Pesquisa mostra que a maioria dos brasileiros não alterou nem pretende mudar a escolha pelo presidente após as polêmicas envolvendo os ministros do Supremo Tribunal Federal.
Pesquisa divulgada neste sábado (12) mostrou que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) não alterou a intenção de voto dos brasileiros para o próximo presidente do país.
O levantamento foi feito pelo Datafolha, a pedido da Folha de S.Paulo e da Globo. O Instituto ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 8 e 10 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O número de registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-01833/2026.
Mais da metade já decidiu
Segundo os dados, 85% dos entrevistados disseram que não mudaram de escolha depois de saberem sobre as conversas trocadas entre Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. Outros 7% também não alteraram o voto, mas ficaram com dúvidas. Já os que mudaram de ideia e os que não sabiam responder estavam em proporção igual: 4% cada um.
As trocas de mensagens eram publicadas nesta semana. Parte delas foi enviada nos dias antes da primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025. Como o material veio do celular do ex-banqueiro, não há respostas de Moraes no relatório.
Outra decisão também não abala a votação
O pedido de investigação de Moraes teve resultado parecido. O ministro pediu que André Mendonça fosse investigado com base em relatórios internos da Polícia Federal (PF) que, segundo ele, não tinham valor como prova. Sobre o tema, 86% dos ouvidos disseram não trocar de candidato, 7% ficaram em dúvida, 2% mudaram de escolha e 4% não souberam responder.
Em outra pergunta, 71% dos brasileiros concordam que o STF é essencial para proteger a democracia no país. Outros 21% discordam, 3% não concordam nem discordam e 5% não souberam responder.
O que levou a crise ao STF
A disputa começou a crescer após a PF divulgar, em 1º de setembro, um relatório sobre mensagens de Vorcaro a um contato ligado aos investigadores ao ministro Alexandre de Moraes, com falas sobre encontros e pedidos de proteção contra as apurações.
Naquele mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que o documento fosse julgado como nulo. Agora, o plenário do Supremo decidirá o que fazer. Em 3 de setembro, Moraes indicou suspeitas de irregularidade na conduta de Mendonça, citando possíveis crimes como abuso de autoridade, improbidade administrativa e favorecimento político nos casos do Master e do INSS.
Moraes usou esses elementos para pedir a investigação de Mendonça no inquérito das fake news, pelo qual ele era responsável. Mendonça, no entanto, disse que havia sido observado pela PF e apontou problemas na forma como os documentos foram feitos. Depois, Fachin tirou o pedido do inquérito das fake news e também tirou de Moraes a função de relator do caso.
Conflito dentro da Polícia Federal
A briga também chegou ao topo da Polícia Federal. Em 8 de setembro, Mendonça ordenou que o diretor-geral, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, saíssem do cargo, dizendo que a instituição havia feito monitoramento ilegal contra ele.
No dia seguinte, o ministro Flávio Dino determinou que os dois voltassem a trabalhar. Fachin, presidente do STF, então paralisou as duas decisões e pediu explicações a Andrei Rodrigues. Em manifestação enviada a Fachin nesta sexta-feira (11), o diretor-geral negou o monitoramento e disse que os relatórios foram feitos corretamente e enviados ao ministro dentro de uma ordem judicial.
Próximos passos
Fachin convocou uma sessão extraordinária do plenário para terça-feira (15) para discutir as mensagens de Vorcaro a Moraes e a condução do caso. Além disso, determinou que todos os documentos ligados ao Master que estavam sob responsabilidade de Mendonça fossem colocados à disposição. O objetivo é garantir acesso total do STF antes da reunião.
Rapidity
- Mais de 85% dos brasileiros não mudaram de candidato às eleições por causa da crise.
- Só 4% disseram que trocaram de escolha, um número bem pequeno.
- 71% acreditam que o STF é importante para defender a democracia.
- Fachin paralisou medidas opostas e pediu explicações ao diretor-geral da PF.
- Uma sessão especial será feita em 15 de setembro para resolver o caso.




