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13 de agosto de 2026

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Negócio de R$ 370 milhões liga Pivetta, Mauro Carvalho e Hélio Arruda

POLÍTICA Empresarial 13/08/2026 18:20 Redação Pauta Diária, com informações do VG Notícias pautadiaria.com.br

Documentos mostram que empresas ligadas ao governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, ao ex-secretário Mauro Carvalho e ao empresário Hélio Arruda estão conectadas na Brásbio, que também aprovou financiamentos de até R$ 1 bilhão.

Diario Flip

Documentos societários revelam conexões entre empresas ligadas ao governador Otaviano Pivetta, Mauro Carvalho e Hélio Arruda na Brásbio, que também estruturou operações financeiras de até R$ 1 bilhão. Uma complexa rede de relações empresariais envolvendo nomes ligados ao governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, ao ex-secretário Mauro Carvalho Júnior e ao empresário Hélio Palma de Arruda Neto converge na Brásbio Brasil Bioenergia S.A., segundo levantamento publicado pelo site VG Notícias e baseado em documentos oficiais, registros de CNPJ e cruzamento de vínculos societários.

  • O capital da Brásbio saltou de R$ 18 milhões para R$ 370 milhões em dois anos.
  • A empresa aprovou financiamentos de até R$ 1 bilhão com o Banco do Nordeste.
  • Otaviano Pivetta é sócio-administrador da Ideal Porc Suinocultura.
  • Mauro Carvalho passou a integrar a administração da Brásbio em 2024.
  • Hélio Arruda participa por meio da H4 Holding.

A documentação analisada pelo VG Notícias aponta que empresas e empresários relacionados a diferentes núcleos empresariais passaram a dividir sociedades, aportes, funções administrativas e representações dentro da Brásbio. A companhia, por sua vez, teve uma expansão expressiva de capital: saiu de aproximadamente R$ 18 milhões, em julho de 2024, para R$ 370,46 milhões em julho de 2026, crescimento superior a 20 vezes.

Ideal Pork aparece na formação da Brásbio

Um dos principais pontos de conexão está na reorganização societária realizada em novembro de 2024. Na ocasião, acionistas utilizaram ações da Ideal Pork para integralizar participações na Brásbio. A maior parcela veio da VN São Vicente Geração Energia S.A., que utilizou R$ 26,68 milhões em ações da Ideal Pork. Também participaram da operação a SDS Participações, com R$ 14,5 milhões; a NRL Participações, com R$ 8,7 milhões; a Green Lake, com R$ 5,8 milhões; Lauro Tabachuk Júnior, com R$ 1,74 milhão; e a H4 Holding, com R$ 580 mil. Ao todo, foram R$ 58 milhões em ações da Ideal Pork utilizados naquela etapa de formação do capital da Brásbio. Segundo o levantamento divulgado pelo VG Notícias, os documentos empresariais também apontam Otaviano Pivetta como sócio-administrador da Ideal Porc Suinocultura, empreendimento ligado ao núcleo empresarial do atual governador.

VN São Vicente mantém cerca de 46% da companhia

A VN São Vicente assumiu a maior participação individual na Brásbio. Quando o capital social estava em R$ 58 milhões, a empresa possuía R$ 26,68 milhões, o equivalente a aproximadamente 46% do negócio. A companhia é representada nos atos societários por Augusto Barros de Macedo, que também aparece em documentos empresariais relacionados ao núcleo de Pivetta. A participação da São Vicente não ficou restrita à entrada inicial. A empresa realizou sucessivos aportes por meio de Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital (AFACs). Entre dezembro de 2024 e julho de 2026, foram convertidos milhões de reais em novos aportes, incluindo R$ 11,27 milhões em dezembro de 2024, R$ 6,44 milhões em maio de 2025, R$ 39,54 milhões em julho, R$ 12,64 milhões em outubro e R$ 35,19 milhões em dezembro daquele ano. Em julho de 2026, mais R$ 26,407 milhões foram capitalizados, levando a VN São Vicente a 170.411.958 ações da Brásbio e mantendo sua participação próxima de 46%.

Hélio Arruda aparece por meio da H4 Holding

Outro nome que aparece na estrutura societária é Hélio Palma de Arruda Neto, por meio da H4 Holding Ltda. A holding participou da reorganização societária de 2024 e utilizou R$ 580 mil em ações da Ideal Pork para integralizar sua participação na Brásbio. Os atos societários identificam Hélio Arruda como representante da empresa. A H4 continuou realizando aportes. Em outubro de 2025, converteu R$ 274,887 mil em AFAC; em dezembro, outros R$ 765 mil foram transformados em capital. Já em julho de 2026, novo aporte de R$ 574 mil elevou a posição da holding para 3.704.542 ações da Brásbio.

