O delegado Hoffman D?Ávila Cândido e Sousa, alvo da Operação Infiltrados no Mato Grosso do Sul, teve a prisão preventiva confirmada após passar por audiência de custódia. Ele e outros sete policiais civis são investigados por participar de um esquema que desviava cocaína e outras drogas dos depósitos das delegacias para revender a traficantes. A defesa entrou com pedido de liberdade, mas o servidor seguirá preso até nova decisão da Justiça.
Alvo da Operação Infiltrados, que investiga o desvio de drogas apreendidas pela Polícia Civil em Mato Grosso do Sul, o delegado Hoffman DÁvila Cândido e Sousa vai permanecer preso após passar por audiência de custódia na manhã deste sábado (26). O servidor está detido desde quinta-feira (24), quando agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) saíram às ruas para cumprir mandados contra os investigados.
- A Operação Infiltrados resultou na prisão preventiva de oito policiais civis.
- A audiência de custódia verificou apenas os procedimentos da prisão, sem analisar o mérito do caso.
- A defesa do delegado pretende pedir a liberdade da autoridade na segunda-feira (28).
- As investigações apontam um esquema de desvio de cocaína ativo desde 2021.
- Além da Polícia Civil, um policial penal também está preso na operação.
Ao Primeira Página, os advogados Amilton Ferreira de Almeida e José Roberto Rosa, que fazem a defesa do delegado, afirmaram que a audiência teve como objetivo verificar os procedimentos relacionados à prisão, incluindo se houve agressão ou maus-tratos durante a ação.
Hoffman deve ser levado a um presídio do estado, onde ficará à disposição da Justiça de Mato Grosso do Sul. A defesa informou ainda que vai entrar com um pedido de revogação da prisão na segunda-feira (28).
Afastamento compulsório e lista de presos
Além da prisão, o delegado também foi afastado compulsoriamente do cargo na sexta-feira (25). A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado. Ele e outros sete servidores que são investigados na Operação Infiltrados tiveram a prisão preventiva decretada. Confira os nomes dos policiais envolvidos:
- Luiz Carlos de Souza
- Douglas Tobias
- Neverson Vieira de Araújo
- Nelson Ricardo Barros de Oliveira
- Hoffman DÁvila Cândido e Sousa
- Roberto Palmeira da Silva
- Nilton César Sales dos Santos
- Marcos André Santos Chaves
A medida administrativa ocorre no mesmo contexto da investigação criminal conduzida pelo Gaeco. Na quinta-feira foram expedidos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. Até o balanço divulgado após o início da operação, entre os presos estavam policiais civis, policiais militares e um policial penal.
Funcionamento do esquema de desvio
A operação cumpriu nesta quinta-feira 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
As investigações começaram em outubro de 2025, a partir de provas descobertas durante as Operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco. Conforme o Ministério Público, os elementos reunidos apontaram a participação de policiais em um esquema de desvio de entorpecentes, principalmente cocaína.
Segundo as investigações, o grupo atuava de duas formas. Em alguns casos, parte da droga apreendida era omitida dos registros oficiais das ocorrências. Em outras situações, os entorpecentes eram retirados diretamente dos depósitos das delegacias.
Após o desvio, as drogas eram repassadas a traficantes ligados à organização criminosa, que ficavam responsáveis por colocar novamente os entorpecentes no mercado ilegal.
Conforme apurado pela reportagem, as investigações encontraram indícios do esquema desde 2021.






