O Ministério Público de Mato Grosso do Sul deflagrou a Operação Infiltrados, que resultou na prisão de 12 policiais civis, militares e penais. Os agentes são acusados de formar um esquema para desviar cocaína apreendida em operações policiais e vendê-la novamente no mercado ilegal, utilizando o acesso privilegiado aos depósitos da polícia.
Uma operação deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público, na manhã desta quinta-feira (24), colocou agentes de segurança no centro de uma investigação sobre um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais em Mato Grosso do Sul.
Ao todo, foram expedidos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais foram cumpridas nas cidades de Campo Grande, Dourados e Terenos. Até o momento, nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal foram presos. Entre os investigados está um delegado, que não havia sido localizado durante o cumprimento das ordens judiciais, além de investigadores e um ex-investigador.
- Escopo da Operação: Foram executados 64 mandados judiciais (26 de prisão e 38 de busca e apreensão) em três cidades do Mato Grosso do Sul.
- Presos Iniciais: Doze agentes de segurança foram detidos, incluindo um delegado, que segue foragido nesta fase inicial.
- Método Ilícito: O grupo usava o acesso aos depósitos da polícia para subtrair drogas ou omiti-las nos registros oficiais antes da destruição.
- Origem da Dica: As pistas surgiram de investigações anteriores (Operações Traquetos e Blindspot) iniciadas em outubro de 2025.
- Garantia Legal: Todos os acusados têm direito à ampla defesa e ao contraditório perante a Justiça.
Método de desvio de cocaína
Segundo as investigações, o grupo teria utilizado a própria estrutura das forças de segurança para desviar parte das drogas apreendidas em operações e ocorrências policiais. O esquema teria funcionado de duas formas principais: pela omissão de parte dos entorpecentes nos registros oficiais das apreensões ou pela retirada de drogas diretamente dos depósitos das delegacias.
Depois de desviada, a cocaína seria entregue a traficantes ligados ao grupo, que ficariam responsáveis por recolocar os entorpecentes no mercado ilegal. Para o Gaeco, os policiais investigados teriam se aproveitado dos cargos públicos e do acesso privilegiado às apreensões e aos depósitos de drogas para alimentar a própria organização criminosa.
Início das apurações em 2025
As apurações tiveram início em outubro de 2025, a partir de elementos obtidos durante as investigações das operações Traquetos e Blindspot. As provas reunidas nessas operações teriam apontado a participação de policiais em um esquema de desvio de entorpecentes, principalmente cocaína, levando à abertura de uma investigação específica para identificar os integrantes e a forma de atuação do grupo.
O caso agora avança com a análise do material apreendido durante a operação e com o cumprimento das prisões determinadas pela Justiça. As acusações ainda serão submetidas ao devido processo legal, e os investigados terão direito à ampla defesa e ao contraditório.