Mauro Carvalho entra na administração

A presença de Mauro Carvalho Júnior na Brásbio aparece formalmente em março de 2024. Uma alteração societária registra a saída de Augusto Barros de Macedo e Rodrigo Ruviaro da administração e a entrada de Mauro Carvalho, Rafael de Castro Balizardo e Nelson Pelle Júnior. Embora Augusto tenha deixado a administração, ele continuou representando a VN São Vicente, que posteriormente se consolidou como maior acionista da Brásbio. Mauro Carvalho, por sua vez, passou a integrar a gestão da companhia. Posteriormente, Carvalho aparece como secretário de assembleias da empresa, inclusive em reuniões que aprovaram novos aportes milionários. Em julho de 2025, participou da assembleia que aprovou aumento de capital de R$ 85,965 milhões. Em outubro, esteve na reunião que incorporou outros R$ 27,488 milhões.

Rodrigo Ruviaro também aparece nos dois núcleos

Os documentos analisados pelo VG Notícias também identificam Rodrigo Ruviaro em diferentes posições. Ele aparece em estruturas empresariais relacionadas ao núcleo de Pivetta e também na Brásbio. Inicialmente integrou a administração da companhia e, posteriormente, passou a atuar como advogado e secretário de assembleias. Em abril de 2026, uma ata registra Ruviaro simultaneamente como secretário e representante legal de acionista.

Capital dispara para R$ 370,46 milhões

A evolução financeira da Brásbio chama atenção pela velocidade. Em julho de 2024, o capital era de aproximadamente R$ 18 milhões. Com a reorganização envolvendo ações da Ideal Pork, chegou a R$ 58 milhões. No final daquele ano, alcançou R$ 82,5 milhões. Em março de 2025, o capital chegou a R$ 107,975 milhões; em maio, a R$ 123,1 milhões. Em outubro, atingiu R$ 236,554 milhões e, em dezembro, R$ 313,054 milhões. Já em julho de 2026, após a conversão de mais R$ 57,407 milhões em AFACs, o capital social alcançou R$ 370.461.255.

Brásbio aprovou financiamentos de até R$ 1 bilhão

Além da expansão do capital próprio, a Brásbio também avançou na estruturação de grandes operações de crédito. Em março de 2025, a companhia aprovou a contratação de até R$ 1 bilhão em financiamentos junto ao Banco do Nordeste. A estrutura previa até R$ 850 milhões com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e outros R$ 150 milhões por meio do Fundo Clima do BNDES. Naquele momento, o capital social da Brásbio era de aproximadamente R$ 107,975 milhões. Portanto, o limite autorizado para financiamentos correspondia a cerca de 9,3 vezes o capital registrado. Em junho, a operação de até R$ 150 milhões do Fundo Clima avançou para a constituição de garantias e autorização para assinatura do contrato com o Banco do Nordeste. Mauro Carvalho novamente participou da reunião. Em novembro de 2025, os acionistas também autorizaram a utilização de imóveis, máquinas e equipamentos como garantias para operações financeiras, além de fiança bancária, seguro-garantia ou instrumento equivalente de até R$ 909,487 milhões. O levantamento ressalta, porém, que os documentos demonstram limites e operações aprovados societariamente, mas não comprovam que todo o montante de R$ 1 bilhão tenha sido efetivamente desembolsado.

Conexões empresariais levantam questionamentos

A reunião dos documentos revela uma sequência de relações societárias que envolve empresas, acionistas, administradores, representantes e profissionais que aparecem em diferentes estruturas empresariais. A Ideal Pork surge na operação de R$ 58 milhões; a VN São Vicente concentra cerca de 46% da Brásbio e realiza sucessivos aportes; a H4 Holding, de Hélio Arruda, participa da estrutura e também amplia sua posição; Mauro Carvalho integra a administração e participa de assembleias durante a expansão da companhia; e Rodrigo Ruviaro transita entre funções administrativas, jurídicas e de representação. Segundo o VG Notícias, os documentos não respondem, isoladamente, a todas as questões sobre eventuais conflitos de interesses. Entretanto, os registros societários permitem identificar conexões entre personagens do meio empresarial e pessoas que ocuparam posições estratégicas próximas ao poder público em Mato Grosso. O levantamento também relaciona a exposição dessa rede às mudanças provocadas pela Operação Heritage, que atingiu um núcleo familiar e interesses econômicos ligados ao governo Mauro Mendes e provocou rearranjos políticos em meio à disputa eleitoral.

Outro lado

De acordo com o VG Notícias, as empresas procuradas para comentar os questionamentos não responderam. O espaço permanece aberto para manifestação de todos os citados na reportagem.


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