As únicas mulheres na disputa pelo governo de Mato Grosso, Natasha Slhessarenko e Gisela Simona, criticaram as declarações de Antônio Galvan, que questionou a tipificação do feminicídio. Elas afirmam que falas como a dele naturalizam a violência contra a mulher e cobram políticas de prevenção.
As únicas mulheres na disputa pelo governo de Mato Grosso, Natasha Slhessarenko (candidata a governadora pelo PSD) e Gisela Simona (candidata a vice-governadora pela União), criticaram as declarações de Antônio Galvan, candidato ao Senado pelo Avante. Galvan questionou a tipificação do feminicídio e disse que não é preciso diferenciar os assassinatos de mulheres dos de homens.
As duas candidatas disseram que a fala de Galvan é um alerta sobre como a violência contra a mulher é vista pela sociedade. Elas pediram que o combate aos assassinatos de mulheres seja uma responsabilidade de todos, com políticas de prevenção, proteção e punição. Natasha disse que ficou incrédula com a tentativa de tratar a morte de homens e mulheres da mesma forma, sem considerar as circunstâncias da violência de gênero. Ela lembrou que 31 mulheres já foram mortas por feminicídio em Mato Grosso só neste ano, mostrando a importância do debate.
- Este ano, 31 mulheres já foram vítimas de feminicídio em Mato Grosso.
- Na semana passada, foram 4 feminicídios no estado.
- Cerca de 500 crianças ficaram órfãs por causa do feminicídio.
- A taxa de mortalidade de mulheres é de 2,7 por 100 mil habitantes, um dos maiores do país.
- As candidatas defendem que falas que naturalizam a violência sejam cobradas.
Natasha rebate as declarações
Fico incrédula ao ver pessoas acharem que o feminicídio não existe, que a morte de um homem e de uma mulher é a mesma coisa. As mulheres estão sendo mortas apenas por serem mulheres. São 31 mulheres só neste ano no nosso estado. Na semana passada foram quatro. Temos 500 órfãos por causa do feminicídio, afirmou Natasha.
Para Natasha, não dá para tratar o feminicídio apenas como uma diferença de nome no Código Penal. É inadmissível alguém dizer que não existe feminicídio num estado que tem batido recordes, com 2,7 mortes de mulheres para cada 100 mil habitantes. Contra fatos não há argumentos, completou.
Gisela pede responsabilidade
As mulheres estão morrendo e as crianças ficam órfãs só porque são mulheres. Nunca vi um homem ser morto por ser homem, é muito raro, completou Natasha. Gisela Simona também criticou Galvan e disse que as declarações de políticos não podem ser separadas da responsabilidade que eles têm com a sociedade.
Gisela disse que as falas dos políticos influenciam as pessoas e devem ser tratadas com responsabilidade, principalmente quando o problema já virou uma epidemia de violência contra as mulheres.
Políticos têm grande responsabilidade quando falam. Toda fala repercute e influencia. Por isso, temos que cobrar, para não deixar que discursos que banalizam a violência continuem em Mato Grosso. É uma questão séria, precisamos nos unir, afirmou Gisela.




