Pesquisadores analisaram os planos de cinco candidatos à presidência. Entidade pede políticas mais adequadas para proteger meninas e meninos em situação de vulnerabilidade.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) pediu aos candidatos à Presidência da República que deem mais atenção à prevenção da violência contra crianças em seus planos de governo.
Especialistas do Unicef analisaram as propostas de cinco candidaturas. A entidade defende respostas melhores para as necessidades de diferentes grupos de crianças e adolescentes.
- O Unicef quer que os candidatos proponham ações para evitar que crianças sofram violência.
- A maioria dos planos foca em punir quem comete a violência, não em preveni-la.
- No Brasil, 2.079 crianças e adolescentes foram mortos violentamente em 2025.
- Os casos de maus-tratos em casa mais que dobraram em 2025.
- A entidade critica a falta de atenção a crianças negras e indígenas.
Segundo o fundo, as principais candidaturas têm propostas contra a violência, mas a maioria promete políticas de resposta, e não de prevenção.
A entidade considera que, nas últimas décadas, o Brasil avançou em áreas sociais, mas a violência ainda é grave.
"Para proteger crianças e adolescentes, é essencial agir antes que a violência aconteça, com políticas de educação e oportunidades para jovens, assistência social, saúde, fortalecimento das famílias e sistemas que identifiquem e encaminhem casos de violência", destacou o representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman.
Soluções
No estudo, o Unicef defende que os futuros governos incluam a "parentalidade protetiva" em programas já existentes de primeira infância, cuidadores, assistência social e combate à violência.
Isso incluiria formar agentes públicos que visitam as casas das famílias para orientar pais, mães e cuidadores a prevenir a violência e usar práticas não violentas.
A entidade também defende a criação de uma Política Nacional de Prevenção de Violências contra Adolescentes, que vá além da segurança pública. A ideia é coordenar áreas como educação, trabalho, emprego e assistência social para reduzir os riscos de violência.
Cenário de violência
O Unicef informou que, apenas no ano passado, 2.079 crianças e adolescentes foram mortos violentamente no Brasil, o que dá uma média de seis vítimas por dia. A maioria são adolescentes homens e negros.
Segundo o último Anuário de Segurança Pública, o país teve mais de 38 mil casos de maus-tratos de menores em casa em 2025, mais que o dobro do ano anterior.
Também foram registrados 61 mil casos de estupro ou estupro de vulnerável cometidos por pessoas conhecidas das vítimas.
Desigualdades
A análise do Unicef aponta que as propostas tratam as crianças como um grupo igual, sem considerar raça, etnia, gênero, deficiência ou território, e como isso afeta a vulnerabilidade à violência.
A entidade criticou a falta de referências específicas a crianças negras e indígenas, que têm maior risco de exposição à violência.
"As referências a meninas e a crianças com deficiência estão presentes, mas de forma limitada", observou o fundo.
Abordagens
Sobre como o tema é tratado, o Unicef analisou as propostas dos candidatos Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (NOVO) e Renan Santos (MISSÃO). Foram encontradas 178 menções a crianças e adolescentes.
O Unicef diz que os planos de Lula, Caiado, Zema e Bolsonaro tratam do tema de forma explícita; Renan Santos não menciona especificamente.
No geral, a entidade vê mais ênfase em medidas de punição do que em proteção integral por meio de políticas sociais.
O Unicef avalia que os programas de Bolsonaro e Zema focam em punição e resposta às violências. Caiado dá ênfase a investigar e punir autores, mas também tem propostas de prevenção. O plano de Lula está mais voltado a ações de prevenção.




