, EXTRA extra.globo.com

Traficantes no Rio estão de olho no celular de moradores e entregadores. Figurinhas e emojis que parecem normais podem ser vistos como sinal de ligação com facções rivais, e isso pode colocar pessoas em perigo. A polícia explica como esses códigos são usados e dá dicas para se proteger.

Diario Flip

Emojis, usados nas redes sociais para reforçar ou transmitir mensagens, deixaram de ser apenas elementos inofensivos e divertidos. Símbolos que parecem banais passaram a integrar códigos usados para tratar de crimes que vão da exploração sexual infantil à discriminação, além de fazer alusão a facções do tráfico e ajudar a construir a identidade de organizações criminosas. No Rio, onde grupos armados exercem domínio sobre territórios, essa simbologia pode ultrapassar as telas e ter consequências na vida real. Traficantes passaram a observar, nos celulares de moradores e entregadores, o uso dessas figurinhas como possível sinal de conexão ou simpatia por quadrilhas rivais.

Os criminosos estão de olho em tudo o que pode indicar se uma pessoa tem ligação com uma facção rival. O histórico de pesquisas, as figurinhas do WhatsApp, as músicas favoritas e até a forma como os contatos são salvos na agenda podem ser usados como motivo de suspeita. Um morador da Favela da Malvina, em Anchieta, contou que foi parado e teve o celular revistado. Ele passou por humilhação, mas não tinha nada. Essa prática de risco faz parte de um cenário de violência e medo imposto pelo crime organizado.

  • Emojis como armas: figuras simples como mãozinha, bandeira e animais viram códigos de facções.
  • Checagem violenta: traficantes revistam celulares de moradores para achar qualquer sinal de ligação com grupos rivais.
  • Comércio de drogas disfarçado: plantas significam maconha, cristais significam metanfetamina tudo em conversas criptografadas.
  • Alerta para os pais: a Childhood Brasil alerta para emojis usados em crimes de exploração sexual infantil, como pizza e milho.
  • Glossário para decifrar: o MP do Rio Grande do Sul criou um site para ajudar a entender o significado oculto dos símbolos.

Como a polícia usa esses códigos

O promotor Fábio Corrêa, do Ministério Público do Rio, explica que, para as investigações, emojis e símbolos nunca são usados sozinhos para acusar alguém. Eles ajudam a entender o contexto e a posição de um suspeito dentro de uma organização criminosa. No entanto, o cuidado que as autoridades têm não é o mesmo que os criminosos usam quando julgam um morador. Eles podem interpretar qualquer figurinha como sinal de rivalidade e agir de forma violenta.

O advogado criminalista Lucas Leão publicou um vídeo alertando sobre isso. Ele mostrou que traficantes observam bandeiras, figurinhas, músicas e até a forma como os contatos são salvos. O vídeo gerou muitos relatos de moradores que passaram por situações semelhantes. Um deles contou que, na Favela da Malvina, os criminosos checaram seu histórico no YouTube para ver se ele ouvia músicas associadas a uma facção rival. Eles também procuraram figurinhas no WhatsApp e grupos, mas ele não tinha nada. Só foi humilhado e liberado.

Emojis de facções e o tráfico de drogas

O delegado Moyses Santana, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), afirma que emojis aparecem com frequência nas investigações como referências a chefes do tráfico. Por exemplo, a figurinha de um urso é usada para representar Edgar Alves de Andrade, o Doca, do Comando Vermelho. O desenho também é usado para esconder o rosto de bandidos em fotos com armas ou drogas. O Comando Vermelho usa a bandeira vermelha e a mão com dois dedos levantados, que era o símbolo de paz no passado, mas agora significa Tudo 2. O Terceiro Comando Puro, por sua vez, usa a mão com três dedos para Tudo 3 e a bandeira de Israel, ligada ao chefe Peixão, do Complexo de Israel.

Emojis também são usados para vender drogas. Uma planta pode significar maconha, e um cristal pode indicar metanfetamina, conhecida como tina. O delegado diz que há investigações que mostram o uso desses símbolos para designar líderes de facções em conversas por aplicativos. O promotor Fábio Corrêa acredita que essa linguagem ajuda a atrair jovens, criando uma identidade lúdica que disfarça a crueldade do crime. Ele compara isso a bailes com referências ao tráfico dentro do jogo Roblox. Essa estratégia reforça a ideia de nós contra eles e é muito prejudicial.

Como os símbolos chegam aos jovens

Eduardo Dyna, pesquisador da Unesp e da UFSCar, explica que as redes sociais estimulam sentimentos de grupo e pertencimento. Isso acontece em vários lugares, como futebol, carnaval e política. Os criminosos usam esses símbolos para se enaltecer e construir uma imagem de herói nas disputas contra facções rivais. Muitos jovens podem reproduzir esses códigos sem entender as consequências reais. Alguns até sentem admiração por essas dinâmicas, o que aumenta o risco de cooptação.

Além do tráfico, emojis também são usados em crimes de exploração sexual infantil. A organização Childhood Brasil alerta que certos símbolos ganharam significados diferentes dos originais. Por exemplo, o emoji de milho (corn, em inglês) lembra porn (pornografia). O de macarrão instantâneo (noodles) é usado para nudes. O desenho de pizza pode significar cheese pizza, que é a abreviação de Child Porn (pornografia infantil). Esses códigos são perigosos e exigem atenção dos pais.

Como se proteger e entender os códigos

O Ministério Público do Rio Grande do Sul criou um site chamado Decodificando os Sin@!s, onde é possível verificar o que cada emoji pode significar. A delegada Maria Luiza Machado, da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima, explica que os criminosos usam esses símbolos para se identificar entre si e escapar dos filtros das redes sociais, que derrubam conteúdos relacionados a abuso infantil. Ela reforça que os pais devem acompanhar as redes sociais dos filhos e prestar atenção nos códigos e gírias que eles usam. É importante perguntar o que significam os emojis e siglas, e observar o contexto das conversas. A prevenção é a melhor forma de manter as crianças seguras.


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